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Mordeduras de serpentes venenosas


Existem muitas espécies de serpentes. A título de exemplo, nos Estados Unidos ocorrem por ano mais de 45 000 mordeduras de serpente, mas só 8000 são venenosas e o número de vítimas mortais é inferior a 15. A maior parte das mortes ocorre em crianças, idosos, pessoas que não são tratadas ou que são tratadas de forma imprópria e em pessoas que pertencem a seitas religiosas cujos membros estão em contacto com serpentes venenosas. Neste mesmo país, a cobra-cascavel é responsável por 70 % das mordeduras de serpentes venenosas e de quase todas as mortes.

A copperhead (cabeça-de-cobre) e, em menor proporção, a mocassino-boca-de-algodão são responsáveis pela maior parte do resto das mordeduras por serpentes venenosas. As serpentes-de-coral provocam menos de 1 % do total das mordeduras.

As serpentes importadas que se encontram nos jardins zoológicos, em quintas ou em colecções de profissionais ou aficionados são responsáveis por cerca de 15 mordeduras por ano.

A mordedura de uma serpente venenosa nem sempre provoca sintomas de intoxicação. Cerca de 25 % de todas as serpentes da família dos crotalídeos e de 50 % das mordeduras de cobras e de serpentes-de-coral não injectam veneno. O veneno das serpentes é uma mistura complexa que contém proteínas que desencadeiam reacções prejudiciais. Pode afectar quase todos os órgãos do corpo de uma forma directa ou indirecta.

O veneno da cobra-cascavel e de outras víboras lesa o tecido que rodeia a mordedura, provoca alterações nas células sanguíneas, evita que o sangue coagule e lesa os vasos sanguíneos, causando perdas através dos mesmos. Estas alterações podem provocar hemorragias internas e insuficiência cardíaca, respiratória e renal. O veneno das serpentes-de-coral afecta o sistema nervoso, mas provoca pouco dano no tecido que rodeia a mordedura.

Mordeduras de serpente

A grande maioria das mordeduras de serpente localizam-se nas extremidades

Sintomas e diagnóstico

Os sintomas da mordedura das serpentes venenosas variam muito, dependendo do tamanho e da espécie da serpente, da quantidade e da toxicidade do veneno injectado, da localização da mordedura, da idade e do tamanho da vítima e da presença doutros problemas de saúde na pessoa que sofre a picada. A maioria das mordeduras são na mão ou no pé. Em geral, as que são provocadas pelas cobras-cascavéis, pelas mocassinos-de-água e por outras cobras provocam dor imediatamente após o veneno ter sido injectado; passados 10 minutos, surge a inflamação. Estes sintomas raramente se atrasam mais de 20 ou 30 minutos. A dor pode variar entre ligeira e intensa. É possível diagnosticar uma mordedura de serpente baseando-se nas marcas das presas, na vermelhidão, na dor, na inflamação e no formigueiro e falta de sensibilidade dos dedos da mão ou do pé ou à volta da boca, entre outros sintomas. Depois da mordedura de certas espécies de serpentes da família dos crotalídeos, as vítimas costumam notar um sabor metálico ou a borracha na boca.

Se não for tratado, o inchaço pode alastrar e afectar a totalidade da perna ou do braço em poucas horas. Os gânglios linfáticos da área afectada também se podem inflamar e provocar dor. Outros sintomas costumam ser: febre, calafrios, enfraquecimento, arritmia cardíaca, desfalecimento, sudação, náuseas e vómitos. Podem ocorrer dificuldades respiratórias, sobretudo depois de uma mordedura de cascavel Mojave. A vítima pode ter dor de cabeça, visão turva, pálpebras caídas e secura da boca.

O envenenamento moderado e grave provocado pela mordedura de serpentes costuma provocar hematomas (equimoses) na pele, que podem aparecer entre 3 e 6 horas depois da mordedura. A pele que rodeia a mordedura torna-se tensa e muda de cor. Podem formar-se bolhas no espaço de 8 horas e quase sempre estão cheias de sangue. A falta de tratamento pode provocar uma destruição do tecido circundante, com formação de coágulos de sangue nos vasos sanguíneos.

O veneno de várias serpentes da família dos crotalídeos, sobretudo a cobra-cascavel, impede que o sangue coagule. As gengivas podem sangrar e pode aparecer sangue no vómito, nas fezes e na urina.

Os resultados das análises ao sangue que determinam a capacidade de coagulação podem ser anormais e o número de plaquetas (os componentes do sangue responsáveis pela coagulação) pode estar visivelmente reduzido.

As mordeduras de serpentes-de-coral provocam pouca dor e inflamação ou absolutamente nada. Os principais sintomas são as alterações no sistema nervoso. Na zona que rodeia a mordedura sente-se formigueiro e os músculos próximos debilitam-se. Em seguida, a vítima pode manifestar falta de coordenação muscular e debilidade geral. Outros sintomas incluem alterações visuais e uma maior produção de saliva, com dificuldade em falar e engolir. Finalmente, podem desenvolver-se problemas respiratórios graves.

Tratamento

A mordedura de serpentes venenosas é uma urgência médica que requer assistência imediata. Antes de começar o tratamento, o pessoal médico das urgências deve tentar confirmar se foi na realidade uma serpente venenosa e, neste caso, se injectou o seu veneno. Se não o fez, o tratamento é o mesmo que para uma ferida incisa (limpeza profunda e uma dose de reforço da vacina antitetânica).

A vítima deverá ser mantida o mais calma e quieta possível, agasalhada, e deverá ser transferida de imediato para o centro médico mais próximo.

A extremidade mordida deve ser imobilizada, sem ser demasiado apertada, e mantida a uma altura inferior ao coração. Devem ser tirados os anéis, o relógio e todas as peças justas que leve e não devem ser administrados estimulantes. Sobre a mordedura é aconselhável a aplicação de um extractor de Sawyer (um dispositivo que suga o veneno do local da mordedura, concebido para os primeiros socorros) nos primeiros 5 minutos e é necessário mantê-lo colocado de 30 a 40 minutos mais, enquanto se faz a transferência para o hospital, para continuar o tratamento.

O antídoto (soro antiofídico), que neutraliza os efeitos tóxicos, é uma parte importante do tratamento na maioria das mordeduras. O antídoto é aplicado por via endovenosa. É também administrada uma dose de reforço da vacina antitetânica e, em certos casos, antibióticos.

O tratamento geral para as mordeduras de serpentes-de-coral é o mesmo que para as da família dos crotalídeos. Se ocorrem problemas respiratórios, é necessário que a respiração seja assistida. É possível que seja necessário utilizar um antídoto; existe um específico para as mordeduras de serpentes-de-coral.

Em todos os casos de envenenamento por mordedura de ofídios, sobretudo quando as vítimas são crianças ou idosos, dever-se-á contactar um centro de informação adequado. O jardim zoológico local ou um centro especializado deverão ser os primeiros sítios de consulta acerca do tratamento de uma mordedura por uma víbora venenosa de espécie importada. O pessoal destes centros sabe onde obter o antídoto e tem uma lista de médicos especialistas.



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