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Tuberculose


A tuberculose é uma infecção contagiosa, potencialmente mortal, causada por uma bactéria que se encontra no ar chamada Mycobacterium tuberculosis,M. bovis ou M. africanum.

O termo «tuberculose» faz referência à doença mais frequentemente causada pelo Mycobacterium tuberculosis, mas que, por vezes, também pode ser devida à acção do M. bovis ou do M. africanum. Apesar de outras micobactérias provocarem afecções semelhantes à tuberculose, essas infecções não são contagiosas e a maioria delas não responde aos medicamentos que, em contrapartida, se revelam muito eficazes contra a tuberculose.

Os seres humanos padecem de tuberculose desde a Antiguidade. Ela converteu-se num imenso flagelo na Europa durante a Revolução Industrial, quando as cidades se povoaram de forma exagerada e representou então mais de 30 % dos óbitos. Com o desenvolvimento do antibiótico estreptomicina nos anos 40, da isoniazida nos anos 50, do etambutol nos anos 60 e da rifampicina nos anos 70, a batalha contra a tuberculose parecia ganha. Contudo, em meados da década de 80, o número de casos em alguns países começou novamente a aumentar. A SIDA, juntamente com o excesso populacional e as más condições sanitárias de muitas zonas urbanas, os albergues para pessoas sem casa e as prisões, fizeram com que voltasse a ser um problema grave de saúde pública. Além disso, é particularmente preocupante que algumas variedades de bactérias responsáveis se tenham tornado resistentes aos antibióticos utilizados para tratar a doença. De qualquer modo, em alguns dos países referidos a incidência da tuberculose está de novo a começar a diminuir.

Esta doença é mais frequente entre as pessoas de idade avançada. Existem três razões básicas para que se verifiquem mais casos entre os indivíduos de provecta idade: 1) muitos foram infectados quando a tuberculose era mais frequente; 2) com a passagem dos anos, a eficiência do sistema imunitário do organismo reduz-se, o que possibilita que as bactérias inactivas sejam reactivadas, e 3) os idosos que se encontram em centros de cuidados crónicos têm maior probabilidade de estar mais em contacto com adultos da mesma idade, correndo o risco de contrair a doença.

A doença é em parte devida a condições de maior pobreza e de salubridade deficiente e, em parte, à forma como evoluiu a tuberculose. Durante milhares de anos, a tuberculose cobrou um preço muito elevado na Europa, que era povoada principalmente por brancos; os mais resistentes à doença conseguiram sobreviver e reproduzir-se. Como consequência, essas pessoas transmitiram os genes da resistência à tuberculose às gerações seguintes. Pelo contrário, deve assinalar-se que entre os grupos étnicos que contraíram a doença numa época relativamente recente (como se tem observado, por exemplo, na população de etnia negra americana que foi contagiada pela primeira vez à sua chegada ao novo continente) a incidência da tuberculose é maior, dado que tiveram muito menos tempo para desenvolver genes resistentes e transmiti-los à sua descendência.

Como se desenvolve a infecção

Actualmente nos países desenvolvidos, a tuberculose só se transmite inalando ar contaminado com Mycobacterium tuberculosis num ambiente fechado. Para que o ar se contamine, uma pessoa com tuberculose activa terá de expelir as bactérias com a tosse e estas poderão permanecer no ar durante várias horas.

No entanto, um feto pode adquirir tuberculose através da mãe, antes ou durante o nascimento, por respirar ou engolir líquido amniótico infectado, e um lactente pode contrair a doença, depois de nascer, ao respirar ar que contenha gotículas infectadas. (Ver secção 23, capítulo 253) Nos países em vias de desenvolvimento, as crianças podem infectar-se com outra micobactéria que cause tuberculose. Este organismo, chamado Mycobacterium bovis, pode ser transmitido através do leite não pasteurizado.

O sistema imunitário de uma pessoa afectada com tuberculose destrói habitualmente as bactérias ou então encerra-as no local da infecção. De facto, cerca de 90 % a 95 % de todas as infecções por tuberculose saram sem que a pessoa sequer o note.

Todavia, por vezes as bactérias não são destruídas, antes permanecendo inactivas dentro de determinados glóbulos brancos (chamados macrófagos) durante muitos anos. Aproximadamente 80 % das infecções tuberculosas são causadas pela activação de bactérias inactivas. As bactérias que vivem nas cicatrizes que a infecção inicial deixa (localizadas geralmente na parte superior de um ou de ambos os pulmões) podem começar a multiplicar-se. A activação de bactérias inactivas pode ter lugar quando o sistema imunitário do indivíduo não funciona bem (por exemplo, em virtude da SIDA, do uso de corticosteróides ou da idade avançada), caso em que a afecção pode pôr a sua vida em perigo.

Geralmente uma pessoa infectada com tuberculose tem uns 5 % de probabilidades de vir a desenvolver uma infecção activa num período de um a dois anos. A eclosão da tuberculose varia em grande medida de pessoa para pessoa, dependendo de diversos factores, como a origem étnica.

Contudo, o índice de progressão depende, em particular, da força do sistema imunológico do indivíduo. Por exemplo, a progressão de uma infecção activa é muito mais provável e rápida nos doentes com SIDA. Um doente com SIDA que aparece infectado com tuberculose tem 50 % de probabilidades de desenvolver uma doença activa antes de dois meses. Se as bactérias que causam a infecção tuberculosa se tornam resistentes aos antibióticos, uma pessoa com SIDA e tuberculose tem 50 % de probabilidades de morrer num lapso de tempo de dois meses.

A tuberculose activa começa habitualmente nos pulmões (tuberculose pulmonar). A tuberculose que afecta outras partes do organismo (tuberculose extrapulmonar) costuma provir de uma infecção tuberculosa pulmonar que se disseminou através do sangue. Como no caso dos pulmões, a infecção pode não causar doença, dado que as bactérias podem permanecer inactivas acantonadas numa pequena cicatriz.

Sintomas e complicações

De início, uma pessoa infectada pode simplesmente não se sentir bem ou ter uma tosse que é atribuída ao tabaco ou a um episódio recente de gripe. A tosse pode produzir uma pequena quantidade de expectoração verde ou amarela pela manhã. A quantidade de expectoração aumenta habitualmente à medida que a doença progride. Finalmente, a expectoração pode surgir raiada de sangue, embora não seja frequente encontrá-lo em grandes quantidades.

Um dos sintomas mais frequentes é o facto de se acordar durante a noite empapado num suor frio que obriga a pessoa a mudar de roupa ou mesmo a trocar de lençóis. Este suor é devido à descida da ligeira febre de que o doente se não apercebe.

A dificuldade em respirar pode indicar a presença de ar (pneumotórax) ou líquido (derrame pleural) no espaço da pleura. (Ver secção 4, capítulo 44) Cerca de um terço das infecções que se declaram fazem-no sob a forma de derrame pleural. Aproximadamente 95 % dos derrames pleurais que afectam os adultos jovens são causados por uma infecção recente por Mycobacterium tuberculosis. Em geral torna-se difícil estabelecer o diagnóstico, mas os médicos experientes sabem que a referida situação deve ser tratada como tuberculose porque, caso contrário, cerca de metade das infecções acabariam por se converter numa verdadeira tuberculose do pulmão ou de outro órgão.

Numa primoinfecção tuberculosa as bactérias transferem-se da lesão do pulmão para os gânglios linfáticos que drenam esse órgão. Se as defesas naturais do organismo puderem controlar a infecção, esta não prossegue o seu avanço e as bactérias são inactivadas. Contudo, nas crianças, os gânglios linfáticos podem aumentar de volume e comprimir os brônquios, causando uma tosse metálica e até, possivelmente, um colapso pulmonar. Ocasionalmente as bactérias disseminam-se pelos canais linfáticos até formar um grupo compacto (massa) de gânglios no pescoço. Estes gânglios linfáticos podem rebentar, romper a pele e deixar sair o pus através dessa abertura.

A tuberculose pode afectar outros órgãos do corpo além dos pulmões, numa doença denominada tuberculose extrapulmonar. Os rins e os ossos são provavelmente os locais onde mais frequentemente se desenvolve a tuberculose extrapulmonar. A tuberculose dos rins pode determinar poucos sintomas, mas a infecção é capaz de destruir parte desses órgãos. A partir daí, a tuberculose pode propagar-se para a bexiga, mas, diferentemente de outras infecções vesicais, pode não provocar muitos sintomas.

Nos homens, a infecção também se pode propagar à próstata, às vesículas seminais e ao epidídimo, formando uma tumefacção no escroto. Nas mulheres, a tuberculose pode cicatrizar os ovários e as trompas de Falópio, provocando esterilidade. A partir dos ovários, a infecção pode propagar-se ao peritoneu (a membrana que reveste a cavidade abdominal). Os sintomas desta doença, chamada peritonite tuberculosa, podem variar desde a fadiga e queixas de estômago ligeiras com alguma dor à palpação até uma dor intensa parecida com a da apendicite.

A infecção pode propagar-se até uma articulação, causando artrite tuberculosa. A articulação fica inflamada e dói. As mais frequentemente afectadas são as que suportam mais peso (as ancas e os joelhos), mas os ossos do pulso, da mão e do cotovelo também podem ser lesados.

A tuberculose pode infectar a pele, os intestinos e as glândulas supra-renais. Registaram-se mesmo casos em que a infecção se localizou na parede da aorta (a principal artéria do corpo), causando a sua ruptura. Quando a tuberculose se propaga ao pericárdio (o saco membranoso que rodeia o coração), este dilata-se em virtude da presença de líquido, uma doença conhecida como pericardite tuberculosa. Este líquido pode afectar o bombear de sangue por parte do coração. Os sintomas são febre, dilatação das veias do pescoço e dificuldade em respirar.

Uma infecção tuberculosa localizada na base do cérebro (meningite tuberculosa) é extremamente perigosa. Em alguns países desenvolvidos, a meningite tuberculosa é, actualmente, mais frequente entre as pessoas de idade avançada. Nos países em vias de desenvolvimento, é mais frequente entre as crianças, desde a nascença até aos 5 anos. Os sintomas da meningite tuberculosa são febre, dor de cabeça constante, náuseas e sonolência que pode acabar em coma. A nuca costuma estar tão rígida que o queixo não consegue tocar no peito. Quanto mais se atrasar o tratamento, mais probabilidades há de que ocorram danos cerebrais irreparáveis. Por vezes, enquanto a pessoa afectada de meningite tuberculosa melhora, pode ter-se formado no cérebro uma massa semelhante a um tumor chamada tuberculoma. Este pode provocar sintomas como fraqueza muscular, semelhante à causada por um acidente vascular cerebral, e é possível que tenha de ser extirpado cirurgicamente.

 

A tuberculose miliar

Quando um grande número de bactérias se dissemina por todo o corpo através da corrente sanguínea, pode produzir-se uma variedade de tuberculose que põe a vida em perigo. Esta infecção recebe o nome de tuberculose miliar devido aos milhões de pequenas lesões do tamanho de um grão de alpista, as pequenas sementes arredondadas que as aves silvestres comem.
Os sintomas da tuberculose miliar podem ser muito difusos e difíceis de identificar; entre eles figuram a perda de peso, febre, arrepios, fraqueza, mal-estar geral e dificuldade em respirar. Se a medula óssea for afectada, é possível que a pessoa tenha uma anemia intensa e outras anomalias do sangue, que sugerem a presença de leucemia. Uma libertação intermitente de bactérias para a corrente sanguínea a partir de uma lesão oculta pode causar febre intermitente, com um enfraquecimento gradual do organismo.

Tuberculose miliar

Nas crianças as bactérias podem infectar a coluna (as vértebras) e as extremidades dos ossos conmpridos dos braços e das pernas. Se as vértebras forem afectadas, surge dor. Como nestes casos as radiografias da coluna podem ser normais, é possível que seja necessário utilizar outras técnicas, como a tomografia axial computadorizada (TAC) ou a ressonância magnética (RM). Se a doença não receber tratamento, uma ou duas vértebras podem achatar-se e causar paralisia nas pernas.

Nos países em vias de desenvolvimento, as bactérias da tuberculose podem ser transmitidas através de leite contaminado e instalar-se nos gânglios linfáticos do pescoço ou então no intestino delgado. Dado que a membrana mucosa do tubo digestivo é resistente às bactérias, só se verificará uma infecção se um grande número destas permanecerem no intestino delgado durante muito tempo ou se o sistema imunitário for deficiente. A tuberculose intestinal pode não causar nenhum sintoma, mas antes provocar um crescimento anormal de tecido na zona infectada, que assim pode confundir-se com um tumor.

Diagnóstico

Em geral, o primeiro indício de tuberculose é uma radiografia do tórax anormal, efectuada no contexto de uma avaliação para diagnosticar uma doença com sintomas muito vagos. Na radiografia, a doença manifesta-se como zonas brancas irregulares que contrastam com o fundo normalmente escuro, embora outras infecções e o cancro possam dar as mesmas imagens. Também pode revelar a presença de derrame pleural ou mesmo um aumento da silhueta do coração (pericardite).

O diagnóstico depende dos resultados da prova cutânea da tuberculina e do exame da expectoração, no qual se pesquisa o Mycobacterium tuberculosis. Apesar de a prova da tuberculina ser uma das mais úteis no momento de diagnosticar a doença, ela só indica que houve uma infecção pela referida bactéria em algum momento do passado. Não indica se a infecção se encontra activa na actualidade, nem se em algum local do organismo há bactérias tuberculosas vivas.

Prova de tuberculina

A prova cutânea da tuberculina efectua-se injectando uma pequena quantidade de proteína derivada das bactérias da tuberculose entre as camadas da pele, geralmente no antebraço. Por vezes, injecta-se uma substância de controlo noutro ponto, que contenha algum elemento perante o qual os indivíduos geralmente reajam, como leveduras ou fungos. Aproximadamente dois dias depois observa-se o local da injecção: o inchaço e a vermelhidão indicam um resultado positivo. Se uma pessoa não reagir à substância de controlo, é possível que o seu sistema imunitário não esteja a funcionar de forma adequada. Nesse caso, um resultado negativo de uma prova cutânea da tuberculina poderá ser incorrecto (falso negativo). As pessoas afectadas de tuberculose grave e cujo sistema imunitário seja deficiente também poderão fornecer falsos resultados negativos ao serem submetidas a esta prova.

Para se certificar do diagnóstico, o médico tem de obter uma amostra de expectoração, líquido infectado ou tecido para a analisar no laboratório. É possível utilizar uma agulha para se obter uma amostra de líquido do peito, do abdómen, de uma articulação ou do saco que rodeia o coração. Para obter uma pequena porção de tecido infectado, provavelmente será necessário recorrer a um procedimento de pequena cirurgia denominado biopsia. A expectoração pode constituir uma amostra pulmonar adequada; caso contrário, o médico pode utilizar um instrumento chamado broncoscópio para inspeccionar os canais brônquicos e obter amostras de muco ou de tecido pulmonar.

Provavelmente será necessário efectuar uma punção da coluna vertebral para obter uma amostra de líquido da espinal medula (líquido cefalorraquidiano), com o objectivo de procurar confirmação de uma meningite tuberculosa, uma infecção das membranas que cobrem o cérebro e a espinal medula. A amostra de líquido é enviada a um laboratório que disponha do equipamento necessário para efectuar uma análise chamada «reacção em cadeia da polimerase» (PCR). Apesar de o médico poder contar com os resultados das análises rapidamente, costuma-se administrar antibióticos face à mais leve suspeita de meningite tuberculosa, com a finalidade de evitar a morte do doente e reduzir ao mínimo o dano cerebral.

O exame dos rins à procura de tuberculose é consideravelmente mais difícil do que no sector pulmonar. Para a análise de PCR pode utilizar-se uma amostra de urina, mas é possível que sejam necessários outros exames para determinar qual o dano que a doença já causou.

Por exemplo, o médico pode usar uma técnica radiológica na qual se injecta um contraste. O referido contraste delimita o contorno dos rins na radiografia e revela qualquer massa ou cavidade anormal que possa ser causada pela tuberculose. Em certos casos, o médico utiliza uma agulha para obter uma amostra do tecido de uma massa. A amostra é examinada ao microscópio para distinguir se se trata de um tumor ou de tuberculose.

Para confirmar a tuberculose dos órgãos reprodutores femininos, o médico pode examinar a pelve com um tubo que possui uma lâmpada numa das suas extremidades (laparoscópio). Por vezes, a doença pode ser descoberta através de um exame ao microscópio de amostras colhidas na parte interna do útero.

Em alguns casos, necessita-se de uma amostra de tecido do fígado, de um gânglio linfático ou da medula óssea. Apesar de, em geral, ser possível obter essas amostras mediante uma agulha, pode ser às vezes necessário recorrer à cirurgia.

Tratamento

Em quase todas as situações os antibióticos curam mesmo os casos mais avançados de tuberculose. Os antibióticos que se podem utilizar são cinco e a sua eficácia é tal que uma só bactéria em cada milhão escapa ao seu efeito. Como uma infecção de tuberculose pulmonar activa costuma conter 1000 milhões de bactérias ou mais, qualquer fármaco que se administrasse isoladamente deixaria mil microrganismos totalmente resistentes à sua acção. Como consequência, é necessário administrar pelo menos dois fármacos com mecanismos de acção diferentes que, associados, possam destruir virtualmente todas as bactérias. O tratamento deve continuar inclusivamente muito depois de o doente se sentir completamente bem, porque leva muito tempo até conseguir eliminar aquelas bactérias de crescimento lento e reduzir a possibilidade de recaída quase a zero.

Os antibióticos mais frequentemente utilizados são: a isoniazida, a rifampicina, a pirazinamida, a estreptomicina e o etambutol. Os três primeiros fármacos podem estar contidos no mesmo comprimido. Isso reduz o número de comprimidos que o doente tem de tomar diariamente e assegura o cumprimento adequado da terapêutica.

Os antibióticos isoniazida, rifampicina e pirazinamida podem causar náuseas e vómitos como resultado do seu efeito sobre o fígado. Nos casos em que se verifiquem efectivamente náuseas e vómitos, os medicamentos devem deixar de ser administrados até que se possam fazer análises da função hepática. Se os resultados mostrarem uma reacção apenas a um deles, em regra costuma encontrar-se um substituto satisfatório para poder completar o tratamento.

O etambutol começa a ser aplicado numa dose relativamente elevada para ajudar a reduzir rapidamente o número de bactérias. A dose é reduzida ao cabo de dois meses, com o fim de evitar efeitos colaterais prejudiciais para os olhos. A estreptomicina foi o primeiro fármaco considerado eficaz contra a tuberculose; deve, porém, ser administrada por injecção. Apesar de continuar a ser um medicamento muito eficaz contra as infecções avançadas, pode afectar o sentido do equilíbrio e a audição se for administrado em grandes doses ou durante mais de três meses.

Actualmente quase nunca é necessário extrair cirurgicamente uma parte do pulmão, desde que o doente siga rigorosamente o esquema de tratamento. No entanto, em certos casos, é preciso recorrer à cirurgia para drenar o pus de onde ele se tiver acumulado e ocasionalmente para corrigir uma deformação da coluna causada pela tuberculose.

Prevenção

Existem várias formas de prevenir a tuberculose. Por exemplo, pode utilizar-se a luz ultravioleta, pelo seu poder germicida, naqueles sítios onde pessoas diversas com afecções distintas possam ter de estar sentadas juntas durante várias horas, como nos hospitais ou nas salas de espera dos serviços de urgência. Aquela luz destrói as bactérias que se encontrem no ar.

O fármaco isoniazida é muito eficaz quando se aplica a indivíduos com elevado risco de desenvolver tuberculose. Entre eles encontram-se aqueles que tenham estado em contacto íntimo com alguém afectado pela doença, como, por exemplo, os trabalhadores da saúde cujas provas cutâneas à tuberculina se tenham tornado positivas (quando antes eram negativas) e cujas radiografias não revelem nenhuma doença. Isso significa que existe uma infecção recente que ainda se não desenvolveu por completo; ela pode ser curada tomando isoniazida diariamente durante 6 a 9 meses. Estudos recentes demonstraram que cerca de 10 % das pessoas com infecções recentes desenvolvem tuberculose se não for aplicado tratamento, qualquer que seja a sua idade.

O benefício da terapêutica preventiva é evidente nas pessoas com menos de 25 anos que reajam face à prova cutânea da tuberculina, dado que existe a possibilidade de que aquela infecção seja recente e possa ser curada facilmente antes que progrida. Os benefícios do tratamento preventivo em adultos com mais de 25 anos é difícil de demonstrar. O risco de toxicidade pelos antibióticos pode ser maior do que o risco de desenvolver tuberculose, excepto quando a reacção é o resultado provável de uma infecção recente.

Um indivíduo que tenha tido um resultado positivo na prova cutânea da tuberculina e, além disso, se infecte com o vírus da imunodeficiência humana (VIH, o vírus causador da SIDA) corre um risco muito elevado de desenvolver uma infecção activa; como consequência, administra-
se-lhe isoniazida durante o maior tempo possível, para evitar o desenvolvimento da tuberculose. As pessoas infectadas com o VIH que não reajam à prova cutânea da tuberculina, mas que tenham um risco considerável de entrar em contacto com pessoas com tuberculose activa, devem também receber isoniazida. Este tratamento preventivo revela-se eficaz para eliminar as bactérias tuberculosas.

As pessoas com tuberculose pulmonar que estejam a receber tratamento não precisam de estar isoladas durante mais do que alguns dias, porque os fármacos reduzem rapidamente a capacidade infectante das bactérias. De qualquer modo, os indivíduos que tossem e não tomam a sua medicação correctamente podem necessitar de um isolamento mais prolongado para que não transmitam a doença. Um doente costuma deixar de ser contagioso ao fim de 10 a 14 dias de tratamento farmacológico. Contudo, se uma pessoa trabalha com outras muito expostas à doença, como os pacientes com SIDA ou as crianças pequenas, o médico pode necessitar de repetir as análises de uma amostra de expectoração para determinar quando já não existe perigo de transmissão da infecção.

Nos países em vias de desenvolvimento aplica-se uma vacina chamada BCG para evitar a infecção pelo Mycobacterium tuberculosis. A sua eficácia é duvidosa e só se utiliza nos países em que a probabilidade de contrair tuberculose é muito elevada.




Doenças semelhantes à tuberculose

Existem vários tipos de micobactérias. Algumas são semelhantes às que causam a tuberculose; de facto, podem provocar infecções com muitos dos sintomas da doença em questão. Apesar de estas micobactérias serem comuns, em geral só causam infecção nas pessoas com um sistema imunitário debilitado. As bactérias infectam principalmente os pulmões, mas também podem atacar os gânglios linfáticos, os ossos, a pele e outros tecidos.
As mais habituais são um grupo de micobactérias conhecidas como o complexo Mycobacterium avium. Estas micobactérias são muito resistentes à maioria dos antibióticos, incluindo os utilizados para tratar a tuberculose. As infecções causadas por estas bactérias não são contagiosas.
A infecção pulmonar causada pelo complexo Mycobacterium avium ocorre nas pessoas de meia-idade cujos pulmões tenham sido danificados por um tabagismo prolongado, uma infecção tuberculosa antiga, bronquite, enfisema ou outras doenças. Todavia a infecção por esta micobactéria é particularmente comum entre os doentes com SIDA.
A infecção costuma desenvolver-se lentamente. Os primeiros sintomas são tosse e expectoração com muco. À medida que a infecção avança, o indivíduo pode cuspir sangue regularmente e ter dificuldade em respirar. Uma radiografia do tórax pode revelar a infecção. No entanto, é necessário analisar no laboratório uma amostra de expectoração do indivíduo afectado para poder distinguir esta infecção da tuberculose. O tratamento com antibióticos não costuma ser eficaz, nem mesmo quando se associam vários fármacos. De qualquer modo, dentro de muito pouco tempo disporemos de novos medicamentos capazes de atrasar a progressão destas infecções nas pessoas de idade avançada. Os casos ligeiros em pessoas que não estejam doentes com SIDA podem curar-se sem tratamento.
Nos doentes com SIDA ou outras afecções que debilitam o sistema imunológico, o complexo Mycobacterium avium pode disseminar-se por todo o corpo. Os sintomas são febre, anemia, perturbações sanguíneas, diarreia e dor de estômago. Apesar de os antibióticos poderem aliviar temporariamente os sintomas, a infecção costuma ser mortal, a menos que a resposta imunológica do organismo melhore.
A infecção dos gânglios linfáticos causada pelo complexo Mycobacterium avium pode verificar-se nas crianças, geralmente entre 0 e 5 anos de idade. Ela ocorre habitualmente por se comer terra ou beber água contaminadas pelas micobactérias. Os antibióticos não curam normalmente a infecção, mas os gânglios linfáticos infectados devem ser extirpados mediante cirurgia.
Outras micobactérias crescem nas piscinas e até mesmo nos aquários domésticos e podem originar perturbações cutâneas. Estas infecções podem desaparecer sem tratamento. No entanto, as pessoas com infecções crónicas costumam necessitar de tratamento com tetraciclinas ou outro antibiótico durante 3 a 6 meses. Outra variedade de micobactéria, o Mycobacterium fortuitum, pode infectar as feridas e as partes artificiais do corpo humano, tais como uma válvula cardíaca mecânica ou um implante mamário. Os antibióticos e a excisão cirúrgica das áreas infectadas curam habitualmente a infecção.


Tuberculose: uma doença de vários órgãos
Localização da infecção Sintomas ou complicações
Cavidade abdominal Fadiga, ligeira dor ao tacto, dor semelhante à da apendicite.
Bexiga Micção dolorosa.
Cérebro Febre, dor de cabeça, náuseas, sonolência, compromisso cerebral que degenera em coma.
Pericárdio (saco membranoso que envolve o coração) Febre, dilatação das veias do pescoço, dificuldade respiratória
Articulações Sintomas semelhantes à artrite.
Rim Compromisso renal, infecção em torno do rim.
Órgãos
reprodutores:
Homens
Mulheres

 

Volume no escroto.
Esterilidade.

Coluna Dor, possível ruptura de vértebras e paralisia das pernas.


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