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Intoxicação por chumbo


A intoxicação por chumbo é habitualmente uma perturbação crónica. Em certas ocasiões, os sintomas apresentam-se periodicamente. Algumas lesões, como a deficiência intelectual nas crianças e a doença renal progressiva nos adultos, podem ser irreversíveis.

O risco de apresentar sintomas por intoxicação por chumbo aumenta à medida que aumentam os valores de chumbo no sangue. Com valores altos, o risco de lesão cerebral é grande, embora imprevisível. Valores baixos mas constantes aumentam o risco de deficiência intelectual a longo prazo.

Sintomas

Nos adultos, pode manifestar-se uma característica cadeia de sintomas durante várias semanas ou mais. A personalidade modifica-se, aparecem dores de cabeça, sabor metálico na boca, falta de apetite e incómodos abdominais que acabam em vómitos, prisão de ventre e dor abdominal. A lesão cerebral é pouco frequente nos adultos.

Nas crianças, os sintomas podem começar com várias semanas de irritabilidade e com a perda de interesse pelos jogos. Mais tarde, de forma brusca, aparecem sintomas de maior gravidade que pioram de 1 a 5 dias. Estes incluem vómitos violentos e persistentes, instabilidade ao andar, confusão, sono e, finalmente, convulsões incontroláveis e coma. Estes sintomas de lesão cerebral são causados principalmente pelo inchaço do cérebro. Tanto as crianças como os adultos podem sofrer de anemia. (Ver secção 14, capítulo 154) Alguns sintomas podem diminuir espontaneamente caso se interrompa a exposição ao chumbo, piorando novamente se esta recomeçar. Contudo, o fim da exposição não elimina os riscos de lesão cerebral, sendo necessário um tratamento.

Diagnóstico

A maioria dos casos de intoxicação por chumbo diagnostica-se por meio de controlos periódicos em crianças que apresentam alto risco de intoxicação, como as que vivem em casas antigas com pinturas à base de chumbo e que, com o tempo, se deterioraram.

Contudo, o médico pode reconhecer os sintomas e realizar uma análise para confirmar se a concentração de chumbo no sangue é alta. A medição da quantidade de chumbo eliminada na urina durante o primeiro dia de tratamento contribui para a confirmação do diagnóstico. Pode obter-se informação adicional do diagnóstico analisando amostras de medula óssea e, em crianças, radiografias do abdómen e de ossos compridos.

Tratamento

O ponto mais importante do tratamento é retirar o chumbo do meio em que vive a criança.

As crianças com sintomas graves devem começar o tratamento, em geral, antes que os resultados das análises possam confirmar o diagnóstico. É difícil eliminar o chumbo acumulado no organismo. Todos os tratamentos da intoxicação por chumbo levam tempo e devem ser supervisionados cuidadosamente, e, mesmo assim, podem produzir muitos efeitos colaterais. O ácido dimercaptosuceínico (DMSA) administrado por via oral une-se ao chumbo e contribui para o dissolver nos líquidos do corpo para que possa ser excretado pela urina. Os efeitos colaterais mais habituais do DMSA são uma erupção cutânea, náuseas e vómitos, diarreia, perda de apetite, assim como sabor metálico na boca e anomalias nas provas de função hepática (valores de transaminases).

Quando o valor de chumbo é tão alto que implica um elevado risco de lesão cerebral, é preciso hospitalizar urgentemente. O dimercaprol e o edetato de cálcio dissódico administram-se por meio de várias injecções. O tratamento dura de 5 a 7 dias consecutivos para evitar o esgotamento das reservas de outros metais essenciais no organismo, particularmente de zinco. O paciente recebe líquidos por via endovenosa ou por via oral para evitar os vómitos que o dimercaprol provoca muitas vezes. O tratamento por vezes deve ser repetido depois de um período de interrupção.

Depois de interrompido o tratamento com estes medicamentos, a concentração de chumbo no sangue habitualmente aumenta de novo porque se produz uma nova libertação do chumbo ainda armazenado nos tecidos do organismo. Em geral, a penicilamina por via oral pode ajudar a eliminar o chumbo; administra-se dois dias depois do tratamento com edetato de cálcio dissódico. Ao reduzir o tempo de exposição ao excesso de chumbo do cérebro no desenvolvimento, a administração de edetato de cálcio dissódico e, a seguir, da penicilamina pode ajudar no caso de algumas crianças que apresentem valores de chumbo muito altos. Em geral receita-se ferro, zinco e complementos de cobre para compensar as perdas destes metais durante o tratamento com penicilamina a longo prazo.

Os efeitos colaterais do edetato de cálcio dissódico são provavelmente causados pela perda de zinco e consistem em lesão renal, aumento dos valores de cálcio no sangue, febre e diarreia. A lesão renal, mais provável com doses altas deste medicamento, habitualmente é reversível. A penicilamina pode causar erupções cutâneas, aparecimento de proteínas na urina e diminuição dos glóbulos brancos. Estas reacções são reversíveis se a penicilamina for rapidamente interrompida. O dimercaprol pode causar destruição de glóbulos vermelhos (hemólise) em algumas pessoas.

Nenhum destes medicamentos deve ser prescrito com fins preventivos a trabalhadores do chumbo ou a pessoas expostas a altas concentrações do mesmo, já que esses medicamentos podem aumentar a absorção de chumbo. Para estas pessoas, é necessário um tratamento a longo prazo (reduzindo a sua exposição ao chumbo). Quando as crianças têm um valor de chumbo de 10 microgramas por decilitro ou mais, deve-se reduzir a sua exposição ao mesmo.




Fontes de chumbo

Uma pessoa pode ficar exposta a quantidades relativamente grandes de chumbo nas seguintes situações:

  • Engolindo reiteradamente pedacitos de pintura que contenham chumbo.
  • Permitindo que um objecto metálico de chumbo, como uma bala, um peso de cortina, um peso dos que se usam para pescar ou apanhar pássaros, permaneça no estômago ou numa articulação, onde o chumbo se dissolve lentamente.
  • Consumindo bebidas ou refeições ácidas (frutas, sumos de fruta, refrescos de cola, tomate, sumo de tomate, vinho, sidra) contaminadas por permanecerem armazenadas de forma inadequada em artigos de cerâmica revestidos de chumbo.
  • Queimando madeira pintada com chumbo ou toros na lareira de casa ou em estufas.
  • Tomando medicamentos que contenham compostos de chumbo.
  • Utilizando artigos de cerâmica revestidos de chumbo ou vidro com chumbo para guardar ou servir comida.
  • Bebendo whisky ou vinho destilado em casa ou de contrabando que esteja contaminado com chumbo.
  • Inalando gases de gasolina com chumbo.
  • Expondo-se a trabalhos relacionados com fontes de chumbo sem estar protegido com respiradores, ventilação adequada ou aparelhos que eliminam o pó.
    A exposição a pequenas quantidades, principalmente de pó e terra contaminados de chumbo, pode aumentar os valores de chumbo em crianças e exigir tratamento, embora não existam sintomas.


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