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Hipofunção das glândulas supra-renais


A doença de Addison (insuficiência córtico-supra-renal) dá-se quando as glândulas supra-renais segregam quantidades insuficientes de corticosteróides.

A doença de Addison afecta aproximadamente 4 em cada 100 000 pessoas. A doença aparece em qualquer idade e afecta por igual homens e mulheres. Em 30 % dos casos, as glândulas supra-renais são destruídas por um cancro, pela amiloidose, por infecções como a tuberculose ou por outras doenças. Nos 70 % restantes, a causa não é conhecida de ciência certa, mas suspeita-se que as glândulas são destruídas por uma reacção auto-imune. (Ver secção 16, capítulo 167)

A hipofunção das glândulas supra-renais também se verifica nas pessoas que tomam corticosteróides, como a prednisona. A dose de corticosteróides, deverá ser diminuída lentamente antes de se interromper por completo a sua administração. Quando os corticosteróides se interrompem bruscamente depois de serem tomados durante um mês ou mais, as glândulas supra-renais são incapazes de produzir os seus próprios corticosteróides em quantidades suficientes durante várias semanas ou até meses, dependendo da dose de corticosteróides administrada e da duração do tratamento. Outros medicamentos, como o quetoconazol, administrado para tratar as infecções produzidas por fungos, também podem obstruir a produção natural de corticosteróides e provocar uma insuficiência córtico-supra-renal.

O défice de corticosteróides é causa de muitas perturbações. Por exemplo, quando faltam, o organismo excreta grandes quantidades de sódio, retém o potássio e, por conseguinte, os valores de sódio no sangue são baixos e os de potássio elevados. Os rins não são capazes de concentrar a urina, de maneira que, quando um paciente com uma deficiência de corticosteróides bebe demasiada água ou perde demasiado sódio, diminui a concentração de sódio no sangue. Por fim, a incapacidade de concentrar a urina provoca uma micção excessiva e desidratação. Uma desidratação grave e uma baixa concentração de sódio no sangue reduzem o volume circulatório e podem terminar em choque.

Além disso, esta perturbação também contribui para gerar uma extrema sensibilidade à insulina, uma hormona presente no sangue e, devido a isso, as concentrações de açúcar em sangue podem descer perigosamente. A partir de tal deficiência o corpo não pode transformar as proteínas em hidratos de carbono, combater as infecções nem fazer com que as feridas cicatrizem correctamente. Os músculos enfraquecem, inclusive o coração também se debilita, sendo incapaz de bombear o sangue de forma adequada.

Para compensar o défice de corticosteróides, a hipófise produz mais adrenocorticotropina (a hormona que normalmente estimula as glândulas supra-renais). Dado que também a adrenocorticotropina afecta a produção de melanina, os pacientes que sofrem da doença de Addison com frequência apresentam uma pigmentação escura da pele e do revestimento interno da boca, em geral em forma de manchas. Os de pele escura podem mesmo mostrar pigmentação excessiva, embora a alteração seja difícil de reconhecer. A hiperpigmentação não se produz quando a insuficiência supra-renal é consequência de uma hipofunção hipofisária ou do hipotálamo, afecções em que o problema básico é uma deficiência de adrenocorticotropina.

Sintomas

Pouco depois de contrair a doença de Addison, o indivíduo afectado sente-se fraco, cansado e enjoado quando se põe de pé depois de ter estado sentado ou deitado. A pele escurece, adquirindo um tom semelhante ao bronzeado, que aparece tanto nas zonas expostas ao sol como nas não expostas. Também se observam manchas negras na testa, no rosto e nos ombros e uma coloração azul-escura em volta dos mamilos, lábios, boca, recto, escroto ou vagina. Na maior parte dos casos também há perda de peso, desidratação, perda do apetite, dores musculares, náuseas, vómitos, diarreia e intolerância ao frio. A menos que a doença seja grave, os sintomas só se manifestam durante os períodos de stress.

Se a doença não for tratada, podem aparecer dores abdominais intensas, enfraquecimento profundo, pressão arterial muito baixa, insuficiência renal e choque, sobretudo quando o organismo está sujeito ao stress devido a feridas, cirurgia ou infecções graves. A morte pode sobrevir rapidamente.

Diagnóstico

Como os sintomas se iniciam lentamente e são subtis, e dado que nenhuma análise de laboratório é definitiva, é frequente que a doença de Addison passe despercebida. Por vezes, um estado de stress intenso, devido a acontecimentos como um acidente, uma operação ou uma doença grave, torna os sintomas mais evidentes e desencadeia uma crise.

As análises de sangue podem mostrar uma carência de corticosteróides, especialmente de cortisol, assim como um valor baixo de sódio e um alto de potássio. As medições da função renal, como a determinação da ureia e da creatinina no sangue, geralmente indicam que os rins não estão a trabalhar correctamente. Os valores de corticosteróides, controlados depois de uma injecção de adrenocorticotropina (uma prova de estimulação), são úteis para distinguir a insuficiência supra-renal da insuficiência hipofisária. Como última opção, uma injecção de hormona que liberta adrenocorticotropina revela se a causa do problema é a insuficiência do hipotálamo.

Aspecto das glândulas supra-renais

Tratamento

Independentemente da causa, a doença de Addison pode ser mortal e deve ser tratada, em primeiro lugar, com prednisona oral. Contudo, em casos muito graves administra-se desde o princípio cortisol por via endovenosa e a seguir comprimidos de prednisona. A maior parte dos doentes que sofre da doença de Addison também precisa de tomar 1 ou 2 comprimidos diários de fludrocortisona, a fim de normalizar a excreção de sódio e potássio. A administração da fludrocortisona pode por fim reduzir-se ou ser suspensa em alguns doentes. Contudo, terão de tomar prednisona diariamente durante o resto da vida. Podem ser precisas doses maiores quando o corpo está submetido a stress em consequência de uma doença. Embora o tratamento deva continuar ao longo da vida, as perspectivas de uma duração média de vida normal são excelentes.



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