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Gastrite


A gastrite é a inflamação do revestimento mucoso do estômago.

A mucosa do estômago oferece resistência à irritação e normalmente pode suportar um elevado conteúdo ácido. No entanto, pode irritar-se e inflamar-se por diferentes motivos.

A gastrite bacteriana segue-se normalmente a uma infecção por organismos como o Helicobacter pylori (bactérias que crescem nas células secretoras de muco do revestimento do estômago). Não se conhecem outras bactérias que se desenvolvam em ambientes normalmente ácidos como o do estômago, embora muitos tipos possam fazê-lo no caso de o estômago não produzir ácido. Tal crescimento bacteriano pode provocar gastrite de forma transitória ou persistente.

A gastrite aguda por stress, o tipo mais grave de gastrite, é provocada por uma doença ou lesão graves de aparecimento rápido. A lesão pode não afectar o estômago. Por exemplo, são causas frequentes as queimaduras extensas e as lesões que provocam hemorragias maciças.

A gastrite erosiva crónica pode ser secundária a substâncias irritantes como os medicamentos, sobretudo a aspirina e outros anti-inflamatórios não esteróides (AINE), à doença de Crohn e a infecções bacterianas e virais. Com este tipo de gastrite, que se desenvolve lentamente em pessoas que, por outro lado, gozam de boa saúde, podem verificar-se hemorragias ou ulcerações. É mais frequente em pessoas que abusam de álcool.

A gastrite viral ou por fungos pode desenvolver-se em doentes crónicos ou imunodeprimidos.

A gastrite eosinófila pode resultar duma reacção alérgica a uma infestação por certos vermes (nemátodos). Neste tipo de gastrite, os eosinófilos (um tipo de glóbulos brancos no sangue) acumulam-se na parede gástrica.

A gastrite atrófica ocorre quando os anticorpos atacam o revestimento mucoso do estômago, provocando o seu adelgaçamento e perda de muitas ou de todas as células produtoras de ácido e de enzimas. Esta perturbação afecta normalmente as pessoas mais velhas. Também tem tendência para ocorrer nas pessoas a quem foi extirpado parte do estômago (procedimento cirúrgico chamado gastrectomia parcial). A gastrite atrófica pode provocar anemia perniciosa porque interfere com a absorção da vitamina B12 presente nos alimentos. (Ver secção 14, capítulo 154)

A doença de Ménétrier é um tipo de gastrite de causa desconhecida. Nesta, as paredes do estômago desenvolvem pregas grandes e grossas, glândulas volumosas e quistos cheios de líquido. Cerca de 10 % dos afectados desenvolvem cancro do estômago.

A gastrite de células plasmáticas é outra forma de gastrite de origem desconhecida. Nesta doença, as células plasmáticas (um tipo de glóbulos brancos) acumulam-se nas paredes do estômago e noutros órgãos.

A gastrite também pode ser induzida pela ingestão de agentes corrosivos, como os produtos de limpeza, ou pelos elevados níveis de radiação (por exemplo, na radioterapia).

Sintomas

Os sintomas variam conforme o tipo de gastrite. No entanto, normalmente uma pessoa com gastrite sofre de indigestão e de queixas ligeiras na parte alta do abdómen.

Na gastrite aguda por stress, a doença subjacente, os traumatismos ou as queimaduras em geral camuflam os sintomas gástricos. No entanto, podem sentir-se queixas moderadas na parte alta do abdómen. Pouco depois dum traumatismo, no revestimento do estômago podem surgir pequenos pontos hemorrágicos. Em poucas horas, estas pequenas lesões hemorrágicas podem converter-se em úlceras. As úlceras e a gastrite podem desaparecer se a pessoa recuperar rapidamente do traumatismo. Se assim não for, as úlceras podem tornar-se maiores e começar a sangrar, normalmente entre 2 e 5 dias depois da lesão. A hemorragia pode fazer com que as fezes sejam de cor negro-alcatrão, tingir de vermelho o líquido do estômago ou, se for muito abundante, fazer baixar a tensão arterial. A hemorragia pode ser maciça e mortal.

Os sintomas da gastrite erosiva crónica incluem náuseas ligeiras e dor na parte alta do abdómen. No entanto, muitas pessoas (como os consumidores crónicos de aspirinas) não sentem dor. Algumas pessoas podem apresentar sintomas parecidos com os duma úlcera, como dor, quando o estômago está vazio. Se a gastrite se complicar com úlceras sangrantes, as fezes podem adoptar uma cor negro-alcatrão (melena) ou então podem verificar-se vómitos de sangue vermelho (hematemese) ou de sangue parcialmente digerido (como borra de café).

Na gastrite eosinófila, a dor abdominal e os vómitos podem ser provocados por um estreitamento ou por uma obstrução completa da saída do estômago para o duodeno.

Na doença de Ménétrier, o sintoma mais comum é a dor de estômago. São menos habituais a perda de apetite, os vómitos e a perda de peso. A hemorragia é também rara. Pode ser provocada uma retenção de líquidos e uma tumefacção dos tecidos (edema) devido à perda de proteínas pela inflamação do revestimento do estômago. Estas proteínas misturam-se com o conteúdo do estômago e são eliminadas do organismo.

Na gastrite de células plasmáticas, podem aparecer dor abdominal, vómitos e diarreia, juntamente com uma erupção cutânea.

A gastrite por radioterapia provoca dor, náuseas e ardor devido à inflamação e, por vezes, ao desenvolvimento de úlceras no estômago. Estas podem perfurar a parede do estômago, pelo que o conteúdo deste se espalha pela cavidade abdominal e provoca uma peritonite (inflamação do revestimento abdominal) e uma dor muito intensa. Esta doença grave, caracterizada pela rigidez do abdómen, requer cirurgia imediata. Em alguns casos, depois da radioterapia, formam-se umas cicatrizes que estreitam a saída do estômago, provocando dor abdominal e vómitos. A radiação pode danificar o revestimento protector do estômago, de tal forma que as bactérias podem invadir a sua parede e provocar uma forma de gastrite grave e extremamente dolorosa de aparecimento brusco.

Diagnóstico

O médico suspeita duma gastrite quando o paciente tem dores na parte alta do abdómen, bem como náuseas ou ardor. Se os sintomas persistirem, muitas vezes não são necessárias análises e começa-se o tratamento em função da causa mais provável.

Se o médico tiver dúvidas, pode ser necessário um exame ao estômago com um endoscópio. (Ver secção 9, capítulo 100) Se for preciso, pode ser feita uma biopsia (obtenção duma amostra do revestimento do estômago para ser examinada).

Se a gastrite se mantiver ou reaparecer, o médico procura a causa, por exemplo uma infecção, e analisa os hábitos dietéticos, o consumo de medicamentos e a ingestão de álcool. A gastrite bacteriana pode ser diagnosticada com uma biopsia. Muitas pessoas com gastrite bacteriana têm anticorpos contra a bactéria causadora do problema; estes podem ser detectados com uma análise ao sangue.

Tratamento

Muitos especialistas tratam uma infecção por Helicobacter pylori se provocar sintomas. A infecção pode ser controlada ou eliminada com bismuto e antibióticos, como a amoxicilina e o metronidazol. Por vezes, pode ser difícil eliminar o Helicobacter pylori do estômago.

A maioria das pessoas com gastrite aguda por stress cura-se por completo quando se consegue controlar a doença subjacente, a lesão ou a hemorragia.

No entanto, 2 % das pessoas nas unidades de cuidados intensivos têm hemorragias abundantes por este tipo de gastrite, o que muitas vezes é mortal. Portanto, quando existe uma doença grave, uma lesão importante ou queimaduras extensas, os médicos procuram prevenir a gastrite aguda por stress. Para a prevenir e tratar, na maioria das unidades de cuidados intensivos, e depois duma intervenção cirúrgica, costumam ser administrados antiácidos (que neutralizam a acidez do estômago) e potentes fármacos antiulcerosos (que reduzem ou anulam a produção de ácido do estômago).

Nos doentes com fortes hemorragias devidas a uma gastrite por stress, foi utilizada uma ampla variedade de tratamentos. No entanto, só algumas pessoas têm um bom prognóstico: tais hemorragias podem ser mortais. De facto, as transfusões de sangue podem piorar a hemorragia. Os pontos de hemorragia podem ser temporariamente fechados mediante a aplicação de calor durante a endoscopia, mas a hemorragia reaparecerá se o problema subjacente não for resolvido. Se a hemorragia persistir, deve ser induzida a coagulação do vaso sanguíneo lesionado ou pode ser necessário extirpar todo o estômago, com o fim de salvar a vida da pessoa.

A gastrite crónica erosiva pode ser tratada com antiácidos. O enfermo deve evitar certos fármacos (por exemplo, a aspirina e outros anti-inflamatórios não esteróides) e comidas irritantes. Os comprimidos de aspirina com um revestimento protector provocam menos úlceras do que os que o não têm. O misoprostol provavelmente reduz o risco de úlceras provocadas pelos medicamentos anti-inflamatórios não esteróides.

Para uma pessoa com gastrite eosinófila, pode ser necessária a cirurgia ou a administração de corticosteróides para diminuir a obstrução da saída do estômago.

A gastrite atrófica não se cura. Normalmente, os que sofrem deste problema devem receber injecções de suplementos de vitamina B12.

A doença de Ménétrier pode ser curada retirando parte ou a totalidade do estômago, mas o tratamento farmacológico não é eficaz.

A gastrite de células plasmáticas pode ser tratada com medicamentos antiulcerosos que bloqueiam a secreção ácida do estômago.



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