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Hipertensão portal


A hipertensão portal define-se como uma pressão arterial anormalmente alta na veia porta, uma veia de grande calibre que leva o sangue desde o intestino ao fígado.

A veia porta recebe o sangue que vem de todo o intestino, do baço, do pâncreas e da vesícula biliar. Depois de entrar no fígado, o sangue reparte-se por pequenos canais que o percorrem. Quando o sangue sai do fígado, desemboca na grande circulação através da veia hepática. (Ver imagem da secção 10, capítulo 119)

Existem dois factores que podem aumentar a pressão nos vasos sanguíneos do sistema portal: o volume de sangue que flui através deles e o aumento da resistência à passagem do sangue através do fígado. Nos países ocidentais, a causa mais frequente de hipertensão portal é o aumento da resistência da circulação sanguínea provocada pela cirrose.

A hipertensão portal conduz ao desenvolvimento de veias (denominadas vasos colaterais) que ligam o sistema portal à circulação geral, sem passar pelo fígado. Por causa deste desvio, as substâncias do sangue que normalmente o fígado filtra introduzem-se directamente na circulação sanguínea geral. Os vasos colaterais desenvolvem-se em pontos específicos, o mais importante dos quais é o extremo inferior do esófago. Ali os vasos congestionam-se e tornam-se tortuosos, quer dizer, transformam-se em veias varicosas (denominadas varizes esofágicas). Estes vasos congestionados são frágeis e com tendência a produzir hemorragias, por vezes graves. Outros vasos colaterais podem desenvolver-se à volta do umbigo e do recto.

Hipertensão portal

1. Direcção do fluxo normal que provém da veia esplénica (a) e das veias intestinais (b), confluindo para a veia porta (c).
2. Devido à cirrose do fígado, há uma resistência ao fluxo normal do sangue a nível da porta, e de maneira retrógrada, a nível da veia esplénica e das veias intestinais  

Sintomas e diagnóstico

A hipertensão portal provoca frequentemente um aumento do volume do baço. Uma certa quantidade de líquido pode sair do fígado e acumular-se na cavidade abdominal ocasionando assim a sua distensão, um processo denominado ascite. As veias varicosas situadas no extremo inferior do esófago e no estômago, sangram facilmente e por vezes de forma massiva. As veias varicosas do recto também podem sangrar, embora este caso seja menos frequente.

Em geral, o médico pode palpar um baço aumentado através da parede abdominal. O líquido retido no abdómen pode ser detectado devido ao aumento do volume do mesmo e também pelo som surdo que se percebe quando se lhe dá toques ligeiros (percussão). A ecografia e as radiografias proporcionam informação considerável sobre a hipertensão portal. A ecografia pode ser empregue para examinar a circulação sanguínea nos vasos do sistema porta e para detectar a presença de líquido no abdómen. A tomografia axial computadorizada (TAC) também pode ser utilizada para examinar a dilatação das veias. A pressão do sistema porta pode ser medida directamente inserindo uma agulha no fígado ou no baço através da parede abdominal.

Causas de ascite
Doenças do fígado Cirrose, especialmente a causada pelo alcoolismo.
Hepatite alcoólica sem cirrose.
Hepatite crónica.
Obstrução da veia hepática.
Perturbações não relacionadas com fígado Insuficiência cardíaca.
Insuficiência renal, especialmente a síndroma nefrótica.
Pericardite constritiva.
Carcinomatose da actividade abdominal.
Tuberculose que afecta o revestimento da cavidade abdominal.
Actividade reduzida da tiróide.
Inflamação do pâncreas.

Tratamento

Para minimizar o risco de hemorragia das varizes esofágicas, o médico pode tentar reduzir a pressão na veia porta. Uma forma de o fazer consiste em administrar propranolol, um medicamento utilizado para o tratamento da hipertensão.

A hemorragia por rotura das varizes esofágicas são consideradas uma emergência médica. Para contrair as veias hemorrágicas podem administrar-se alguns medicamentos por via intravenosa, tais como a vasopressina ou o octreótido, e fazer transfusões de sangue para contrariar a sua perda. Habitualmente realiza-se uma endoscopia para confirmar que a hemorragia é provocada pelas varizes. As veias podem então ser bloqueadas com ligaduras elásticas ou com injecções de substâncias químicas administradas através do mesmo endoscópio. Se a hemorragia continua, pode fazer-se passar pelo nariz um cateter com um balão na ponta e fazê-lo deslizar pelo esófago. Quando o balão enche, comprimem-se as veias varicosas e em geral, a hemorragia interrompe-se.

Se esta continua ou se repete, pode-se proceder a uma intervenção derivativa (bypass) para ligar o sistema venoso da veia porta com o sistema venoso geral (sistémico). Isto diminui a pressão na veia porta porque a pressão no sistema venoso geral é mais baixa. Existem vários tipos de intervenções derivativas, entre as quais se pode destacar a que se realiza com a orientação de raios X no departamento de radiologia, e empregando instrumentos especiais. As intervenções derivativas são em geral eficazes para deter as hemorragias, mas apresentam certo risco. Além disso, podem aumentar a probabilidade de disfunção cerebral causada pela insuficiência hepática (encefalopatia hepática).



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