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Cárie


As cavidades (cárie dentária) são as áreas que perderam substância como resultado de um processo que gradualmente dissolve a superfície externa mais resistente do dente (esmalte) e avança para o interior do mesmo.

Juntamente com o resfriado comum e a doença das gengivas, a cárie figura entre as afecções humanas mais comuns. A cárie continuará a desenvolver-se se não for tratada de forma adequada por um estomatologista. Uma cárie sem tratamento pode representar a perda do dente.  

Causa

Devem existir condições propícias para o desenvolvimento da cárie dentária. A bactéria produtora de ácido deve estar presente e o alimento, para que prospere, deve estar ao seu alcance. Portanto, um dente propenso à cárie é aquele que tem relativamente pouco flúor, orifícios pronunciados ou fissuras que retêm a denominada placa bacteriana (depósitos de bactérias que se acumulam nos dentes). Embora a boca contenha grande quantidade de bactérias, só algumas causam a cárie, sendo o Streptococus mutans a bactéria mais comum.

A cárie desenvolve-se de maneira diferente, segundo a sua localização no dente. A cárie da superfície lisa é a de desenvolvimento mais lento e constitui o tipo mais evitável e reversível. Neste caso, a cavidade inicia-se como um ponto branco onde as bactérias dissolvem o cálcio do esmalte. De um modo geral, é entre os 20 e os 30 anos de idade que começam as cáries da superfície lisa.

Normalmente, é por volta dos 10 anos de idade que começam as cáries de orifícios e fissuras nos dentes permanentes. Forma-se nas estrias apertadas da superfície mastigatória dos molares ao lado da bochecha e é um tipo de cárie que avança rapidamente. Muitas pessoas não conseguem limpar adequadamente estas áreas propensas à cárie porque as estrias são mais apertadas do que as cerdas da escova de dentes.

A cárie da raiz começa na camada de tecido ósseo que cobre a raiz (cimento), quando esta fica exposta pelo retrocesso das gengivas. Em geral, afecta pessoas de meia-idade ou mais velhos (Ver secção 8, capítulo 95) e, muitas vezes, a causa deste tipo de cárie reside na dificuldade em limpar as áreas da raiz e no alto conteúdo de açúcares da dieta. A cárie de raiz pode ser a mais difícil de evitar.

É lento o avanço da cárie no esmalte (a camada externa e dura do dente). Depois de penetrar na segunda camada do dente, mais suave e menos resistente, denominada dentina, a cárie estende-se rapidamente e avança para a polpa dentária, tecido com numerosos nervos e vasos sanguíneos, que se encontra no mais profundo do dente. Embora uma cárie possa levar entre 2 e 3 anos a penetrar no esmalte, num só ano pode passar da dentina à polpa e inclusive afectar uma área muito maior. Por isso, a cárie da raiz que se inicia na dentina pode destruir em pouco tempo grande parte da estrutura do dente.

Sintomas

Nem todas as dores de dentes se devem à cárie. A dor pode ser consequência de uma raiz demasiado exposta mas sem cárie, de uma mastigação excessivamente enérgica ou devido a um dente fracturado. A congestão dos seios frontais pode causar dor nos dentes superiores.

Uma cárie no esmalte, de um modo geral, não causa dor; esta começa quando a cárie atinge a dentina. Uma pessoa pode sentir dor só quando bebe algo frio ou come algo doce, o qual indica que a polpa está ainda sã. Se a cárie for tratada nesta fase, o estomatologista pode habitualmente salvar o dente e é provável que não se produzam outras dores nem dificuldades na mastigação.

São irreversíveis os danos que causa uma cárie que chega muito próximo da polpa ou inclusive que a atinja. A dor persiste, mesmo depois do estímulo (por exemplo, água fria). O dente pode doer também sem qualquer estímulo (dor de dentes espontânea).

Quando as bactérias atingem a polpa dentária e esta morre, a dor pode cessar temporariamente. Mas em breve (de horas a dias), o dente dói, tanto ao morder como ao pressioná-lo com a língua ou com um dedo, porque a inflamação e a infecção se propagaram para além da extremidade da raiz, causando um abcesso (uma acumulação de pus). O pus acumulado à volta do dente tende a retirá-lo do seu alvéolo e a mastigação volta a colocá-lo no seu sítio, o que causa uma dor intensa. O pus pode acumular-se, originando inflamação da gengiva adjacente, ou propagar-se extensamente através do maxilar (celulite) e drenar na boca, ou inclusive através da pele junto ao maxilar inferior.

Diagnóstico e prevenção

Se uma cárie for tratada antes de fazer doer, é provável que o dano causado na polpa seja ligeiro, salvando-se a maior parte da estrutura do dente. Para a sua detecção precoce o estomatologista informa-se sobre a dor, examina os dentes com instrumentos adequados para detectar o grau de sensibilidade e de dor, podendo também fazer radiografias. O controlo dentário deve efectuar-se todos os 6 meses, embora nem todas as revisões incluam radiografias. Dependendo da avaliação do estomatologista sobre a dentadura, as radiografias podem fazer-se entre os 12 e os 36 meses seguintes.

A chave para a prevenção da cárie baseia-se em cinco estratégias gerais: uma boa higiene bucodentária, uma dieta equilibrada, o flúor, as massas de obturação e uma terapia antibacteriana.

Higiene bucal

Uma boa higiene bucal pode controlar eficazmente a cárie da superfície lisa. Esta consiste na escovagem antes ou depois do pequeno-almoço, antes de deitar e em passar o fio dental diariamente para eliminar a placa bacteriana. A escovagem previne a cárie que se forma nos lados dos dentes e o fio dental atinge os pontos entre os dentes que não se atingem com a escova. Pode utilizar-se um estimulador gengival com pontas de borracha para retirar os resíduos de alimentos alojados na margem das gengivas e das superfícies que estão face aos lábios, às bochechas e ao palato.

Qualquer pessoa com uma destreza manual normal demora três minutos a escovar os dentes correctamente. No início, a placa bacteriana é bastante mole e limpa-se com uma escova de cerdas suaves e fio dental, no mínimo uma vez por dia, o que também contribuirá para prevenir as cáries. No entanto, a placa bacteriana torna-se mais difícil de retirar quando se calcifica, processo que começa cerca de 24 horas mais tarde.

Dieta

Embora todos os hidratos de carbono possam causar um certo grau de cárie dentária, os maiores culpados são os açúcares. Todos os açúcares simples têm o mesmo efeito sobre os dentes, incluindo o açúcar de mesa (sacarose) e os açúcares do mel (levulose e dextrose), das frutas (frutose) e do leite (lactose). Quando o açúcar entra em contacto com a placa bacteriana, o Streptococcus mutans, a bactéria presente na placa, produz ácido durante uns vinte minutos. A quantidade de açúcar ingerida é irrelevante; o importante é o tempo em que o açúcar permanece em contacto com os dentes. Por isso, saborear uma bebida açucarada durante uma hora torna-se mais prejudicial do que comer um rebuçado em cinco minutos, embora o rebuçado contenha mais açúcar.

Portanto, uma pessoa com tendência para desenvolver cáries deve evitar os doces.

O bochecho depois de comer uma sanduíche de presunto elimina parte do açúcar, mas a escovagem é mais eficaz. Como prevenção é útil tomar bebidas não alcoólicas adoçadas artificialmente, embora as coca-colas dietéticas contenham um ácido que pode contribuir para a cárie dentária. Tomar chá ou café sem açúcar contribui para a prevenção da cárie, particularmente nas superfícies expostas das raízes.

Flúor

O flúor proporciona aos dentes, e ao esmalte em particular, uma maior resistência contra o ácido que contribui para a cárie. O flúor ingerido é particularmente eficaz até aos 11 anos de idade, aproximadamente, quando se completa o crescimento e o endurecimento dos dentes. A fluoração da água é o modo mais eficaz de administrar o flúor às crianças. Em alguns países a água já contém flúor suficiente para reduzir a cárie dentária. Contudo, se a água fornecida tiver demasiado flúor, os dentes podem apresentar manchas ou alterações de cor. Quando a água que se dá às crianças não contém flúor, tanto o médico como o dentista podem prescrever pastilhas ou gotas de fluoreto de sódio. O estomatologista pode aplicar o flúor directamente nos dentes de pessoas de qualquer idade que sejam propensas à cárie dentária. Também dão bons resultados os dentífricos que contenham flúor.

Ocludentes

Podem utilizar-se determinadas substâncias oclusivas para aumentar a resistência ao desenvolvimento de fissuras nos dentes posteriores. Depois de ter limpo cuidadosamente a área que deve ser coberta, o estomatologista acondiciona o esmalte e coloca um líquido plástico nas fissuras dos dentes. Quando o líquido endurece, forma-se uma barreira eficaz e todas as bactérias do interior da ranhura interrompem a formação de ácido sem possiblidade de contacto com o alimento de que necessitam. O ocludente dura bastante tempo; cerca de 90 % permanecem ao fim de um ano e 60 % ao fim de 10 anos, mas às vezes pode ser necessária uma reparação ou substituição.

Coroas, pontes e implantes
 

Terapia antibacteriana

Algumas pessoas alojam na boca bactérias especialmente activas que causam a cárie dentária. Os pais podem transmitir essas bactérias aos seus filhos, provavelmente através do beijo. As bactérias desenvolvem-se na boca da criança, a partir da primeira dentição, e mais tarde podem causar cárie. Deste modo, a tendência para a cárie dentária de tipo familiar não reflecte necessariamente uma escassa higiene bucal nem a existência de uma alimentação inadequada.

Uma terapia antibacteriana pode ser necessária em pessoas muito propensas à cárie. Em primeiro lugar, o estomatologista elimina a cárie da zona danificada e cobre com massa todas as cavidades e fissuras dos dentes; posteriormente prescreve um bochecho com um colutório (cloro-hexidina) durante várias semanas, para eliminar as bactérias que ficam na placa bacteriana. Com isso pretende-se que bactérias menos nocivas substituam as causadoras da cárie. Para manter essas bactérias sob controlo, devem fazer-se diariamente bochechos de flúor e mastigar pastilhas que contenham xilitol.

Tratamento

Se a cárie se evitar antes de atingir a dentina, o esmalte repara-se espontaneamente e a mancha branca do dente desaparece. Uma vez que a cárie atinja a dentina, deve extrair-se a parte do dente com cárie e substituí-la por uma massa (restauração). O tratamento da cárie na sua fase prematura mantém a força do dente e limita a possibilidade de danos na polpa.

Obturações

Vários materiais utilizados para as obturações podem ser colocados na base cavitária ou à volta do dente. A amálgama de prata é a mais usada nas obturaçõs dos molares, onde a resistência é importante e a cor da prata mal se vê. A amálgama de prata é relativamente barata e dura, em média, 14 anos. A obturação de ouro (incrustações) é mais cara e requer, no mínimo, duas visitas ao estomatologista; no entanto, é mais resistente e serve para as cáries maiores.

O uso dos compostos de resina e das obturações de porcelana está indicado para os dentes da frente, onde a prata seria demasiado visível. A aplicação destes compostos nos molares é cada vez mais frequente e a vantagem é a sua semelhança com a cor do dente. No entanto, são mais caros do que as amálgamas de prata e provavelmente duram menos, particularmente nos molares que estão submetidos à força da mastigação.

Nas pessoas com predisposição para a cárie na área adjacente às gengivas, pode recomendar-se uma obturação derivada do vidro, também de cor semelhante ao dente, cuja propriedade é a de libertar flúor uma vez colocada no dente. Outra aplicação desta substância é nas áreas que ficam danificadas devido a uma escovagem demasiado enérgica.

Tratamento da raiz e extracção de dentes

Quando a cárie aprofunda o suficiente para danificar a polpa de forma permanente, o único modo de suprimir a dor é retirar a polpa através do canal da raiz (endodôncia) ou extrair o dente. Um molar tratado por endodôncia está mais bem protegido por uma capa (coroa) que abranja toda a superfície de mastigação. O método de restauração dos dentes da frente que tenham recebido tratamento da raiz está condicionado pela parte que ficar do dente. Excepcionalmente, ao fim de uma ou mais semanas a contar da endodôncia, podem aparecer febre, dor de cabeça ou então uma inflamação do maxilar, do pavimento da boca ou da garganta. Estas complicações requerem cuidados médicos.

Se se extrair um dente, deve-se substituí-lo o mais cedo possível; caso contrário, os dentes próximos podem mover-se e alterar a forma da dentada. A substituição pode ser uma ponta, uma dentadura parcial fixa, que reveste com coberturas os dentes de cada lado do extraído, ou uma dentadura postiça. Também se podem fazer implantes para substituir um dente.

Uma coroa é uma reconstrução que se adapta sobre um dente. Uma coroa bem moldada requer, de modo geral, duas visitas ao estomatologista, embora às vezes possa necessitar de mais. Na primeira visita, o estomatologista prepara o dente, afiando-o ligeiramente, depois faz um molde do dente e coloca uma coroa provisória sobre o mesmo. O molde serve para desenhar a coroa permanente num laboratório de prótese dentária. Na consulta seguinte, substitui-se a coroa provisória pela permanente que se cimenta no dente já preparado.

As coroas são feitas, habitualmente, com uma liga de ouro ou de outro metal. A porcelana serve para dissimular a cor do metal. As coroas também podem ser feitas de porcelana, mas esta é mais dura e abrasiva do que o esmalte do dente e pode desgastar o dente oposto. Além disso, as coroas de porcelana ou de outro material semelhante são mais propensas a quebrarem-se do que as metálicas.




A linguagem dos estomatologistas
Como se chama habitualmente
Como lhe chamam os dentistas
Dente de adulto Dente permanente
Dente de leite Dente decíduo ou caduco
Queixais Molares
Dentada Oclusão
Aros, arames Aros, arcos e aparelhos de ortodoncia
Camada Coroa
Cavidades, cárie Cárie
Limpeza Profilaxia
Chumbagem Obturação
Dentes da frente Incisivos ou caninos
Gengiva Gengiva
Doença da gengiva Doença periodontal, periodontite
Lábio leporino Fissura labial
Gás hilariante Protóxido de azoto
Maxilar inferior Maxilar inferiot
Dentadura, aparelho Prótese removível completa ou parcial
Céu da boca Palato
Dentes laterais Bicúspides
Chumbagem de prata Obturação com amálgama
Sarro Tártaro
Dentada desigual Má oclusão
Maxilar superior Maxilar superior

Tratamento do canal de um dente muito danificado
Anestesia-se o dente.
Coloca-se uma borracha à volta do dente para o isolar das bactérias do resto da boca.
Pratica-se uma abertura através da superfície mastigatória de um molar, ou através da face lingual, se se tratar de um dente anterior.
Introduzem-se instrumentos muito finos através da abertura, dentro do espaço que deixa o canal pulpar, e extrai-se toda a polpa que resta.
Isola-se e drena-se o canal desde a abertura até à extremidade da raiz.
Fecha-se o canal com uma obturação.


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