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Sífilis


A sífilis é uma doença de transmissão sexual causada pela bactéria Treponema pallidum.

Esta bactéria penetra no organismo através das membranas mucosas, como as da vagina ou da boca, ou então através da pele. Horas depois chega aos gânglios linfáticos e em seguida propaga-se por todo o organismo através do sangue. A sífilis também pode infectar um feto durante a gravidez, (Ver secção 23, capítulo 253), causando defeitos congénitos ou outros problemas.

O número de afectados com sífilis atingiu o seu ponto máximo durante a Segunda Guerra Mundial, para depois cair de forma espectacular até à década de 60, quando os índices começaram a subir novamente. Durante este período, um grande número de casos de sífilis surgiu entre homens homossexuais. Essas taxas permaneceram relativamente estáveis até meados da década de 80, porque, devido à epidemia de SIDA e à prática de sexo seguro, a incidência entre eles decresceu. Como consequência, o número geral de pessoas com sífilis também diminuiu. No entanto, esta redução foi seguida por um rápido incremento de casos entre consumidores de cocaína, principalmente entre as mulheres ou os seus filhos recém-nascidos. Recentemente, os programas de controlo voltaram a reduzir a incidência em alguns países desenvolvidos.

Uma pessoa que tenha sido curada de sífilis não fica imune e pode voltar a infectar-se.

Sintomas

Os sintomas costumam começar de 1 a 13 semanas depois do contágio; a média é de 3 a 4 semanas. A infecção com Treponema pallidum passa por vários estádios: o primário, o secundário, o latente e o terciário. A infecção pode durar muitos anos e raramente provoca lesões cardíacas, cerebrais ou a morte.

Estádio primário

No estádio primário, aparece uma ferida ou úlcera indolor (sifiloma, também designado por cancro) no local da infecção, geralmente sobre o pénis, a vulva ou a vagina. O cancro também pode aparecer no ânus, no recto, nos lábios, na língua, na garganta, no colo uterino, nos dedos ou, raramente, noutras partes do corpo. Em regra, manifesta-se uma única ferida, mas por vezes podem ser várias.

O sifiloma começa como uma pequena zona vermelha saliente que em breve se converte numa ferida aberta (úlcera), porém continua a ser indolor. A ferida não sangra, mas ao tocar-lhe liberta-se um líquido claro altamente infeccioso. Os gânglios linfáticos próximos costumam aumentar de volume, embora permaneçam indolores. Como a lesão causa tão poucos sintomas, é habitualmente ignorada. Cerca de metade das mulheres infectadas e um terço dos homens infectados não sabem que a têm. Costuma sarar em 3 a 12 semanas, depois do que o indivíduo afectado parece encontrar-se perfeitamente bem.

Estádio secundário

O estádio secundário inicia-se com uma erupção cutânea, que costuma aparecer de 6 a 12 semanas após a infecção. Cerca de 25 % dos infectados ainda têm uma ferida que está a sarar durante esta fase. Aquela erupção pode durar pouco tempo ou então prolongar-se durante meses. Mesmo que a pessoa não receba tratamento, habitualmente desaparece. No entanto, pode aparecer de novo semanas ou meses mais tarde.

No estádio secundário, são frequentes as úlceras na boca que afectam mais de 80 % dos doentes. Cerca de 50 % apresentam gânglios linfáticos inflamados em todo o corpo e aproximadamente 10 % têm inflamação nos olhos. Esta inflamação habitualmente não causa sintomas, embora, por vezes, o nervo óptico se inflame e então a visão torna-se turva. Aproximadamente 10 % apresenta inflamação nos ossos e articulações, que causa muitas dores. A inflamação renal pode fazer com que se encontrem proteínas na urina e a do fígado pode provocar icterícia. Um número reduzido de pessoas sofre uma inflamação da membrana que reveste o cérebro (meningite sifilítica aguda), que se traduz em dor de cabeça, rigidez da nuca e, por vezes, surdez.

Ocasionalmente, surgem formações algo salientes (condilomas planos) em que a pele se junta a uma membrana mucosa, por exemplo, nos bordos internos dos lábios e da vulva e nas zonas húmidas da pele. Estas lesões extremamente infecciosas podem achatar-se e adoptar uma cor rosa-escura ou cinzenta. O pêlo costuma cair em tufos, dando uma aparência de «roído por traças». Outros sintomas incluem sensação de mal-estar (indisposição), perda de apetite, náuseas, vómitos, fadiga, febre e anemia.

Estádio latente

Uma vez que a pessoa recuperou do estádio secundário, a doença entra num estádio latente em que não se verificam sintomas. Esta etapa pode durar anos ou décadas ou durante o resto da vida. Durante a primeira parte do estádio latente, por vezes as úlceras recidivam.

Estádio terciário

Durante a terceira etapa (estádio terciário), a sífilis não é contagiosa. Os sintomas oscilam entre ligeiros e devastadores. Podem aparecer três tipos principais de sintomas: sífilis terciária benigna, sífilis cardiovascular e neurossífilis.

A sífilis terciária benigna é muito rara na actualidade. Em vários órgãos aparecem formações chamadas gomas, que crescem lentamente, saram de forma gradual e deixam cicatrizes. Estas lesões podem aparecer em quase todo o corpo, mas são mais frequentes na perna mesmo abaixo do joelho, na parte superior do tronco e no couro cabeludo. Os ossos podem ser afectados, provocando uma dor profunda e penetrante que se costuma agravar à noite.

A sífilis cardiovascular costuma aparecer de 10 a 25 anos depois da infecção inicial. O doente pode desenvolver um aneurisma (enfraquecimento e dilatação) da aorta (a principal artéria que sai do coração) ou uma insuficiência da válvula aórtica. Estas perturbações podem causar dor no peito, insuficiência cardíaca ou morte.

A neurossífilis (sífilis do sistema nervoso) afecta cerca de 5 % de todos os sifilíticos não tratados. As três classes principais são a neurossífilis meningovascular, a neurossífilis parética e a neurossífilis tabética.

Diagnóstico

O médico suspeita de que uma pessoa tem sífilis a partir dos seus sintomas. O diagnóstico definitivo baseia-se nos resultados das análises laboratoriais e no exame objectivo.

Utilizam-se dois tipos de análises de sangue. O primeiro é uma análise de controlo, como a chamada VDRL (iniciais de «laboratório de investigação de doenças venéreas») ou RPR (de «reargina rápida do plasma»). Estas análises são fáceis de fazer e não se revelam dispendiosas. Em certos casos dão resultados falsos positivos, mas têm a vantagem de se tornarem negativas quando se repetem depois de um tratamento correcto. É possível que o médico precise de repetir este tipo de exames, porque os resultados podem ser negativos nas primeiras semanas de sífilis primária. O segundo tipo de análise de sangue, que é mais exacto, detecta anticorpos contra a bactéria que causa a sífilis; contudo, uma vez que se obtenha um resultado positivo, os seguintes serão sempre positivos, mesmo depois de um tratamento bem sucedido. Uma destas provas, chamada FTA-ABS, utiliza-se para confirmar que o resultado positivo de uma análise de controlo é realmente causado pela sífilis.

Nos estádios primário e secundário, é possível diagnosticar a doença colhendo uma amostra de líquido de uma úlcera da pele ou da boca e identificando as bactérias ao microscópio. Também se pode utilizar a análise de pesquisa de anticorpos efectuada sobre uma amostra de sangue. Para a neurossífilis, efectua-se uma punção lombar para realizar uma pesquisa de anticorpos. No estádio latente, a sífilis só se diagnostica através de provas de anticorpos efectuadas com amostras de sangue ou líquido espinhal (liquor). No estádio terciário, diagnostica-se a partir dos sintomas e do resultado de uma pesquisa de anticorpos.

Tratamento e prognóstico

Dado que as pessoas com sífilis nos estádios primário e secundário transmitem a infecção, devem evitar o contacto sexual até que elas e os seus parceiros sexuais tenham completado o tratamento. No caso da sífilis no estádio primário, todas as pessoas com quem tenham mantido relações sexuais nos três meses anteriores correm perigo. Com a sífilis no estádio secundário, todos os parceiros sexuais do último ano podem ter-se contagiado. Estas pessoas precisam de ser controladas com uma análise de pesquisa de anticorpose, se o resultado for positivo, devem receber tratamento.

A penicilina, que em geral é o melhor antibiótico para todos os estádios da sífilis, é habitualmente administrada por via intramuscular durante o estádio primário, aplicando-se na nádega de uma só vez. Nos casos de sífilis no estádio secundário, aplicam-se duas injecções adicionais com intervalos de uma semana. A penicilina também se utiliza em casos de sífilis latente e no estádio terciário, apesar de poder ser necessário um tratamento endovenoso mais intenso. As pessoas alérgicas à penicilina podem receber doxicilina ou tetraciclina oral durante 2 a 4 semanas.

Mais de metade das pessoas com sífilis nos seus primeiros estádios, especialmente no estádio secundário, desenvolve uma reacção (chamada reacção de Jarisch-Herxheimer) de 2 a 12 horas depois do primeiro tratamento. Julga-se que esta é o resultado da morte súbita de milhões de bactérias. Os sintomas compreendem: sensação de mal-estar, febre, dor de cabeça, sudação, arrepios com tremores e um agravamento temporário das úlceras sifilíticas. Em ocasiões raras, as pessoas com neurossífilis podem ter convulsões ou sofrer de paralisia.

As pessoas com sífilis nos estádios latente ou terciário devem ser examinadas com intervalos regulares uma vez acabado o tratamento. Os resultados das análises aos anticorpos costumam ser positivos durante muitos anos, por vezes durante toda a vida. Isso não indica que exista uma nova infecção. Também se efectuam outros exames para verificar se não existem novas infecções.

Depois do tratamento, o prognóstico para os estádios primário, secundário e latente da sífilis é excelente. Porém o prognóstico é mau nos casos da sífilis terciária que afecte o cérebro ou o coração, já que as lesões existentes são, em geral, irreversíveis.




Sífilis do sistema nervoso

Cerca de 5 % de todas as pessoas com sífilis não tratada desenvolvem neurossífilis ou sífilis do sistema nervoso, mas estes casos são raros nos países desenvolvidos.
A neurossífilis meningovascular é uma forma crónica de meningite.Os sintomas dependem de ser o principal órgão afectado o cérebroou de a doença atacar tanto o cérebro como a espinal medula. Quandoo cérebro fica afectado, os sintomas compreendem dor de cabeça,vertigem, falta de concentração, cansaço e falta de energia,dificuldade em conciliar o sono, rigidez da nuca, visão turva, confusãomental, convulsões, tumefacção do nervo óptico (papiledema),anomalias nas pupilas, dificuldade em falar (afasia) e paralisia de uma extremidadeou de metade do corpo. Quando tanto o cérebro como a espinal medula ficamafectados, os sintomas incluem uma dificuldade crescente em mastigar, engolire falar; debilidade e atrofia dos músculos do ombro e do braço;paralisia lentamente progressiva com espasmos musculares (paralisia espástica);incapacidade para esvaziar a bexiga e inflamação de uma secçãode espinal medula que progride para uma perda de controlo da bexiga e uma paralisiarepentina, enquanto os músculos permanecem relaxados (paralisia flácida).
A neurossífilis parética (também chamada a paralisia dolouco) começa gradualmente como uma série de alteraçõesde comportamento nas pessoas que têm mais de 40 ou 50 anos. estas pessoaslentamente tornam-se dementes. Os sintomas podem incluir convulsões, dificuldadeem falar, paralisia temporária de metade do corpo, irritabilidade, dificuldadeem se concentrar, perda de memória, discernimento defeituoso, dores decabeça, dificuldade respiratória, fadiga, letargia, deterioraçãoda higiene pessoal e dos hábitos de se arranjar, mudanças de humor,perda de força e energia, depressão, delírios de grandezae falta de perspicácia.
A neurossífilis tabética (tabes dorsal) é uma doençaprogressiva da espinal medula que começa gradualmente. Em geral, o primeirosintoma é uma dor intensa e pungente nas pernas que aparece e desaparecede forma irregular. A pessoa não tem estabilidade ao andar, especialmentena escuridão, e pode andar com os pés afastados, por vezes pisandocom força. Como a pessoa não consegue sentir quando a bexiga está cheia,a urina acumula-se e produz uma perda de controlo da bexiga e repetidas infecçõesdo tracto urinário. É frequente que o homem se torne impotente.A pessoa pode ter tremores na boca, na língua, nas mãos e em todoo corpo. A caligrafia torna-se trémula e ilegível.
A maioria das pessoas com neurossífilis tabética são delgadase o seu rosto tem um aspecto triste. Têm espasmos de dor em vários órgãos,especialmente no estômago. Estes podem causar vómitos. Espasmosigualmente dolorosos podem afectar o recto, a bexiga e a laringe (zona vocal).Devido à falta de sensibilidade nos pés, podem aparecer úlcerasabertas nas suas plantas. Estas podem penetrar profundamente e atingir mesmoo osso subjacente. Como a pessoa perde a sensação de dor, as articulaçõespodem ficar lesionadas.



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