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Hemorragia gastrointestinal


A hemorragia pode ocorrer em qualquer sítio ao longo do tubo digestivo (Ver imagem da secção 9, capítulo 99) (gastrointestinal), desde a boca até ao ânus. Manifesta-se como sangue nas fezes ou nos vómitos, ou pode não ser evidente (sangue oculto) e ser detectada apenas mediante testes diagnósticos. A hemorragia em qualquer ponto do tracto gastrointestinal pode ser de maior gravidade se existir, além disso, uma perturbação da coagulação.

Sintomas

Os sintomas possíveis incluem vómitos de sangue (hematemese), evacuação de fezes de coloração negro-alcatrão (melena) e perda evidente de sangue pelo recto (rectorragia). As fezes de cor negra são o resultado duma hemorragia na parte alta do tubo digestivo (por exemplo, no estômago ou no duodeno; a cor negra deve-se à exposição do sangue ao ácido gástrico e à sua digestão pelas bactérias durante várias horas antes de abandonar o corpo). Cerca de 60 ml de sangue podem tornar as fezes cor de alcatrão. Um episódio de hemorragia intensa e única pode produzir fezes negras durante uma semana, pelo que a evacuação contínua de fezes com estas características não é necessariamente indício duma hemorragia persistente.

As pessoas com hemorragias de longa evolução podem ter sintomas de anemia, como cansar-se com facilidade, palidez anormal, dor no peito e tonturas. Em pessoas que não tenham estes sintomas, pode ser detectada uma diminuição significativa da tensão arterial quando se baixam.

Os sintomas que indicam uma perda de sangue significativa são um pulso acelerado, uma tensão arterial baixa e uma diminuição da quantidade de urina. O doente pode ter as mãos e os pés frios e húmidos. A redução do fornecimento de sangue ao cérebro, provocada pela perda daquele, pode provocar confusão, desorientação, sonolência e, até, choque.

Os sintomas duma hemorragia significativa podem ser muito variáveis, em função de alguma outra doença de que a pessoa possa sofrer. Por exemplo, uma pessoa com problemas das artérias coronárias pode manifestar repentinamente angina (dor no peito) ou sintomas dum ataque cardíaco. Num indivíduo com uma hemorragia gastrointestinal abundante, podem piorar os sintomas de outras doenças (como a insuficiência cardíaca, a hipertensão arterial, a doença pulmonar e a insuficiência renal). Nos que sofrem do fígado, a hemorragia no intestino pode provocar uma acumulação de toxinas que, por sua vez, provocam sintomas como alterações da personalidade, da consciência e da capacidade mental (encefalopatia hepática). (Ver secção 10, capítulo 116)

Diagnóstico

Depois duma hemorragia importante, a medição do hematócrito (um tipo de análise de sangue) mostra geralmente uma baixa concentração de glóbulos vermelhos. O conhecimento dos sintomas responsáveis de um episódio de hemorragia pode ajudar o médico a determinar a causa do mesmo. A dor abdominal que é aliviada com a comida ou com antiácidos sugere uma úlcera péptica; no entanto, as hemorragias das úlceras muitas vezes não são acompanhadas de dor. Os fármacos que podem danificar o revestimento gástrico, como a aspirina, podem provocar hemorragias no estômago, com aparecimento de sangue nas fezes.

Uma pessoa com uma hemorragia gastrointestinal, que tenha perdido o apetite e que perca peso sem razões aparentes é examinada com o fim de detectar a presença dum cancro. Da mesma forma, se alguém tiver dificuldades em engolir, deve ser examinado em busca dum cancro do esófago ou dum estreitamento do mesmo. Os vómitos e os espasmos intensos antes duma hemorragia sugerem uma rotura no esófago, mas cerca de metade das pessoas com esta lesão não vomita antecipadamente. A prisão de ventre ou a diarreia juntamente com a hemorragia ou a presença de sangue oculto nas fezes podem ser consequência dum cancro ou dum pólipo na parte baixa do intestino, particularmente nos que têm mais de 45 anos. O sangue fresco em cima das fezes pode ser provocado por hemorróidas ou por um problema no recto, como um cancro.

O médico examina o doente em busca de indícios que o conduzam à origem da hemorragia. Por exemplo, durante uma exploração do recto procuram-se hemorróidas, fendas no recto (fissuras) e tumores. Posteriormente escolhem-se os testes conforme se suspeita que a hemorragia procede da parte alta do tubo digestivo (esófago, estômago e duodeno) ou da parte baixa (porção inferior do intestino delgado, intestino grosso, recto e ânus).

A suspeita de problemas na parte alta do tracto gastrointestinal investiga-se normalmente introduzindo primeiro uma sonda pelo nariz até ao estômago e extraindo líquido. O líquido gástrico, que se assemelha à borra de café, é causado pela digestão parcial do sangue, o que indica que a hemorragia é escassa ou que estancou. O sangue vermelho e brilhante indica uma hemorragia activa e intensa. Em seguida, o médico utiliza um endoscópio flexível (um tubo de visualização) (Ver secção 9, capítulo 100) para examinar o esófago, o estômago e o duodeno em busca da causa da hemorragia. Se não se encontrar uma gastrite ou uma úlcera no estômago ou no duodeno, pode-se fazer uma biopsia (obtenção duma amostra de tecido para ser examinada ao microscópio). Esta pode confirmar se a hemorragia é consequência duma infecção por Helicobacter pylori. Se assim for, instaura-se um tratamento com antibióticos e normalmente a infecção cura-se.

Na parte baixa do tracto gastrointestinal procuram-se pólipos e cancros mediante radiografias, depois da administração dum clister de bário (Ver secção 9, capítulo 100) ou então utilizando um endoscópio. O médico pode observar directamente a porção inferior do intestino com um anuscópio, um sigmoidoscópio flexível ou um colonoscópio.

Se estas investigações não esclarecerem a origem da hemorragia, pode-se fazer uma angiografia (radiografias depois da injecção duma substância radiopaca) ou uma gamagrafia depois da injecção de glóbulos vermelhos marcados com uma substância radioactiva. Estas técnicas são especialmente úteis para saber se a origem da hemorragia é consequência duma malformação dos vasos sanguíneos.

Tratamento

Em mais de 80 % das pessoas com hemorragia gastrointestinal, as próprias defesas do corpo detêm-na. As pessoas que continuam a sangrar ou que têm sintomas duma perda significativa de sangue muitas vezes são hospitalizadas e, normalmente, numa unidade de cuidados intensivos.

No caso de grande perda de sangue, pode ser necessária uma transfusão. Podem ser utilizados concentrados de eritrócitos em vez do sangue total, evitando sobrecarregar a circulação sanguínea com um excesso de líquidos. Uma vez recuperado o volume de sangue, o paciente é rigorosamente vigiado para o caso de surgirem sinais de novas hemorragias, como um aumento da frequência cardíaca, uma diminuição da tensão arterial ou uma perda de sangue pela boca ou pelo ânus.

A hemorragia a partir das veias varicosas da porção inferior do esófago (veias esofágicas) pode ser tratada de várias formas. Pode-se introduzir um cateter com um globo insuflável pela boca até ao esófago e insuflá-lo para exercer pressão sobre a área sangrante. Outro método consiste em injectar no vaso sangrante uma substância química irritante que provoque a inflamação e cicatrização das veias.

A hemorragia gástrica pode muitas vezes ser detida através de manobras feitas com um endoscópio. Tais manobras consistem na cauterização do vaso sangrante pela corrente eléctrica ou na injecção dum produto que provoca a coagulação no interior dos vasos sanguíneos. Se estes procedimentos falharem, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica.

A hemorragia procedente da parte baixa do intestino não costuma precisar de tratamento de urgência. No entanto, no caso de ser necessário, faz-se uma endoscopia ou uma cirurgia abdominal. Por vezes, neste último caso, o ponto da hemorragia não pode ser localizado com precisão e tem de se extirpar um segmento do intestino.



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