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Factores de risco anteriores à gravidez


Antes de se dar a concepção, é possível que a mãe tenha características ou condições que aumentem o risco durante a gravidez. Além disso, se já tiver tido um problema numa gravidez, o risco de ter o mesmo problema em gravidezes subsequentes é maior.

Características da mãe

A idade da mulher está estreitamente relacionada com o risco durante a gravidez. As raparigas com 15 anos ou menos têm mais probabilidades de desenvolver pré-eclampsia (uma doença caracterizada por uma tensão arterial elevada, proteínas na urina e retenção de líquidos durante a gravidez) (Ver secção 22, capítulo 245) e eclampsia (convulsões provocadas pela pré-eclampsia); também têm mais probabilidades de ter filhos de peso reduzido ao nascer ou desnutridos. Por outro lado, as mulheres com 35 anos ou mais têm mais probabilidades de ter a tensão arterial elevada, diabetes ou fibromas (formações não cancerosas) no útero, bem como problemas durante o parto. O risco de ter um bebé com alguma anomalia cromossómica, como a síndroma de Down, aumenta com rapidez a partir dos 35 anos (Ver tabela da secção 22, capítulo 242) Se uma mulher grávida desta faixa etária estiver preocupada com a possibilidade de o seu feto desenvolver anomalias, pode submeter-se a uma análise das vilosidades coriónicas ou a uma amniocentese para determinar o conteúdo cromossómico do feto. (Ver imagem da secção 22, capítulo 242)

Uma mulher que pese menos de 45 kg quando não está grávida tem mais probabilidades de ter um bebé de menor tamanho do que o esperado, em relação ao número de semanas de gravidez (pequeno para a sua idade gestacional). Se o seu peso aumentar menos de 5 kg durante a gravidez, o risco de ter um bebé com essas características aumenta em quase 30 %. Pelo contrário, uma mulher obesa tem mais probabilidades de ter um bebé muito grande. A obesidade também aumenta o risco de contrair diabetes e tensão arterial alta durante a gravidez.

Uma mulher com menos de 1,60 m de altura tem mais probabilidades de ter uma pélvis pequena; daí que o risco de ter um parto prematuro e um bebé anormalmente pequeno pelo atraso do crescimento intra-uterino também seja maior que o habitual.

Problemas numa gravidez anterior

Uma mulher que tenha tido três abortos consecutivos sempre nos primeiros 3 meses de gravidez, tem cerca de 35 % de probabilidades de sofrer outro. O aborto também é mais provável se a mulher tiver tido um feto morto entre o quarto e o oitavo mês de gravidez ou se tiver tido um parto prematuro numa gravidez anterior.

Antes de tentar engravidar de novo, é aconselhável que a mulher que tenha tido um aborto se submeta a um teste de detecção de anomalias cromossómicas ou hormonais, defeitos estruturais no útero ou no colo uterino, doenças do tecido conjuntivo, como o lúpus ou uma reacção imune ao feto, geralmente por incompatibilidade do Rh. Se for descoberta a causa do aborto, é possível que esta possa ser tratada de forma adequada.

O facto de um feto nascer morto ou de um bebé recém-nascido morrer é associado a anomalias cromossómicas no feto, à diabetes, a alguma doença renal (crónica) ou dos vasos sanguíneos, à hipertensão arterial, à toxicodependência ou a uma doença do tecido conjuntivo, como o lúpus na mãe.

Por outro lado, quanto maior for o número de partos prematuros, maior é o risco de os repetir nas gravidezes seguintes. Uma mulher que tenha tido um recém-nascido com um peso inferior a 1,5 kg, tem 50 % de probabilidades de o seu próximo filho nascer antes de termo. Se um recém-nascido sofreu atraso do crescimento intra-uterino, é provável que isso se repita no seguinte. Nestes casos, investiga-se na busca da presença de doenças que possam atrasar o crescimento fetal, como a hipertensão arterial, afecções renais, aumento de peso inadequado, infecção, tabagismo e abuso do álcool.

Um recém-nascido que pese mais de 4,5 kg ao nascer indica que a mãe pode sofrer de diabetes. (Ver secção 22, capítulo 246) O risco de aborto ou de morte da mulher ou do recém-nascido aumenta se a mulher sofrer de diabetes durante a gravidez. Portanto, deve-se controlar esta doença nas mulheres grávidas, medindo os seus níveis de açúcar no sangue (glicose) entre as 20.ª e 28.ª semanas de gravidez.

A mulher que tenha tido seis ou mais gravidezes tem maiores probabilidades de ter leves contracções durante o parto e hemorragias depois do mesmo, devido ao debilitamento dos seus músculos uterinos. Também pode ter um parto rápido, que aumenta o risco de sofrer uma hemorragia vaginal abundante. Além disso, há muito mais probabilidades de ter uma placenta prévia (uma placenta anormalmente localizada na parte inferior do útero). Este problema pode provocar hemorragia e, como a placenta pode bloquear o colo uterino, geralmente deve-se fazer uma cesariana.

Se uma mulher já tiver tido um filho com uma doença hemolítica (Ver tabela da secção 23, capítulo 252), o seguinte pode correr o risco de também nascer com essa doença, e a sua gravidade no recém-nascido anterior faz prever a que terá no seguinte. Esta doença desenvolve-se quando uma mãe cujo sangue é Rh-negativo tem um feto com sangue Rh-positivo (incompatibilidade de Rh) e a mãe produz anticorpos contra o sangue do feto (sensibilização ao Rh) que destroem os seus glóbulos vermelhos. Nesses casos, o sangue de ambos os progenitores é analisado. Se o pai tiver dois genes para o sangue Rh-positivo todos os filhos serão Rh-positivos; se tiver só um gene com estas características, o recém-nascido tem cerca de 50 % de probabilidades de ser Rh-negativo. Esta informação é útil para tomar as precauções necessárias com a mãe e com o feto em gravidezes subsequentes. Geralmente, na primeira gravidez com um filho com sangue Rh-positivo não costuma haver problemas, mas o contacto do sangue da mãe com o do recém-nascido durante o parto faz com que a mãe produza anticorpos anti-Rh e, portanto, os recém-nascidos seguintes podem sofrer complicações. No entanto, depois de uma mãe Rh-negativo dar à luz um recém-nascido Rh-positivo, costuma ser-lhe administrada imunoglobulina Rh0 (D) para destruir os anticorpos anti-Rh. O resultado é que a hemólise (destruição de hemácias) nos recém-nascidos é muito pouco frequente.

Uma mulher que tenha tido uma pré-eclampsia ou eclampsia tem probabilidades de tornar a tê-la, sobretudo se sofrer de hipertensão quando não está grávida.

Se uma mulher tiver tido um bebé com problemas genéticos ou malformações, fazem-se normalmente análises genéticas ao bebé (embora tenha nascido morto) e a ambos os pais antes doutra gravidez. No caso de a mulher engravidar de novo, fazem-se exames como ecografias, colheita de amostras de vilosidades coriónicas e amniocentese para ajudar a determinar as probabilidades de as anomalias se repetirem. (Ver secção 22, capítulo 242)

Alterações estruturais

As anomalias nos órgãos reprodutores femininos, como o útero bicorne ou um colo uterino débil que não consiga suster o feto em desenvolvimento (colo incompetente), aumentam o risco de aborto. Como consequência, pode ser necessário fazer intervenções cirúrgicas, ecografias ou radiografias para detectar estas alterações. Se uma mulher tiver tido vários abortos, estes testes são feitos antes de voltar a ficar grávida.

Os fibromas (formações não cancerosas) no útero, que são mais frequentes em mulheres mais velhas, podem aumentar o risco de um parto prematuro, a incidência de problemas durante o parto, uma apresentação anormal do feto, uma localização anormal da placenta (placenta prévia) e abortos repetidos.

Problemas médicos

Certas condições médicas numa mulher gestante podem pô-la em perigo e ao feto. As mais importantes são a hipertensão arterial crónica, doenças renais, diabetes, cardiopatias graves, doença tiróidea, lúpus eritematoso sistémico (lúpus) e perturbações da coagulação sanguínea. (Ver secção 22, capítulo 246)

História familiar

Uma história de atraso mental ou outras doenças hereditárias na família da mãe ou do pai aumenta a probabilidade de o recém-nascido vir a ter essa doença. A tendência para ter gémeos também se verifica no seio de uma mesma família.




Recém-nascidos pequenos
  • Um recém-nascido prematuro é aquele que nasce antes das 37 semanas de gravidez
  • Um recém nascido de pouco peso (falta de peso) é qualquer que pesa 2,5 kg, ou menos, à nascença
  • Um recém-nascido pequeno para a sua idade gestacional é aquele que é excepcionalmente pequeno para o número de semanas de gravidez. Este termo refere-se ao peso e não ao comprimento
  • Um recém-nascido com atraso do crescimento é o que sofre atraso do crescimento intra-uterino. Este termo refere-se ao peso e ao comprimento. Um recém-nascido pode sofrer atraso do crescimento, ser pequeno para a sua idade gestacional ou ambas as coisas.

 

Pontuação das gravidezes de alto risco
10 ou mais, indica um alto risco
Factores de risco Pontuação
Antes da gravidez
Características da mãe
Com 35 anos e mais ou com 15 e menos
5
Peso inferior a 45 kg ou superior a 90 kg 5
Problemas numa gravidez anterior
Feto nascido morto
10
Morte do recém-nascido 10
Recém-nascido prematuro 10
Recém-nascido pequeno para a sua idade gestacional (mais pequeno que o esperado em comparação com o número de semanas de gravidez) 10
Transfusão de sangue ao feto por doença hemolítica 10
Parto pós-termo (com mais de 42 semanas)
10
Abortos repetidos 5
Recém-nascido grande(com mais de 4,5 kg) 5
Seis ou mais gravidezes completas 5
História de eclampsia (ataques durante a gravidez) 5
Cesariana 5
Epilepsia ou paralisia cerebral na mãe 5
História de pré-eclampsia (hipertensão, proteína na urina e acumulação de líquidos durante a gravidez) 1
Filho anterior com defeitos de nascença 1
Deficiências estruturais
Útero bicorne
10
Colo uterino incompetente 10
Pélvis pequena 5
Problemas médicos
Hipertensão crónica
10
Doença renal entre moderada e grave 10
Doença coronária grave 10
Diabetes com dependência de insulina 10
Drepanocitose 10
Resultados anormaisnum Pap 10
Afecção cardíaca moderada 5
Doença da tiróide 5
História de tuberculose 5
Doença pulmonar, como asma 5
Resultado positivo em testes de sífilis ou do vírus da imunodeficiência humana (HIV) 5
História de infecção da bexiga 1
História familiar de diabetes 1
Durante a gravidez
Exposição a drogas e a infecções
Consumo de drogas ou de álcool
5
Doença viral, como a rubéola 5
Gripe (grave) 5
Tabagismo 1
Complicações médicas
Pré-eclampsia moderada a grave 10
Pré-eclampsia ligeira 5
Infecção renal 5
Diabetes da gravidez controlada com dieta (diabetes gravídica) 5
Anemia grave 5
Infecção da bexiga (cistite) 1
Anemia ligeira 1
Complicações da gravidez
Mãe:
Localização anormal da placenta (placenta prévia)
10
Desprendimento prematuro da placenta (abruptio placentae) 10
Quantidade excessiva ou insuficiente de líquido amniótico à volta do feto 10
Infecção da placenta 10
Rotura do útero 10
Parto pós-termo (que ultrapassa as 42 semanas ou se atrasa mais de 2 semanas 5
Sensibilização de Rh ao sangue do feto 5
Mancha vaginal 5
Trabalho de parto pré-termo 5
Rotura de membranas (rebentar a bolsa de águas) mais de 12 horas antes do parto 5
Interrupção da dilatação do colo uterino 5
Trabalho de parto que dura mais de 20 horas 5
Esforços de expulsão durante mais de 2 horas 5
Trabalho de parto rápido (menos de 3 horas) 5
Cesariana 5
Trabalho de parto induzido por razões médicas 5
Trabalho de parto induzido por opção 1
Bebé:
Líquido amniótico tingido de mecónio (cor verde escura)
10
Apresentação anormal (por exemplo, de nádegas) 10
Nascimento de nádegas, assistido durante todo o parto 10
Gravidez múltipla (sobretudo de 3 ou mais fetos) 10
Frequência cardíaca lenta ou muito rápida 10
Cordão umbilical à frente do feto (prolapso do cordão) 10
Peso inferior a 2,5 kg ao nascer 10
Líquido amniótico manchado de mecónio (cor verde clara) 5
Necessidade de usar fórceps ou ventosa 5
Parto de nádegas, parcialmente ou não assistido 5
Anestesia geral durante o parto 5


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