| Secção 6: | Doenças do cérebro e do sistema nervoso |
| Capítulo 79: | Tumores do sistema nervoso |
| Temas: | Tumores cerebrais
- Tumores medulares
- Neurofibromatose
- Síndromas paraneoplásicos
- Lesões do sistema nervoso por radiação
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Síndromas paraneoplásicosAs síndromas paraneoplásicas são os efeitos remotos de um cancro (mais frequentemente, um cancro do pulmão ou do ovário) sobre diferentes funções do corpo, muitas vezes as do sistema nervoso. Não se sabe com exactidão como um cancro distante pode afectar o sistema nervoso. Alguns cancros libertam na corrente sanguínea determinadas substâncias que causam uma reacção auto-imune que provoca lesões em tecidos distantes. Outros cancros segregam substâncias que interferem de maneira directa com a função do sistema nervoso, ao ponto de conseguirem destruir partes do mesmo. As síndromas paraneoplásicas podem produzir um amplo espectro de sintomas neurológicos, tais como demência, alterações do temperamento, convulsões, debilidade (possivelmente progressiva) dos membros ou do corpo inteiro, perda de sensibilidade, formigueiros, coordenação deficiente, enjoos, visão dupla e movimentos anormais dos olhos. O efeito mais frequente é a polineuropatia, que consiste numa disfunção dos nervos periféricos (os nervos que estão fora do cérebro e da medula espinhal). (Ver secção 6, capítulo 70) A pessoa sente-se débil, perde a sensibilidade e tem uma diminuição dos reflexos. Apesar de a polineuropatia não ter um tratamento específico, por vezes consegue-se uma melhoria da mesma ao tratar o cancro. A neuropatia sensitiva subaguda, uma forma rara de polineuropatia, precede, por vezes, o diagnóstico do cancro. A pessoa com esta neuropatia pode ter uma perda incapacitante da sensibilidade e uma coordenação deficiente, mas por vezes pode sentir somente debilidade. Não existe tratamento para a neuropatia sensitiva subaguda. As substâncias produzidas pelos diferentes cancros podem ter efeitos muito variados. Os cancros da mama e dos ovários produzem por vezes uma substância que parece induzir o aparecimento de um auto-anticorpo que destrói o cerebelo, provocando uma perturbação denominada degenerescência cerebelosa subaguda. Os sintomas desta perturbação (marcha instável, coordenação deficiente dos braços e das pernas, dificuldade para falar, enjoo e visão dupla) podem manifestar-se semanas, meses ou inclusive anos antes de se descobrir o cancro. A degenerescência cerebelosa subaguda piora habitualmente em semanas ou meses e muitas vezes deixa a pessoa gravemente incapacitada. Esta doença é difícil de diagnosticar antes de se encontrar o cancro, embora uma tomografia axial computadorizada (TAC) ou uma ressonância magnética (RM) possa revelar uma perda de tecido no cerebelo. Não existe um tratamento eficaz, mas o processo por vezes melhora depois de se tratar o cancro com êxito. O neuroblastoma, um cancro próprio das crianças, causa por vezes uma combinação pouco comum de sintomas que se caracterizam por movimentos incontrolados e súbitos dos olhos. A criança apresenta também uma perturbação da coordenação, juntamente com rigidez, espasmos e contracções musculares no corpo, braços e pernas. Estes sintomas podem melhorar tratando o cancro e, por vezes, também com a administração de corticosteróides como a prednisona. Em casos muito raros, a doença de Hodgkin pode afectar indirectamente as células dos nervos da medula espinhal, provocando uma debilidade dos braços e das pernas de forma semelhante ao que acontece numa polineuropatia aguda. Esta situação melhora habitualmente com corticosteróides. A síndroma de Eaton-Lambert é uma síndroma paraneoplásica semelhante à miastenia grave (Ver secção 6, capítulo 70) que pode apresentar-se em pessoas com cancro do pulmão. A síndroma deve-se à presença de anticorpos que interferem com as substâncias que permitem a comunicação entre os nervos e os músculos (neurotransmissores). A debilidade começa antes, durante ou depois de se ter diagnosticado o cancro; por vezes, não se encontra o cancro. As pessoas com a síndroma de Eaton-Lambert podem também sentir cansaço, dor e formigueiro nos braços e nas pernas, secura da boca, pálpebras caídas e impotência. Os reflexos normais, como o reflexo rotuliano, diminuem e até podem desaparecer. Os sintomas da síndroma de Eaton-Lambert podem melhorar quando se trata o cancro que os provoca. A guanidina é um fármaco que fomenta a produção, por parte dos nervos, de uma substância que estimula os músculos, o que pode aliviar em parte a debilidade. No entanto, a guanidina tem efeitos secundários graves, como o de causar dano à medula óssea e ao fígado. Outros tratamentos são a plasmaférese, um procedimento por meio do qual as substâncias tóxicas se extraem do sangue. (Ver tabela da secção 14, capítulo 154) e a administração de corticosteróides como a prednisona. Os cancros podem também causar debilidade se afectarem os músculos em vez dos nervos. A dermatomiosite e a polimiosite, processos por vezes induzidos pelo cancro, podem causar debilidade dos fortes músculos do tronco. Certas pessoas podem desenvolver uma erupção de aspecto violáceo no nariz e nas maçãs do rosto e um edema à volta dos olhos (erupção de tipo heliotrópico). Ainda que a dermatomiosite e a poliomiosite sejam mais correntes em pessoas com mais de 50 anos com cancro, elas podem, por vezes, afectar pessoas que não o tenham. Em alguns casos, o tratamento com corticosteróides, como a prednisona, pode ser eficaz. |
Neurofibromatose
