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Diálise peritoneal


Na diálise peritoneal, o peritoneu, uma membrana que reveste o abdómen e recobre os órgãos abdominais, actua como um filtro permeável. Esta membrana possui uma extensa superfície e uma rica rede de vasos sanguíneos. As substâncias provenientes do sangue podem filtrar-se facilmente através do peritoneu para o interior da cavidade abdominal se as condições forem favoráveis. O líquido é introduzido através de um cateter que penetra através da parede abdominal até ao espaço peritoneal, no interior do abdómen. Esse líquido deve permanecer no abdómen durante um tempo suficiente para permitir que os materiais residuais provenientes da circulação sanguínea passem lentamente para ele. Depois tira-se o líquido, despeja-se e substitui-se por outro novo.

Em geral usa-se um cateter mole de borracha de silicone ou de poliuretano poroso porque permite que o líquido flua uniformemente e é improvável que cause lesões. Se o cateter for instalado por um curto período de tempo, pode-se colocar enquanto o paciente está na cama. Se for permanente, deve-se colocar na sala de operações. Existe um tipo de cateter que finalmente se fecha com a pele e que se pode deixar tapado quando não se usa.

Para a diálise peritoneal utilizam-se várias técnicas. Na mais simples, a diálise peritoneal manual intermitente, as bolsas que contêm o líquido aquecem-se à temperatura do corpo; o líquido é introduzido dentro da cavidade peritoneal pelo espaço de 10 minutos, deixa-se permanecer ali entre 60 e 90 minutos e depois extrai-se durante 10 a 20 minutos. O tratamento completo pode necessitar de 12 horas. Esta técnica usa-se sobretudo para tratar a insuficiência renal aguda.

A diálise peritoneal intermitente automatizada pode realizar-se em casa, eliminando a necessidade de uma assistência de enfermaria permanente. Um dispositivo com relógio automático bombeia o líquido para dentro e para fora da cavidade peritoneal. Em geral, coloca-se o ciclador na altura de deitar para que a diálise se realize durante o sono. Estas terapias precisam de ser realizadas 6 ou 7 noites por semana.

Na diálise peritoneal contínua ao domícilio, o líquido é deixado no abdómen durante intervalos muito prolongados. Normalmente, extrai-se e repõe-se o líquido quatro ou cinco vezes por dia, recolhe-se em bolsas de cloreto de polivinil que podem ser dobradas quando estão vazias, colocam-se dentro de um invólucro e podem ser utilizadas para uma drenagem subsequente sem serem desligadas do cateter. Geralmente efectuam-se três destes intercâmbios de líquido durante o dia, com intervalos de 4 horas ou mais. Cada troca precisa de 30 a 45 minutos. Um tempo de intercâmbio mais prolongado (de 8 a 12 horas) leva-se a cabo durante a noite, durante o sono.

Outra técnica, a diálise peritoneal contínua assistida com um ciclador, utiliza um ciclador automático para realizar trocas breves à noite durante o sono, enquanto as trocas mais extensas são levadas a cabo durante o dia, sem o ciclador. Esta técnica minimiza o número de trocas durante o dia, mas impede a mobilidade à noite porque o equipamento é volumoso.

Complicações

Embora muitas pessoas se submetam à diálise peritoneal durante anos sem problemas, por vezes podem apresentar-se complicações. Pode-se produzir uma hemorragia no ponto onde o cateter sai do corpo ou no interior do abdómen, ou pode perfurar-se um órgão interno durante a colocação do mesmo. O líquido pode extravasar e sair em volta do cateter ou ir para o interior da parede abdominal. A passagem do líquido pode ser obstruída pela presença de coágulos ou de outros resíduos.
Contudo, o problema mais grave da diálise peritoneal é a possibilidade de infecção. Esta pode localizar-se no peritoneu, na pele onde se situa o cateter ou na zona que o circunda, causando um abcesso. A infecção em geral surge por um erro na técnica de esterilização em qualquer passo do procedimento da diálise. Habitualmente, os antibióticos podem eliminá-la; caso contrário, é provável que se deva extrair o cateter até que se cure a infecção.

Outros problemas podem associar-se à diálise. É frequente que haja uma baixa concentração de albumina no sangue (hipoalbuminemia). As complicações raras compreendem o aparecimento de cicatrizes no peritoneu (esclerose peritoneal), tendo como resultado uma obstrução parcial do intestino delgado, concentrações abaixo do normal da hormona tiróidea (hipotiroidismo) e ataques epilépticos. Também é raro aparecer um elevado valor de açúcar (glicose) no sangue (hiperglicemia), excepto nos pacientes que sofrem de diabetes. Em aproximadamente 10 % dos doentes ocorrem hérnias abdominais ou inguinais.

Os doentes submetidos a diálise peritoneal podem ser propensos à obstipação, o que interfere com a saída do líquido pelo cateter. Por conseguinte, é possível que precisem de tomar laxativos ou substâncias que amoleçam a consistência das fezes.
Em geral, a diálise peritoneal não é feita naquelas pessoas que têm infecções da parede abdominal, conexões anormais entre o peito e o abdómen, um enxerto de um vaso sanguíneo recentemente colocado no interior do abdómen ou uma ferida abdominal recente

Comparação entre a hemodiálise e a diálise peritoneal
Quando os rins falham, podem extrair-se os produtos residuais e o excesso de água do sangue por hemodiálise ou diálise peritoneal. Na hemodiálise, o sangue é extraído do corpo e faz-se circular através de um aparelho denominado dialisador que filtra o sangue. Na diálise peritoneal, o peritoneu, uma membrana no abdómen, é usado como filtro. Na hemodiálise, cria-se cirurgicamente uma ligação entre uma artéria e uma veia (uma fístula arteriovenosa), para facilitar a extracção e o retorno do sangue. O sangue fluí através de um tubo ligado à fístula dentro do dialisador. No interior do dialisador, uma membrana artificial separa o sangue de um líquido (o dialisado) que é semelhante aos fluídos normais do corpo. O líquido, os produtos residuais e as substâncias tóxicas do sangue filtram-se através da membrana dentro do dialisado. O sangue purificado é devolvido ao corpo do paciente. Na diálise peritoneal, introduz-se um catéter através de uma pequena incisão na parede abdominal dentro do espaço peritoneal. O dialisado drena pelo efeito da gravidade ou é bombeado através do cateter e deixado no espaço um tempo suficientemente longo para permitir que os produtos residuais provenientes da circulação do sangue sejam filtrados através do peritoneu dentro do dialisado. Depois o dialisado é drenado, retirado e substituído.




Possíveis complicações da hemodiálise
Complicação
Causa
Febre Bactérias ou substâncias que causam febre (pirogénios) na corrente sanguínea.
Dialisado aquecido.
Reacções alérgicas potencialmente mortais (anafilaxia) Alergia a uma substância do aparelho.
Hipotensão arterial Extracção de demasiado fluído.
Ritmos cardíacos anormais Valores anómalos do potássio e de outras substâncias no sangue.
Êmbolos de ar Ar que penetra no sangue pelo aparelho.
Hemorragia no intestino, cérebro, olhos ou abdómen Utiliza-se a heparina para impedir a coagulação no aparelho.


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