Hormonas e reprodução
A reprodução humana normal supõe
a interacção de uma diversidade de hormonas e de diversos órgãos,
controlada pelo hipotálamo, localizado no cérebro. Tanto nas mulheres
como nos homens, o hipotálamo segrega hormonas ou factores de libertação
que chegam à hipófise, uma glândula do tamanho de uma ervilha
localizada por baixo do hipotálamo, e que a estimulam para que liberte
outras hormonas. Por exemplo, a hormona libertadora de gonadotropinas, um
factor de libertação segregado pelo hipotálamo, estimula a
hipófise para que esta segregue a hormona luteinizante e a hormona folículoestimulante. (Ver tabela da secção 13, capítulo 144) Estas hormonas estimulam a maturação
das glândulas reprodutoras e a libertação de hormonas sexuais.
Os ovários da mulher produzem estrogénios, e os testículos
do homem libertam androgénios, como a testosterona. As glândulas
supra-renais, localizadas na parte superior dos rins, também produzem
hormonas sexuais.
Os padrões de secreção
e as concentrações das hormonas sexuais no sangue determinam se
estas estimulam ou inibem a libertação da hormona luteinizante
e foliculoestimulante por parte da hipófise. Por exemplo, uma diminuição
nos níveis de hormonas sexuais provoca uma maior libertação,
pela hipófise, daquelas duas hormonas (mecanismo de retroalimentação
negativa). Praticamente todas as hormonas são libertadas em forma de
golfadas de curta duração (impulsos) de 3 em 3 horas. Daí que
a concentração de hormonas no sangue seja flutuante.
| Quantos óvulos |
As raparigas nascem com óvulos (oócitos) já presentes
nos seus ovários. Quando o feto feminino tem entre 20 e 24 semanas
de vida, os ovários do feto contêm entre 7 e 20 milhões
de óvulos, que se incorporam nos folículos (cavidades cheias
de fluido, cada uma com um óvulo que se insere na sua parede). Enquanto
os folículos se formam, a maior parte dos óvulos atrofiam-se
gradualmente e ficam cerca de 2 milhões no momento do parto. Depois
do nascimento não se formam mais. Menos de 400 000 continuam presentes
quando começa a menstruação, embora seja uma quantidade
mais que suficiente para todo o período de vida fértil.
Normalmente, só cerca de 400 óvulos se libertam durante a vida
reprodutiva da mulher, um em cada ciclo menstrual. Até ser libertado,
o óvulo permanece inactivo no seu folículo e suspenso a meio de
uma divisão celular, o que o converte numa das células de vida
mais longa do organismo. Como o óvulo inactivo não pode desenvolver
os processos de reparação celular normais, a possibilidade de surgirem
problemas aumenta à medida que a mulher avança na idade. Por isso,
uma anomalia cromossómica ou genética é mais provável
quando a concepção acontece numa idade avançada. |
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