Merck Sharp & Dohme - Portugal
MSD Portugal Publicacoes MSD
Pesquisa
IntroduçãoAjuda


Imprimir Enviar Artigo

Factores de risco durante a gravidez


Uma mulher grávida sem riscos especiais pode sofrer uma alteração que aumente o risco por exemplo, a exposição a teratogénios (agentes que podem produzir defeitos congénitos), como a radiação, produtos químicos, fármacos e infecções, ou, então, pode desenvolver uma complicação médica ou em relação à gravidez. 

Exposição a agentes teratogénicos

Os fármacos reconhecidos como causadores de defeitos congénitos quando são tomados durante a gravidez incluem o álcool, a fenitoína, os fármacos que contrariam as acções do ácido fólico (como o triamtereno ou o trimetoprim), o lítio, a estreptomicina, as tetraciclinas e a varfarina (Ver secção 22, capítulo 247) As infecções que podem provocar defeitos congénitos compreendem o herpes simples, a hepatite viral, a gripe, a parotidite, a rubéola, a varicela, a sífilis, a listeriose, a toxoplasmose e infecções por vírus Coxsackie ou por citomegalovírus. No princípio da gravidez, pergunta-se à mulher se tomou alguns destes fármacos ou se sofreu alguma destas infecções desde que engravidou. É particularmente preocupante a forma como o tabagismo, o consumo de álcool e o abuso de medicamentos durante a gravidez afectam a saúde e o desenvolvimento do feto.

O tabagismo é a dependência mais frequente entre as mulheres grávidas de alguns países desenvolvidos. Apesar da informação crescente acerca dos perigos para a saúde que o tabagismo implica, a percentagem de mulheres adultas que fumam ou que vivem com alguém que fuma só baixou ligeiramente em 20 anos e a percentagem de mulheres grandes fumadoras aumentou. Por outro lado, o tabagismo entre as adolescentes aumentou substancialmente e supera o dos jovens da mesma idade.

O consumo de tabaco prejudica tanto a mãe como o feto, mas só cerca de 20 % das mulheres que fumam abandonam o hábito durante a gestação. O efeito mais evidente do tabagismo sobre o recém-nascido durante a gravidez é a redução do seu peso ao nascer: quanto mais uma mulher fumar durante a gravidez, menos pesará o recém-nascido. Este efeito parece ser maior entre as fumadoras mais velhas, que têm mais probabilidades de ter recém-nascidos de menor peso e estatura. As grávidas fumadoras também têm mais probabilidades de ter complicações com a placenta, rotura prematura de membranas, parto antecipado (pré-termo) e infecções uterinas. Uma mulher grávida que não fuma deverá evitar expor-se ao fumo de outros, pois pode igualmente prejudicar o feto.

As deficiências congénitas que afectam o coração, o cérebro e a cara são mais frequentes entre os filhos de fumadoras do que entre os das não fumadoras. O tabagismo na mãe pode também aumentar o risco da síndroma de morte súbita do lactente. Além disso, os filhos de mães fumadoras têm deficiências subtis, mas apreciáveis, quanto ao crescimento, ao desenvolvimento intelectual e ao comportamento. Crê-se que estes efeitos são provocados pelo monóxido de carbono, que reduz o fornecimento de oxigénio que os tecidos do organismo recebem, e pela nicotina, que, ao estimular a libertação de hormonas, provoca uma constrição dos vasos sanguíneos na placenta e no útero, diminuindo a chegada de sangue.

O consumo de álcool durante a gravidez é a principal causa conhecida de anomalias congénitas. A síndroma alcoólica fetal, uma das principais consequências por se beber durante a gravidez, aparece em cerca de 2,2 de cada 1000 recém-nascidos vivos. Esta doença inclui o atraso do crescimento antes ou depois do parto, anomalias faciais, cabeça pequena (microcefalia), provavelmente causada por um crescimento escasso do cérebro, e um desenvolvimento anormal do comportamento. A síndroma alcoólica fetal é a principal causa do atraso mental. (Ver secção 23, capítulo 252) Além disso, o álcool pode causar problemas que vão desde o aborto a graves efeitos no comportamento do recém-nascido ou na criança em desenvolvimento, como um comportamento anti-social e um défice de atenção. Estas perturbações podem até aparecer mesmo que o recém-nascido não tenha defeitos físicos à nascença.

O risco de aborto espontâneo quase duplica quando uma mulher consome álcool durante a gravidez, sobretudo se beber muito. Geralmente, o peso com que nascem os filhos de mães que consomem álcool durante a gestação é inferior ao normal. A média do peso à nascença é de cerca de 2 kg, comparados com os 3,5 kg do resto dos recém-nascidos.

A toxicodependência e o abuso de substâncias tóxicas são cada vez mais frequentes nas mulheres grávidas. Mais de cinco milhões de pessoas, muitas das quais são mulheres em idade fértil, consomem regularmente marijuana e cocaína.

A cromatografia é um teste de laboratório, barato e eficaz, que é utilizado para detectar na urina heroína, morfina, anfetaminas, barbitúricos, codeína, cocaína, marijuana, metadona ou fenotiazinas. As mulheres que se injectam correm um risco maior de sofrer de anemia, de infecção do sangue (bacteriemia) ou das válvulas cardíacas (endocardite), abcessos cutâneos, hepatite, flebite, pneumonia, tétano e doenças de transmissão sexual, incluindo a SIDA. Cerca de 75 % dos recém-nascidos com SIDA são de mães que se injectavam ou se prostituíam. Além disso, estas crianças correm um maior risco de contrair outras doenças de transmissão sexual, hepatite e infecções. Por outro lado, é provável que o seu crescimento dentro do útero seja insuficiente e que nasçam prematuramente.

Cerca de 14 % das mulheres grávidas consomem marijuana em diferentes graus. O seu principal ingrediente, o tetra-hidrocanabinol (THC), é capaz de atravessar a placenta e, como consequência, de afectar o feto. Apesar de nenhuma prova específica demonstrar que a marijuana provoca defeitos de nascença ou atraso no crescimento do feto no útero, alguns estudos indicam que um grande consumo desta droga provoca anomalias de comportamento nos recém-nascidos.

O abuso de cocaína durante a gravidez causa graves problemas tanto para a mãe como para o feto e, dado que muitas das mulheres que consomem cocaína também consomem outras drogas, o problema reveste-se de uma especial gravidade. A cocaína estimula o sistema nervoso central, actua como anestésico local e reduz o diâmetro dos vasos sanguíneos (vasoconstricção). O estreitamento dos vasos sanguíneos pode reduzir o fluxo sanguíneo, pelo que o feto nem sempre recebe o oxigénio suficiente. Esta redução pode afectar o crescimento de vários órgãos e, frequentemente, provoca problemas ósseos e um estreitamento de alguns segmentos do intestino. O sistema nervoso e os problemas de comportamento dos filhos de mães cocainómanas incluem hiperactividade, tremores incontroláveis e importantes problemas de aprendizagem, que continuam até aos 5 anos ou, inclusivamente, até uma idade mais avançada. (Ver secção 23, capítulo 252)

Se uma mulher grávida tiver repentinamente uma tensão arterial muito alta (hipertensão aguda), uma hemorragia devido ao desprendimento precoce da placenta (abruptio placentae) ou se o recém-nascido nascer morto sem causa aparente, analisa-se a sua urina em busca da presença de cocaína. Entre as mulheres que consomem cocaína durante a gravidez, cerca de 31 % têm um parto antes do tempo, 19 % têm um recém-nascido com atraso do crescimento e 15 % sofrem um desprendimento precoce da placenta. Se o consumo de cocaína for interrompido depois dos primeiros 3 meses de gravidez, os riscos de ter um parto prematuro e um desprendimento precoce da placenta ainda continuam a ser altos, mas, provavelmente, o crescimento do feto será normal.

Problemas médicos

Se for diagnosticada hipertensão pela primeira vez quando uma mulher está grávida, o médico pode ter certas dificuldades em confirmar se a causa é a gravidez ou algum outro problema. O tratamento da hipertensão durante a gravidez é problemático. Os benefícios que a mãe possa obter têm de ser comparados com os potenciais riscos para o feto. No entanto, quando a gravidez se encontra num estado muito avançado, esta perturbação pode indicar uma grave ameaça para a mãe e para o feto e deve ser feito um tratamento de imediato.

Se a mulher gestante tiver tido antes uma infecção urinária, analisa-se uma amostra da sua urina no princípio da gravidez. Se forem detectadas bactérias, administram-se antibióticos (Ver secção 22, capítulo 247) para prevenir uma infecção renal, pois esta associa-se ao parto antes do termo e à rotura prematura das membranas.

As infecções bacterianas da vagina durante a gravidez também podem levar a um parto antes do termo ou a uma rotura prematura das membranas. O tratamento da infecção com antibióticos reduz a probabilidade de ter estes problemas.

Uma doença que provoque febre alta (temperatura superior aos 39,5ºC) no primeiro trimestre da gravidez aumenta a probabilidade de sofrer um aborto e de haver anomalias no sistema nervoso do recém-nascido. A febre no fim da gravidez aumenta a possibilidade de um parto prematuro.

As intervenções cirúrgicas de urgência durante a gravidez aumentam o risco de um parto prematuro. Muitas doenças, como a apendicite, uma afecção da vesícula biliar e a obstrução intestinal são difíceis de diagnosticar devido às alterações normais que se dão no abdómen durante a gravidez. Como consequência, quando se diagnostica uma dessas doenças, é provável que ela se encontre num estado avançado, o que aumenta a morbilidade e a mortalidade.

Complicações da gravidez

Incompatibilidade de Rh. A mãe e o feto podem ter tipos de sangue incompatíveis. O mais frequente é a incompatibilidade de Rh (Ver secção 22, capítulo 245), que pode originar uma doença hemolítica do recém-nascido. Esta doença só se verifica quando uma mãe Rh-negativo e um pai Rh-positivo têm um feto cujo sangue é Rh-positivo e a mãe produz anticorpos contra o sangue do feto. Se uma futura mãe é Rh-negativo, deve-se procurar a presença de anticorpos contra o sangue do feto de 2 em 2 meses. O risco de produzir estes anticorpos aumenta depois de qualquer crise de hemorragia em que o sangue da mãe e o do feto possam misturar-se, depois de uma amniocentese ou depois da recolha de amostras de vilosidades coriónicas e dentro das primeiras 72 horas após o parto, se o recém-nascido for Rh-positivo. Nestas circunstâncias e às 28 semanas de gravidez, é administrada à mãe imunoglobulina (D)Rh0, que adere aos anticorpos e os destrói.

Hemorragia. As causas mais frequentes de hemorragia no último trimestre da gestação são a localização anormal da placenta, o seu desprendimento precoce e uma doença da vagina ou do colo uterino, como uma infecção.

Considera-se que todas as mulheres que sangram neste período da gravidez correm o risco de abortar, perder uma quantidade excessiva de sangue (hemorragia) ou morrer durante o parto. Uma ecografia, o exame do colo uterino e o teste de Papanicolaou (Pap) ajudam a determinar a causa da hemorragia.

Problemas com o líquido amniótico. Uma quantidade excessiva de líquido amniótico nas membranas que rodeiam o feto aumenta o tamanho do útero e exerce pressão sobre o diafragma da mãe, o que pode provocar-lhe graves problemas respiratórios ou acabar num parto prematuro. O desenvolvimento excessivo de líquido amniótico costuma acontecer na diabetes não controlada, em gravidezes múltiplas, quando há incompatibilidade de Rh feto-materno ou em anomalias congénitas do recém-nascido, sobretudo o esófago obstruído ou alterações do sistema nervoso. Em cerca de metade dos casos, a causa é desconhecida. Pelo contrário, a falta de líquido amniótico é associada a malformações congénitas das vias urinárias, atraso do crescimento intra-uterino ou perda do feto.

Parto prematuro. O parto tem mais probabilidades de começar prematuramente se a mãe apresentar defeitos estruturais no útero ou no colo uterino, hemorragia, stress mental ou físico, gravidez múltipla ou se tiver sido submetida a uma intervenção cirúrgica ao útero. O parto prematuro costuma ocorrer quando o feto se encontra numa posição anormal, como na apresentação das nádegas, em caso de desprendimento precoce da placenta, se a mãe sofrer de hipertensão arterial, ou quando há demasiado líquido amniótico à volta do feto. A pneumonia, a infecção renal e a apendicite também podem provocar um parto prematuro. Cerca de 30 % das mulheres que têm este tipo de parto sofrem de infecções uterinas apesar das membranas não se terem rompido. Não se sabe ao certo se o tratamento com antibióticos é eficaz.

Gravidez múltipla. Ter mais de um feto no útero aumenta as probabilidades de malformação fetal e de problemas no parto.

Gravidez pós-termo. Numa gravidez que continua para além de 42 semanas (depois do termo), a morte do recém-nascidoé três vezes mais possível do que numa gravidez que chega ao fim com normalidade. Por isso, nestes casos faz-se uma monitorização electrónica do ritmo cardíaco e fazem-se ecografias para controlar o feto.



Política de Privacidade Termos de Utilizaçao Direitos Reservados © 2006 MERCK SHARP & DOHME PORTUGAL Merck & CO., (USA)