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Sintomas durante uma doença mortal


Muitas doenças mortais produzem sintomas semelhantes, como a dor, a falta de ar, as perturbações grastrointestinais, as lesões da pele e o esgotamento. Também podem manifestar-se depressões, ansiedade, confusão, delírio, perda de conhecimento e invalidez.

Dor

Existe um sentimento generalizado de receio da dor quando se tem de enfrentar a morte. No entanto, habitualmente pode controlar-se a dor, permitindo o estado de consciência do doente e que este se sinta integrado no mundo que o rodeia e cómodo.

Aplicam-se diversos métodos para controlar e aliviar a dor. A radioterapia é útil nas dores causadas pelo cancro. A fisioterapia ou os analgésicos como o paracetamol e a aspirina são usados para controlar as dores mais ligeiras. Em algumas pessoas obtém-se um alívio eficaz com hipnose ou com biorretroalimentação, que não tem efeitos adversos consideráveis. Mesmo assim, é frequente recorrer-se a calmantes como a codeína e a morfina. (Ver secção 6, capítulo 61) Os sedativos administrados por via oral aliviam a dor durante várias horas; os fármacos mais fortes são administrados por injecção. Uma vez que a adição aos fármacos não constitui qualquer problema, deve administrar-se uma medicação adequada desde o início em vez de esperar que a dor atinja níveis insuportáveis. Dado que não existe uma dose habitual, alguns doentes necessitarão de doses baixas e outros de doses maiores.

Dispulia

O facto de ter de lutar para respirar é uma das maneiras mais dolorosas de viver ou de morrer, mas que pode ser evitada. Existem vários métodos que ajudam a aliviar a sensação de falta de ar (dispulia); por exemplo, eliminar a acumulação de líquidos, mudar a posição do doente, dar-lhe oxigénio suplementar ou reduzir com radiações ou com corticóides um tumor que obstrui as vias respiratórias.

Os sedativos facilitam a respiração dos doentes que experimentam uma falta de ar ligeira mas persistente, mesmo quando não sentem dor. A administração destes fármacos antes de se deitar pode proporcionar um repouso tranquilo ao doente, evitando que se levante com frequência devido à sensação de dispulia.

Se esses tratamentos não forem eficazes, a maioria dos médicos que trabalham em centros para doentes terminais estão de acordo em administrar uma dose suficiente de sedativos, com o fim de aliviar a sensação de falta de ar do doente, mesmo que tenha de ficar inconsciente. Um doente que deseje evitar a dispulia no final da sua vida deve assegurar-se de que o médico tratará este sintoma por todos os meios, mesmo que esse tratamento o deixe inconsciente ou possa de algum modo acelerar o momento da sua morte.

Perturbações gastrointestinais

Essas perturbações, que são frequentes nas pessoas muito doentes, incluem secura da boca, náuseas, obstipação, obstrução intestinal e perda de apetite. Algumas destas perturbações são causadas pela própria doença, embora outras, como a obstipação, se devam aos efeitos secundários dos fármacos.

A boca seca alivia-se com gazes molhadas ou com rebuçados e os lábios gretados aliviam-se com vários produtos disponíveis no mercado. Para prevenir os problemas nos dentes, deve-se escová-los ou usar esponjas bocais para limpar quer os dentes, quer o interior da boca e a língua. É aconselhável utilizar um líquido para bochechar sem álcool ou com uma pequena quantidade, dado que o álcool e os produtos derivados do petróleo são muito dessecantes.

As náuseas e os vómitos podem ser devidos aos medicamentos, a uma obstrução intestinal ou ao próprio desenvolvimento da doença. Segundo as circunstâncias, o médico optará por mudar os fármacos ou receitar um antiemético (contra as náuseas). Deste modo, as náuseas produzidas por uma obstrução intestinal podem ser tratadas com antieméticos, mas também se podem aplicar outras medidas de alívio.

A obstipação é uma perturbação muito desagradável. A ingestão de pouca quantidade de comida, a falta de actividade física e certos fármacos dificultam a função do intestino com a possibilidade de aparecerem contracções musculares. O uso de emolientes intestinais, de laxantes e de enemas alivia a obstipação, sobretudo quando é o resultado da administração de sedativos; esta medida de alívio é habitualmente útil, mesmo nas fases avançadas da doença.

A intervenção cirúrgica é um dos tratamentos aplicados em caso de obstrução intestinal. No entanto, conforme o estado geral do doente, o tempo que lhe resta de vida e a causa da obstrução, pode ser preferível o uso de fármacos para paralisar o intestino, às vezes com uma sonda nasogástrica com aspiração para limpar o estômago. Os sedativos também aliviam a dor.

A perda de apetite aparece em quase todos os doentes moribundos. De facto é normal, não causa problemas físicos adicionais e provavelmente desempenha um papel preciso durante uma agonia tranquila, embora possa angustiar o doente e a sua família. Os doentes não devem comer à força, pelo contrário, podem desfrutar comendo pequenas quantidades das suas comidas preferidas.

Se não se espera uma morte eminente, dentro de horas ou de dias, pode administrar-se, durante algum tempo, uma nutrição ou uma hidratação adicionais (por via intravenosa ou através de uma sonda introduzida pelo nariz até ao estômago), para ver se uma alimentação melhor oferece ao doente mais bem-estar, mais lucidez mental ou mais energia. O doente e a família devem ter um acordo explícito com o médico sobre o que é que estão a tentar conseguir com essas medidas e quando devem cessá-las se já não forem úteis.

A redução da comida ou do consumo de líquidos não causa sofrimento. De facto, quando o coração e os rins falham, ingerir uma quantidade normal de líquidos causa, muitas vezes, a sufocação, dado que o líquido se acumula nos pulmões. Um consumo reduzido de alimentos e de líquidos pode reduzir a necessidade de aspirações devido à menor quantidade de líquidos na garganta, e também pode diminuir a dor, devido à menor pressão exercida pelos tumores. Também facilita a secreção de maiores quantidades de defesas químicas naturais contra a dor (endorfinas). Portanto, não se deve obrigar o doente a comer nem a beber, sobretudo se para isso se tem de recorrer a um tratamento intravenoso ou à hospitalização.

Lesões da pele

Os doentes moribundos são propensos a sofrer lesões cutâneas incómodas. A escassa mobilidade, o estar acamado ou sentado durante muito tempo, aumentam os riscos de lesão; podem inclusive verificar-se escaras ou lesões na pele pela pressão normal que se exerce sobre ela ao estar sentado ou mover-se entre os lençóis. Deve prestar-se muita atenção à protecção da pele, por isso é importante que se informe o médico de qualquer avermelhamento ou ferida. (Ver secção 23, capítulo 197)

Esgotamento

O esgotamento faz parte dos sintomas de quase todas as doenças mortais. É aconselhável que o doente procure poupar energias para as actividades que realmente importam. Muitas vezes, não é essencial deslocar-se ao consultório do médico ou continuar com um exercício que já não é de grande ajuda, sobretudo se isso consome as energias necessárias para outras actividades que produzam maior satisfação.

Depressão e ansiedade

A tristeza é uma reacção natural quando se considera o final da vida, mas não deve confundir-se com a depressão. Quando uma pessoa está deprimida pode perder o interesse pelo que acontece, ver só o aspecto triste da vida ou não sentir emoções. (Ver secção 7, capítulo 84) Tanto a família como o doente que enfrenta a fase terminal devem comunicar ao médico essas sensações, para que este possa estabelecer o diagnóstico da depressão e aplicar um tratamento adequado. Em geral, o tratamento combina fármacos e apoio psicológico e, frequentemente, tem efeitos positivos sobre o bem-estar, inclusive nas últimas semanas de vida.

A ansiedade caracteriza-se por uma preocupação excessiva que interfere nas actividades diárias. (Ver secção 7, capítulo 83) A ansiedade causada pelo facto de se sentir mal informado ou abatido pode solucionar-se solicitando mais informação ou ajuda à equipa que assiste o doente. Um indivíduo que habitualmente sentia ansiedade durante períodos de stress tem mais probabilidades de sentir ansiedade quando a morte se aproxima. Neste caso podem ser úteis os tratamentos aplicados anteriormente para aliviar os efeitos da ansiedade, quer seja a administração de fármacos, quer a canalização das inquietações do doente para tarefas produtivas. Um doente moribundo, perturbado pela ansiedade, deve receber apoio psicológico e tratamento farmacológico com ansiolíticos.

Confusão, delírio e perda de consciência

É fácil que um doente gravemente doente fique confuso. Um fármaco, uma infecção menor ou inclusive uma alteração na maneira de viver podem precipitar a confusão. Este estado pode ser aliviado, procurando tranquilizar e orientar o doente. No entanto, deve avisar-se o médico dessa circunstância para que ele possa diagnosticar e tratar as causas da confusão. Um paciente muito confuso pode necessitar da administração de um sedativo suave ou da atenção constante de algum membro do pessoal de saúde.

Uma pessoa moribunda com delírios ou que se encontre mentalmente incapacitada não entenderá o seu estado de agonia. Quando a morte está próxima, uma pessoa com delírios pode, por vezes, ter surpreendentemente períodos de lucidez. Estes episódios podem ser muito importantes para os membros da família, mas às vezes confundem-se com uma melhoria. A família deve estar preparada para o caso de estes episódios surgirem, mas não deve confiar que apareçam.

Durante os últimos dias que precedem a morte, cerca de metade das pessoas estão inconscientes a maior parte do tempo. Se os membros da família julgam que uma pessoa moribunda e inconsciente ainda pode ouvir, podem despedir-se dela como se os ouvisse. Morrer em estado de inconsciência é uma forma serena de o fazer, sobretudo se o doente e a sua família estão em paz e já elaboraram todos os planos.

Invalidez

As doenças mortais associam-se, muitas vezes, à invalidez progressiva. O indivíduo torna-se gradualmente incapaz de se ocupar da sua casa, de preparar a comida, de gerir os assuntos financeiros, de andar ou de cuidar de si mesmo. A maioria dos doentes moribundos necessita de ajuda nas suas últimas semanas de vida. Esta invalidez deveria ser prevista com antecedência, escolhendo talvez casas com acessos para cadeiras de rodas e perto dos familiares que lhe possam prestar os seus cuidados. Mesmo quando a invalidez evolui, existem certos serviços que facilitam a permanência do doente em casa, como a terapia ocupacional ou a fisioterapia e os cuidados ao domicílio por parte de enfermeiros. Alguns doentes escolhem ficar em casa, inclusive sabendo que é perigoso, uma vez que preferem a morte prematura a serem internados num centro hospitalar.



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