Merck Sharp & Dohme - Portugal
MSD Portugal Publicacoes MSD
Pesquisa
IntroduçãoAjuda


Imprimir Enviar Artigo

Perturbações da hipófise


A hipófise, ou glândula pituitária, tem forma de pêra e está situada numa estrutura óssea denominada sela-turca, localizada debaixo do cérebro. A sela-turca protege-a, mas, em contrapartida, deixa muito pouco espaço para a sua expansão. Se a hipófise aumenta de tamanho, tende a comprimir as estruturas que se encontram na sua parte superior, muitas vezes pressionando as zonas do cérebro que levam os sinais vindos dos olhos, provocando, possivelmente, dores de cabeça ou problemas visuais.

A hipófise controla, em grande parte, o funcionamento das outras glândulas endócrinas e é, por sua vez, controlada pelo hipotálamo, uma região do cérebro que se encontra por cima da hipófise. A hipófise consta de dois lobos, o anterior (adeno-hipófise) e o posterior (neuro-hipófise). O hipotálamo exerce o controlo das actividades do lobo anterior mediante a emissão de substâncias semelhantes às hormonas que são lançadas nos vasos sanguíneos que ligam directamente as duas zonas. Porsua vez, controla o lobo posterior mediante impulsos nervosos.

Hipófise: a glândula principal

A hipófise, uma glândula do tamanho de uma ervilha que está situada por baixo do cérebro, produz uma grande quantidade de hormonas, cada uma das quais afecta uma parte específica do corpo (o órgão ao qual se dirige a hormona). Como a hipófise controla o funcionamento da maioria das outras glândulas endócrinas, com frequência recebe o nome de glândula principal.

Hormona Órgão alvo
Hormona antidiurética Rim
Hormona estimulante dos melanócitos beta Pele
Corticotropina Glândula supra-renal
Endorfinas Cérebro
Encefalinas Cérebro
Hormona foliculoestimulante Ovários e testículos
Hormona do crescimento
Músculos e ossos
Hormona luteinizante Ovários ou testículos
Oxitocina Útero e glândulas mamárias
Prolactina Glândulas mamárias
Hormona estimulante da tiróide Glândula tiróide

O lobo anterior produz (segrega) hormonas que, em última instância, regulam o funcionamento da glândula tiróide, das glândulas supra-renais, dos órgãos reprodutores (ovários e testículos), a produção do leite (lactação) nas mamas e o crescimento corporal. Também produz as hormonas que causam a pigmentação escura da pele e que inibem a sensação de dor. O lobo posterior segrega as hormonas que regulam o equilíbrio da água, estimulam a descida do leite para as mamas de mulheres com crianças lactentes e estimulam as contracções do útero.

Mediante a detecção dos valores hormonais produzidos pelas glândulas que estão sob o controlo da pituitária (glândulas-alvo), o hipotálamo ou a hipófise determinam quanta estimulação ou diminuição da secreção pode precisar a hipófise para reajustar a actividade das glândulas que controla. (Ver secção 13, capítulo 143) As hormonas produzidas pela hipófise (e pelo hipotálamo) não se segregam, todas elas, de uma forma contínua. A maioria será libertada de súbito em períodos de uma a três horas, alternando períodos de actividade e de inactividade. Algumas destas hormonas, como a adrenocorticotropina (que controla as glândulas supra-renais), a hormona do crescimento (que controla o crescimento) e a prolactina (que controla a produção de leite), seguem um ritmo circadiano. Quer dizer, as suas concentrações sobem e descem de maneira previsível durante o dia, atingindo o seu nível mais alto justamente antes do momento de despertar e chegando aos valores mais baixos antes do adormecer. As concentrações de outras hormonas variam segundo outros factores.

Por exemplo, nas mulheres, a quantidade de hormona luteinizante e a de hormona foliculoestimulante, as quais controlam as funções reprodutoras, variam durante o ciclo menstrual. (Ver secção 22, capítulo 232) De qualquer modo, a secreção excessiva ou insuficiente de uma ou mais hormonas hipofisárias provoca uma ampla variedade de sintomas.

Funcionamento da hipófise anterior

O lobo anterior da hipófise corresponde a 80 % do peso total da glândula; liberta hormonas que regulam um crescimento e desenvolvimento físico normais ou estimulam a actividade das glândulas supra-renais, da glândula tiróide e dos ovários ou dos testículos. Quando o lobo anterior segrega hormonas em quantidades excessivas ou insuficientes, as outras glândulas endócrinas também aumentam ou diminuem a sua produção de hormonas.

Hipófise

Secreção hormonal da glândula e a sua relação com outros orgãos.


Uma das hormonas segregadas pelo lobo anterior é a adrenocorticotropina (a hormona adrenocorticotrópica ou ACTH), cuja função é estimular as glândulas supra-renais a segregar cortisol, uma hormona fisiológica semelhante à cortisona, e vários esteróides androgénicos, semelhantes à testosterona. Sem a adrenocorticotropina, as glândulas supra-renais diminuem de tamanho (atrofiam-se) e deixam de segregar cortisol, quer dizer, aparece uma insuficiência da função das glândulas supra-renais. (Ver secção 13, capítulo 146) Além da adrenocorticotropina, também se produzem simultaneamente outras hormonas, como a hormona estimulante dos melanócitos beta, que regula a pigmentação da pele, as encefalinas e as endorfinas, quecontrolam a percepção da dor, o estado de ânimo e a atenção.

A hormona estimulante da tiróide, também produzida pelo lobo anterior, estimula a produção das hormonas tiróideas. (Ver secção 13, capítulo 145) Muito raramente, um excesso desta hormona provoca uma secreção hormonal excessiva por parte da tiróide e, por conseguinte, hipertiroidismo; a estimulação deficiente, em contrapartida, faz com que a glândula tiróide não produza a quantidade suficiente, tendo como resultado hipotiroidismo.

As outras duas hormonas que o lobo anterior produz, a hormona luteinizante e a foliculoestimulante (ambas gonadotropinas), actuam sobre os ovários e os testículos (gónadas). Nas mulheres, estimulam a produção de estrogénios e de progesterona e a libertação mensal de um óvulo a partir dos ovários (ovulação). Nos homens, a hormona luteinizante estimula a produção da testosterona nos testículos, e a hormona foliculoestimulante, pelo seu lado, estimula-os para que produzam esperma.

Uma das hormonas mais importantes segregadas pelo lobo anterior é a hormona do crescimento, que favorece o crescimento dos músculos e dos ossos e contribui para regular o metabolismo. Esta hormona pode aumentar bruscamente a entrada de açúcar nos músculos e no tecido gordo, estimular a produção de proteínas pelo fígado e pelos músculos e atrasar a produção de tecido adiposo (gordura). Os efeitos mais prolongados da hormona do crescimento, bloqueando a captação e o uso de açúcares (o que aumenta a sua concentração no sangue) e incrementando a produção de gorduras (e, portanto, aumentando a concentração de lípidos no sangue), parecem contrariar os seus efeitos imediatos. Estas duas acções da hormona do crescimento são importantes porque o corpo deve adaptar-se à falta de alimentos durante o período de jejum. Juntamente com o cortisol, a hormona do crescimento contribui para a manutenção das concentrações de açúcar no sangue destinado ao cérebro e mobiliza as gorduras de forma que estejam disponíveis para outras células do organismo, configurando assim uma fonte alternativa de energia. Em muitos casos, actua por meio da activação de um determinado número de factores de crescimento, dos quais o mais importante é o factor I, semelhante à insulina (IGF-I).

Funcionamento da hipófise posterior

O lobo posterior da hipófise só segrega duas hormonas: a hormona antidiurética e a oxitocina. Na realidade, são produzidas por células nervosas do hipotálamo, que apresentam projecções (axónios) que se estendem até à hipófise posterior, onde são libertadas as hormonas. Ao contrário da maior parte das hormonas hipofisárias, a hormona antidiurética e a oxitocina não estimulam outras glândulas endócrinas. As suas variações de concentração afectam directamente os órgãos que regulam.

A hormona antidiurética, ou vasopressina, promove a acumulação de líquidos por parte dos rins e contribui para reter a quantidade adequada de água. (Ver tabela da secção 12, capítulo 136) Quando um doente está desidratado, existem receptores especiais no coração, pulmões, cérebro e aorta que indicam à hipófise a necessidade de produzir mais quantidade de hormona antidiurética. As concentrações no sangue dos electrólitos, tais como o sódio, o cloro e o potássio, devem ser mantidas dentro da uma margem estreita para que as células possam funcionar normalmente. As concentrações elevadas destes elementos, os quais são percebidos pelo cérebro, estimulam a libertação desta hormona. A dor, o nervosismo, o exercício físico, as baixas concentrações de açúcar no sangue, a angiotensina, as prostaglandinas e certos medicamentos, como a clorpropamida, os medicamentos colinérgicos e outros que se empregam para tratar a asma e o enfisema, também estimulam a libertação da hormona antidiurética.

O álcool, certos esteróides e algumas substâncias mais diminuem a produção da hormona antidiurética. A carência desta hormona causa a diabetes insípida, uma perturbação em que os rins excretam demasiada água. (Ver secção 13, capítulo 144) Por outro lado, em certas ocasiões produz-se uma quantidade excessiva da hormona antidiurética. É o que se chama síndroma da secreção inadequada da hormona antidiurética, em que a concentração desta hormona é demasiado alta, e por conseguinte retém-se água e desce a concentração no sangue de alguns electrólitos, como o sódio. Esta síndroma manifesta-se em pessoas com insuficiência cardíaca e, em casos excepcionais, nas que sofrem de determinadas doenças do hipotálamo. A hormona antidiurética pode produzir-se fora da hipófise, sobretudo em algumas formas de cancro pulmonar. Por isso, quando se descobrem concentrações elevadas de hormona antidiurética, não apenas se estuda o funcionamento da hipófise, como também se investiga a possibilidade de existência de cancro.

A oxitocina contrai o útero durante o parto e imediatamente depois do mesmo para prevenir a hemorragia excessiva. Também estimula a contracção de certas células das mamas que rodeiam as glândulas mamárias. O processo inicia-se com a sucção do mamilo, que estimula a hipófise para que liberte oxitocina. As células das mamas contraem-se e conduzem o leite desde o seu lugar de produção até ao mamilo.



Política de Privacidade Termos de Utilizaçao Direitos Reservados © 2006 MERCK SHARP & DOHME PORTUGAL Merck & CO., (USA)