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Problemas da alimentação e digestão


Os problemas intestinais e de alimentação mais frequentes no recém-nascido não são graves. Costumam resolver-se espontaneamente ou então podem tratar-se adaptando os hábitos alimentares.

Regurgitação e vómitos

As crianças costumam bolsar (regurgitar) quantidades de leite enquanto se alimentam ou pouco depois da mamada, geralmente quando arrotam, e isto é considerado normal. Às vezes a regurgitação produz-se por uma ingestão de líquidos demasiado rápida que favorece que engulam ar. Nas crianças alimentadas com biberão a regurgitação pode reduzir-se utilizando biberões com tetinas mais firmes e buracos mais pequenos. Fazer arrotar a criança mais frequentemente durante as mamadas ajuda tanto os bebés alimentados com peito como os que tomam biberão. A regurgitação excessiva pode ser consequência de uma sobrealimentação. Embora se utilizem métodos de alimentação óptimos, muitas crianças continuam bolsando um pouco, o que se considera normal.

Pelo contrário, o facto de vomitar em grandes quantidades pode indicar que existe um problema. O vómito enérgico e repetido (vomitar em projéctil) pode indicar um estreitamento ou obstrução da saída do estômago (estenose pilórica). A obstrução do intestino delgado pode produzir um vómito amarelo-esverdeado tingido de bílis que deve ser avaliado por um médico. Certas doenças metabólicas, como a galactosemia (Ver secção 23, capítulo 267) (elevada quantidade de galactose no sangue), também podem causar vómitos. Uma criança que vomita e tem febre, com ou sem sonolência, pode padecer de uma infecção.

Alimentação insuficiente

As crianças pequenas que comeram o suficiente, frequentemente, acalmam-se ou adormecem pouco depois de cada mamada. Pelo contrário, uma criança que não comeu o suficiente pode estar inquieta, acorda uma ou duas horas depois de ter comido e parece esfomeada. Um aumento de peso inferior a 170 g ou 225 g por semana numa criança com menos de 4 meses é anormalmente baixo e pode indicar uma alimentação insuficiente. Isto às vezes é a causa de um atraso no desenvolvimento. (Ver secção 23, capítulo 257)

Para determinar se o problema é uma alimentação insuficiente ou um problema mais grave, o médico analisa os pormenores da alimentação da criança juntamente com os pais. Os bebés alimentados com leite materno que não aumentam de peso o suficiente podem pesar-se antes e depois de cada mamada para obter uma estimativa mais precisa de quanto leite consome. A dieta da criança alimentada com biberão pode modificar-se aumentando a quantidade total de leite em cada mamada.

Sobrealimentação

Os problemas relacionados com a obesidade que surgem com o decorrer dos anos às vezes têm a sua origem na sobrealimentação durante a lactação. Além disso, um filho de pais obesos é mais propenso à obesidade. De facto, um bebé tem 80 % de probabilidades de ser obeso se os pais o forem. Se o aumento de peso, como se descreve na tabela de crescimento normal (Ver tabela da secção 23, capítulo 251), é demasiado rápido, pode ser de grande utilidade controlar o ritmo do aumento de peso.

Diarreia

Os recém-nascidos habitualmente fazem de quatro a seis defecações líquidas por dia. As crianças que tomam o peito costumam ter evacuações frequentes e espumosas, sobretudo antes de começarem a ingerir alimentos sólidos. A consistência das mesmas não é importante, a menos que a criança tenha pouco apetite, vómitos, perca peso, não aumente de peso ou se observe sangue nas fezes.

A infecção produzida por bactérias ou vírus pode produzir diarreia súbita grave e constitui a causa mais frequente de diarreia aguda nas crianças pequenas. (Ver secção 23, capítulo 253) Uma diarreia ligeira que dura semanas ou meses pode ser causada por diversas circunstâncias, como uma doença celíaca, a fibrose quística, má absorção do açúcar ou uma alergia.

A doença celíaca é hereditária e consiste em o glúten, uma proteína dos cereais presente principalmente no trigo, originar uma reacção alérgica que afecta a superfície interna do intestino, causando uma absorção insuficiente das gorduras da dieta. (Ver secção 9, capítulo 110) Esta doença provoca desnutrição, pouco apetite e uma defecação clara, abundante e malcheirosa. Trata-se eliminando da dieta todos os produtos que contenham trigo.

A fibrose quística (Ver secção 4, capítulo 43) é uma doença hereditária que altera a função de vários órgãos, incluindo o pâncreas. Um pâncreas afectado por fibrose quística não produz suficientes enzimas para digerir proteínas e gorduras. Sem os enzimas digestivos apropriados, o corpo perde demasiadas proteínas e gorduras pelas fezes e isso produz desnutrição e atraso no crescimento. A defecação é abundante e frequentemente malcheirosa. Para controlar o problema pode administrar-se extracto de pâncreas por via oral.

A má absorção de açúcares produz-se quando o bebé carece de certos enzimas intestinais que permitem digerir determinados açúcares (por exemplo, a lactasa para digerir lactose). Os enzimas podem estar ausentes temporariamente devido a uma infecção intestinal ou então de forma permanente por causa de um problema hereditário. O problema pode ser tratado eliminando os açúcares específicos da dieta.

Embora em raras ocasiões uma alergia ao leite possa causar diarreia, vómitos e sangue na defecação, os sintomas costumam desaparecer rapidamente quando um tipo de leite se substitui por um preparado de soja, reaparecendo logo que se volte ao leite. No entanto, alguns bebés que não toleram o leite também não toleram preparados de soja. As crianças quase nunca são alérgicas ao leite materno.

Obstipação

É difícil identificar a obstipação no bebé, já que a quantidade de defecação pode variar consideravelmente. Um bebé que em algumas ocasiões defeca quatro vezes ao dia, noutras alturas pode fazê-lo uma só vez em cada dois dias.

Muito frequentemente as crianças sofrem um pequeno incómodo ao excretarem matéria fecal dura e grande, enquanto outras choram quando eliminam uma mole. O ânus de um bebé com menos de 3 meses de idade pode ser estreito, o que supõe um esforço persistente e a eliminação de fezes finas. O médico pode diagnosticar este problema introduzindo suavememte um dedo com uma luva no ânus da criança. Dilatando o ânus uma ou duas vezes, costumam aliviar-se os sintomas.

Um dejecto de grande tamanho pode rasgar o revestimento do ânus (fissura anal), causando dor durante a evacuação e o possível aparecimento de uma pequena quantidade de sangue de cor vermelha intensa nas fezes. O médico pode identificar uma fissura com um anuscópio. Nos bebés, a maioria das fissuras sara rapidamente sem tratamento, mas um laxante suave pode facilitar a sua cura.

A obstipação intensa persistente, sobretudo se começa antes do primeiro mês, pode indicar um problema mais grave. Estes problemas incluem a doença de Hirschsprung (uma quantidade de nervos deficiente com um intestino demasiado grande) ou o mau funcionamento da tiróide.



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