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Hematomas intracranianos


Os hematomas intracranianos são acumulações de sangue entre o cérebro e crânio.

Os hematomas intracranianos podem ser consequência de um traumatismo ou de um icto. (Ver secção 6, capítulo 74) É habitual que os hematomas intracranianos associados a um traumatismo se formem no revestimento externo do cérebro (hematoma subdural) ou entre o revestimento externo e o crânio (hematoma epidural). (Ver secção 6, capítulo 74) Ambos os tipos podem, em regra, ser revelados através de uma tomografia axial computadorizada (TAC) ou de uma ressonância magnética (RM). A maioria dos hematomas são de desenvolvimento rápido e produzem sintomas em minutos. Os hematomas crónicos, mais frequentes nas pessoas de idade, são de progressão lenta e produzem sintomas somente ao fim de horas ou de dias.

Os hematomas grandes comprimem o cérebro, causam edema e finalmente destroem o tecido cerebral. Podem também ocasionar uma hiernação da parte superior do cérebro ou do tronco cerebral.

Uma pessoa com um hematoma intracranino pode perder a consciência, entrar em coma, ficar paralisado de um ou de ambos os lados do corpo, experimentar dificuldades respiratórias e cardíacas ou mesmo morrer. Os hematomas podem também ocasionar confusão e perda de memória, especialmente nas pessoas de idade avançada.

Um hematoma epidural é consequência da hemorragia de uma artéria que se encontra entre as meninges (as membranas que revestem e protegem o cérebro) e o crânio. A maioria dos hematomas epidurais ocorre quando uma fractura do crânio rompe uma artéria. Dado que o sangue tem mais pressão nas artérias do que nas veias, sai com mais força e rapidez das artérias. Às vezes, os sintomas são de início imediato, geralmente em forma de dor de cabeça intensa, mas também podem demorar várias horas. Às vezes, a dor de cabeça cede para reaparecer com mais intensidade ao fim de algumas horas; é possível que então se acompanhe de um estado progressivo caracterizado por confusão, sonolência, paralisia, colapso e coma profundo.

O diagnóstico precoce é fundamental e geralmente estabelece-se através de uma TAC urgente. O tratamento dos hematomas epidurais instaura-se enquanto se estabelece o diagnóstico. Para eliminar a acumulação de sangue trepana-se o crânio e o cirurgião procura a origem da hemorragia para a controlar.

Os hematomas subdurais são consequência do sangramento das veias que se encontram à volta do cérebro. O início do derrame pode ser súbito e consecutivo a um traumatismo craniano grave ou mais lento quando se trata de uma lesão menos grave. Os hematomas subdurais de desenvolvimento lento são mais frequentes nas pessoas de idade avançada, porque as suas veias são frágeis, e nos alcoólicos, porque às vezes não tomam consciência de pancadas leves ou moderadas na cabeça. Em ambas as situações a lesão inicial pode parecer ligeira e os sintomas podem passar inadvertidos durante várias semanas. No entanto, uma TAC ou uma RM podem detectar o sangue acumulado. Um hematoma subdural pode aumentar o tamanho da cabeça de um bebé porque o crânio é mole e maleável; os médicos costumam drenar o hematoma cirurgicamente por razões estéticas.

Nos adultos, os hematomas subdurais pequenos costumam ser reabsorvidos espontaneamente; a drenagem cirúrgica está habitualmente indicada nos grandes hematomas subdurais que causam sintomas neurológicos. As indicações para proceder a uma drenagem são a dor de cabeça persistente, os enjoos que aparecem e desaparecem, a confusão, as alterações na memória e uma paralisia ligeira no lado oposto do corpo.

Lesões cerebrais nas áreas específicas

As lesões na camada superior do cérebro (córtex cerebral) habitualmente produzem uma deterioração da capacidade da pessoa para pensar, controlar emoções e comportar-se com normalidade. Dado que, geralmente, certas áreas específicas do córtex cerebral regem determinados padrões específicos de comportamento, a localização exacta da lesão e a amplitude da área afectada determinarão o tipo de deterioração. (Ver secção 6, capítulo 59)

Lesão do lobo frontal

Os lobos frontais do córtex cerebral controlam, sobretudo, as actividades motoras aprendidas (por exemplo, escrever, tocar um instrumento musical ou atar os sapatos). Também controlam a expressão da cara e os gestos expressivos. Certas áreas dos lobos frontais regulam as actividades motoras aprendidas do lado oposto do corpo.

Os efeitos de uma lesão do lobo frontal sobre o comportamento variam em função do tamanho e da localização do defeito físico. As pequenas lesões não costumam causar alterações notórias no comportamento se só afectam um lado do cérebro, embora, por vezes, provoquem convulsões. As grandes lesões da parte posterior dos lobos frontais podem causar apatia, falta de atenção, indiferença e, às vezes, incontinência. As pessoas que apresentam grandes alterações mais próximas da parte anterior ou lateral dos lobos frontais tendem a distrair-se facilmente, sentem-se eufóricas sem motivo aparente, são argumentativas, vulgares e rudes; além disso, pode acontecer que não tenham consciência das consequências do seu comportamento.

Lesão do lobo parietal

Os lobos parietais do córtex cerebral são os encarregados de combinar as impressões referentes à textura e ao peso das coisas e de convertê-la em percepções gerais. A capacidade para as matemáticas e para a linguagem saem de alguma parte desta área, mas mais especificamente de zonas adjacentes aos lobos temporais. Os lobos parietais também contribuem para que a pessoa possa orientar-se no espaço e aperceber-se da posição das partes do seu corpo.

Um pequeno défice na parte anterior dos lobos parietais causa entorpecimento na parte oposta do corpo. As pessoas com lesões maiores podem perder a capacidade para executar tarefas sequenciais, como abotoar um botão (uma perturbação denominada apraxia) e ter consciência do sentido direita-esquerda. Um grande défice pode afectar a capacidade da pessoa para reconhecer as partes do corpo ou o espaço à volta dela ou pode interferir inclusive com a memória de formas que antes conhecia bem, como relógios ou cubos.

Em consequência, uma lesão súbita de algumas partes do lobo parietal pode fazer com que as pessoas ignorem a natureza grave da sua perturbação e se tornem negligentes ou inclusive neguem (não reconheçam) a paralisia que afecta o lado do corpo oposto à lesão cerebral. Podem apresentar um estado de confusão ou de delírio e ser incapazes de se vestir ou de efectuar actividades correntes.

Lesão do lobo temporal

Os lobos temporais processam os factos imediatos na memória recente e na memória remota. Fazem com que possam ser interpretados os sons e as imagens, armazenam os factos em forma de memória e evocam os já memorizados e geram as vias emocionais.

Uma lesão no lobo temporal direito tende a afectar a memória dos sons e das formas. Uma lesão no lobo temporal esquerdo interfere de maneira drástica com a compreensão da linguagem e é típico que impeça que a pessoa se exprima através dela. As pessoas com uma lesão no lobo temporal direito não dominante podem experimentar alterações de personalidade, como perda do sentido de humor, um grau inabitual de religiosidade, obsessões e perda da líbido.

Perturbações causadas por traumatismo craniano

Algumas perturbações específicas produzidas por um traumatismo craniano são a epilepsia pós-traumática, a afasia, a apraxia, a agnosia e a amnésia.



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