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Hepatite viral aguda


A hepatite viral aguda é uma inflamação do fígado causada pela infecção com um dos cinco vírus da hepatite; na maioria dos pacientes, a inflamação começa repentinamente e dura poucas semanas.

Sintomas e diagnóstico

Os sintomas da hepatite viral aguda costumam aparecer repentinamente. Estas queixas incluem falta de apetite, sensação de mal-estar geral, náuseas, vómitos e, com frequência, febre. Nos casos de fumadores, a aversão ao tabaco é um sintoma típico. Algumas vezes, especialmente na infecção de hepatite B, a pessoa sente dores articulares e aparecem-lhe manchas com prurido (urticária vermelha sobre a pele, com prurido).

Ao fim de uns dias, a urina torna-se escura e pode apresentar-se um quadro de icterícia. Neste ponto, a maioria dos sintomas típicos desaparece e a pessoa sente-se melhor, mesmo quando a icterícia está a aumentar. Podem apresentar-se sintomas de colestase [uma interrupção ou redução do fluxo de bílis (Ver secção 10, capítulo 116)] tais como a perda de cor das fezes e comichão generalizada. A icterícia, em geral, atinge o seu ponto máximo numa ou duas semanas e desaparece ao cabo de duas a quatro semanas.

A hepatite viral aguda diagnostica-se baseando-se nos sintomas do paciente e nos resultados de análises de sangue que avaliam o funcionamento do fígado. Em quase metade dos doentes que sofrem desta afecção, o médico encontrará o fígado sensível à palpação e um tanto aumentado.

A hepatite viral aguda deve distinguir-se de outras doenças com uma sintomatologia parecida. Por exemplo, os sintomas iniciais são muito semelhantes aos de uma constipação. Por exemplo, os sintomas de tipo gripal que aparecem precocemente podem confundir-se com os de outras doenças virais, tais como o influenza e a mononucleose infecciosa. A febre e a icterícia são também sintomas de hepatite alcoólica, que se manifesta nas pessoas que consomem regularmente quantidades significativas de álcool. (Ver secção 10, capítulo 117) Pode estabelecer-se um diagnóstico específico da hepatite viral aguda se as análises de sangue revelarem a presença de proteínas virais ou anticorpos contra o vírus da hepatite.

Prognóstico

A hepatite viral aguda pode produzir desde uma perturbação menor parecida com a gripe até a uma insuficiência hepática mortal. Em geral, a hepatite B é mais grave que a hepatite A e pode chegar a ser mortal, especialmente entre as pessoas idosas. O curso que tomará o desenvolvimento da hepatite C é imprevisível; na sua forma aguda é geralmente leve, mas a função hepática pode melhorar e piorar repetidamente durante vários meses.

Um paciente que sofre hepatite viral aguda costuma recuperar em 4 a 8 semanas, inclusive sem tratamento. A hepatite A converte-se em crónica apenas em casos excepcionais. A hepatite B, em contrapartida, torna-se crónica em 5 a 10 % dos pacientes infectados e pode ser tanto ligeira como muito grave. A hepatite C tem aproximadamente 75 % de probabilidades de se tornar crónica. Embora geralmente leve e, amiúde, assintomática, a hepatite C é um problema grave dado que aproximadamente 20 % dos pacientes infectados acaba por desenvolver, por fim, cirrose.

Uma pessoa que sofra hepatite viral aguda pode converter-se num portador crónico do vírus. O portador não apresenta sintomas, mas ainda está infectado. Esta situação só se dá com os vírus da hepatite B e C, nunca com o vírus da hepatite A. Um portador crónico pode desenvolver cancro hepático.

Tratamento

Os indivíduos com uma hepatite aguda muito grave costumam exigir hospitalização, embora na maioria dos casos não requeiram tratamento. Depois dos primeiros dias, a pessoa recobra o apetite e já não precisa de continuar de cama. As restrições na dieta ou das actividades são desnecessárias e não se exigem suplementos vitamínicos. A maioria dos pacientes pode regressar ao trabalho depois de passada a icterícia, mesmo quando os resultados dos exames da função hepática não sejam completamente normais.

Prevenção

Uma adequada higiene ajuda a prevenir a difusão do vírus da hepatite A. Como as fezes das pessoas com hepatite A são infectantes, o pessoal sanitário deve redobrar as precauções ao manipulá-las. As mesmas precauções deverão ser tomadas na manipulação do sangue dos afectados com qualquer tipo de hepatite aguda. Contudo, as pessoas infectadas não necessitam de isolamento; seria de pouca utilidade para prevenir a transmissão da hepatite A e inútil para prevenir a da hepatite B e C.

O pessoal médico pode diminuir a possibilidade de infecção evitando as transfusões desnecessárias, utilizando sangue doado por voluntários em vez de doadores pagos e fazendo uma selecção entre todos os que não tiverem contraído a hepatite B e C. Graças a esta selecção, o número de casos de hepatite B e C transmitidos por transfusão diminuiu notoriamente, embora ainda não tenha sido eliminado.

A vacinação contra a hepatite B estimula as defesas imunitárias do organismos e protege a maior parte das pessoas. Contudo, a vacinação é menos eficaz para os pacientes em tratamento por diálise, nas pessoas com cirrose e naquelas com um sistema imunitário deficiente. A vacinação é especialmente importante para as pessoas com risco de contrair a hepatite B, embora esta não seja eficaz nos casos em que a doença já está desenvolvida. Por estas razões, é cada vez mais recomendável para todos a vacinação universal contra a hepatite B.

A vacinação contra a hepatite A administra-se a grupos com um risco alto de contrair a infecção, tais como pessoas que viajem para lugares do mundo em que a doença tenha uma ampla difusão. Não há vacinas disponíveis contra os vírus da hepatite C, D e E.

As pessoas que não tenham sido vacinadas e que estejam expostas à hepatite, podem receber uma preparação de anticorpos (globulina sérica imunitária) como protecção. Os anticorpos estão indicados para uma protecção activa contra a hepatite viral, mas o grau de protecção varia muito consoante as diferentes situações. Para as pessoas que estiveram expostas a sangue infectado pelo vírus da hepatite B, por exemplo por causa de uma picada acidental de uma agulha hipodérmica, a imunoglobulina para a hepatite B oferece uma melhor protecção que a globulina sérica imunitária comum. Às crianças nascidas de mães com hepatite B é administrada imunoglobulina para a hepatite B e, além disso, são vacinadas. Esta combinação evita a hepatite B crónica em 70 % dos casos.



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