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Doença hepática produzida pelo álcool


A doença hepática produzida pelo álcool define-se como a lesão do fígado causada pela ingestão excessiva de álcool.

Esta doença é um problema muito frequente para a saúde e pode ser prevenida. Em geral, a quantidade de álcool consumido (quanto e com que frequência) determina a probabilidade e a importância da lesão hepática. As mulheres são mais vulneráveis a desenvolver alterações no fígado que os homens. O fígado pode ser afectado em mulheres que durante anos consumam diariamente uma reduzida quantidade de bebidas alcoólicas, equivalente a cerca de 20 centímetros cúbicos (ml) de álcool puro (200 ml de vinho, 350 ml de cerveja ou 50 ml de whisky). Nos homens que bebem durante anos, a lesão produz-se com quantidades de bebidas alcoólicas consumidas diariamente tão reduzidas como 50 mililitros de álcool (500 ml de vinho, 1000 ml de cerveja, ou 150 ml de whisky). Contudo, o volume de álcool necessário para lesar o fígado varia de pessoa para pessoa.

O álcool pode provocar três tipos de lesões hepáticas: a acumulação de gordura (fígado gordo), a inflamação (hepatite alcoólica) e o aparecimento de cicatrizes (cirrose).

O álcool fornece calorias sem nutrientes essenciais, diminui o apetite e empobrece a absorção de nutrientes, devido aos efeitos tóxicos que exerce sobre o intestino e o pâncreas. Em resultado disso, desenvolve-se desnutrição nas pessoas que regularmente o consomem sem se alimentarem adequadamente.

Sintomas e diagnóstico

Em geral, os sintomas dependem da relação entre a duração do hábito e a quantidade de álcool que é consumida. Os grande bebedores desenvolvem os primeiros sintomas até aos 30 anos e os problemas graves costumam aparecer até aos 40. Nos homens, o álcool pode produzir efeitos semelhantes aos provocados por uma situação de excesso de estrogénios e pouca testosterona, resultando na diminuição de tamanho dos testículos e aumento do volume das mamas.

As pessoas com uma lesão hepática provocada pela acumulação de gordura (fígado gordo) habitualmente não apresentam sintomas. Num terço destes casos, o fígado aumenta de volume e, por vezes, é sensível.

A inflamação do fígado relacionada com o álcool (hepatite alcoólica) pode desencadear febre, icterícia, assim como um aumento na contagem de glóbulos brancos e um fígado doloroso e inflamado. A pele pode apresentar veias em forma de aranha.

Qualquer pessoa que tenha uma doença hepática com cicatrizes (cirrose) pode apresentar poucos sintomas ou então apresenta os característicos de uma hepatite alcoólica. Do mesmo modo, o paciente pode desenvolver as complicações habituais que a cirrose alcoólica manifesta, que são: a hipertensão portal com aumento do baço, uma ascite (acumulação de líquido na cavidade abdominal), uma insuficiência renal provocada pela insuficiência hepática (síndroma hepato-renal), uma confusão (um dos principais sintomas da encefalopatia hepática) ou um cancro de fígado (hepatoma). Em alguns casos, o médico ver-se-á obrigado a praticar uma biopsia para confirmar o diagnóstico. Para isso introduz-se uma agulha através da pele e extrai-se uma pequena porção de tecido hepático para a sua análise ao microscópio. (Ver secção 10, capítulo 115)

Nos indivíduos que sofrem de uma doença hepática produzida pelo álcool, os exames de função hepática podem ser normais ou anormais. Contudo, a concentração no sangue de um enzima hepático o gamaglutamil transpeptidase, (Ver tabela da secção 10, capítulo 115) pode ser particularmente alta nas pessoas que abusam do álcool. Além disso, os glóbulos vermelhos destas pessoas costumam ser maiores que o normal, o que constitui um sinal de aviso. O número das plaquetas no sangue pode ser baixo.

Prognóstico e tratamento

No caso de persistência do consumo de álcool, a lesão hepática agrava-se e será provavelmente mortal. Se o indivíduo deixa de beber, uma parte da lesão (excepto a que resulta das cicatrizes) pode ser curada espontaneamente e há grandes probabilidades de que a pessoa viva mais tempo.

O único tratamento para a doença hepática produzida pelo álcool consiste em abandonar totalmente o seu consumo. Isto pode ser muito difícil em muitos casos e a maioria das pessoas precisa de participar num programa formal para deixar de beber, como por exemplo o dos Alcoólicos Anónimos. (Ver secção 7, capítulo 92)




Aspecto microscópico das células hepáticas

 

Causas conhecidas de fígado gordo
Obesidade
Diabetes
Substâncias químicas e medicamentos (álcool, corticosteróides, tetraciclinas, ácido valpróico, metotrexato, tetracloreto de carbono e fósforo amarelo).
Desnutrição e dieta deficiente em proteínas.
Gravidez.
Hipervitaminose A.
Cirurgia derivativa do intestino delgado.
Fibrose quística (muito frequentemente acompanhada de desnutrição).
Defeitos hereditários do metabolismo do glicogénio, da galactose, da tirosina ou da homocistina.
Deficiência de arildehidrogenase de cadeia média.
Deficiência de colestrol esterase.
Doença por depósito de ácido fitânico (doença de Refsum).
Abetalipoproteinémia.
Síndroma de Reye.


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