Merck Sharp & Dohme - Portugal
MSD Portugal Publicacoes MSD
Pesquisa
IntroduçãoAjuda


Imprimir Enviar Artigo

Insuficiência da válvula mitral


A insuficiência da válvula mitral (incompetência mitral) é o fluxo retrógrado de sangue pela válvula mitral, que não fecha bem de cada vez que o ventrículo esquerdo se contrai.

Quando o ventrículo esquerdo bombeia o sangue do coração para dentro da aorta, retrocede um pouco de sangue para a aurícula esquerda, aumentando assim o volume e a pressão nesta cavidade. Esta situação faz com que aumente a pressão nos vasos que levam sangue dos pulmões para o coração e, em consequência, acumula-se líquido (congestão) nos pulmões.

Há anos, a febre reumática costumava ser a causa mais frequente da insuficiência mitral. Mas, actualmente, a febre reumática é rara nos países onde se desenvolveu uma boa medicina preventiva. Assim, por exemplo, nesses países, o uso de antibióticos para tratar as infecções estreptocócicas da garganta evita o aparecimento desta doença, pelo que, actualmente, a febre reumática só é causa frequente de insuficiência mitral entre os idosos que não puderam beneficiar dos antibióticos adequados durante a sua juventude. No entanto, nos países que não dispõem de uma medicina preventiva suficientemente desenvolvida, a febre reumática é ainda frequente e, portanto, causa habitual da insuficiência mitral.

Em muitos países desenvolvidos, por exemplo, uma das causas mais frequentes de insuficiência mitral é o enfarte do miocárdio, que pode provocar lesões graves nas estruturas de suporte da válvula. Outra causa frequente é a degenerescência mixomatosa, uma afecção em que a válvula se vai debilitando progressivamente até se tornar demasiado flácida.

Sintomas

A insuficiência mitral moderada pode ser assintomática. A perturbação só pode identificar-se se o médico, auscultando com um fonendoscópio, ouvir um sopro cardíaco característico causado pelo retrocesso do sangue para o interior da aurícula esquerda quando o ventrículo esquerdo se contrai.

Devido a que o ventrículo esquerdo tem de bombear mais sangue para compensar o fluxo retrógrado para a aurícula esquerda, ele dilata-se gradualmente para aumentar a força de cada batimento cardíaco. O ventrículo dilatado pode provocar palpitações (a percepção dos próprios batimentos cardíacos enérgicos), sobretudo quando a pessoa está deitada sobre o lado esquerdo.

A aurícula esquerda tende também a dilatar-se para alojar o fluxo retrogrado procedente do ventrículo. Uma aurícula muito dilatada bate muitas vezes de um modo desorganizado e irregular (fibrilhação auricular) (Ver secção 3, capítulo 16), o que reduz a sua eficácia de bombeamento. Na realidade, uma aurícula em fibrilhação não consegue bombear, somente estremece, e a falta de fluxo de sangue apropriado provoca a formação de coágulos sanguíneos. Se um coágulo se desprender, pode obstruir uma artéria mais pequena e provocar um icto ou outras lesões.

A insuficiência mitral grave reduz o fluxo sanguíneo para a aorta, de tal modo que provoca insuficiência cardíaca e, como consequência, tosse, dispneia do esforço e edema das pernas.

Diagnóstico

A insuficiência mitral identifica-se habitualmente pela presença de um sopro característico (um som que se ausculta com um fonendoscópio quando o ventrículo esquerdo se contrai).

Um electrocardiograma (ECG) e uma radiografia do tórax mostram a dilatação do ventrículo esquerdo. O exame que dá mais informação é o ecocardiograma, uma técnica de obtenção de imagens através de ultra-sons que permite visualizar a válvula defeituosa e determinar a gravidade do problema. (Ver secção 3, capítulo 15)

Tratamento

Quando a insuficiência é grave, a válvula necessita de ser rapidamente reparada ou substituída antes que a perturbação do ventrículo esquerdo já não possa ser corrigida. Pode ser efectuada uma intervenção cirúrgica para reparar a válvula (valvuloplastia) ou para a substituir por uma mecânica ou por uma feita parcialmente com uma válvula de origem porcina. A reparação da válvula elimina a regurgitação ou redu-la suficientemente para que os sintomas se tornem toleráveis e para impedir lesões cardíacas. Cada método de substituição valvular tem as suas vantagens e as suas desvantagens. Apesar de as válvulas mecânicas serem geralmente eficazes, aumentam o risco de coágulos sanguíneos, pelo que se administram fármacos anticoagulantes indefinidamente para diminuir este risco. As válvulas feitas parcialmente com válvulas de porco funcionam bem e não têm o risco de provocar coágulos sanguíneos, mas por outro lado a sua duração é menor. Quando uma válvula substituta está defeituosa, deve substituir-se imediatamente.

A fibrilhação auricular pode também requerer tratamento. Fármacos como os betabloqueadores, a digoxina e o verapamil retardam a frequência cardíaca e ajudam a controlar a fibrilhação.

As superfícies das válvulas cardíacas lesionadas são propensas a sofrer infecções graves (endocardite infecciosa). (Ver secção 3, capítulo 21) Qualquer pessoa com uma válvula artificial ou danificada deveria tomar antibióticos antes de uma intervenção odontológica ou cirúrgica para prevenir a infecção.

Estenose e regurgitação

As válvulas cardíacas podem funcionar mal quer porque não abrem adequadamente (estenose), quer porque permitem infiltrações (regurgitação). Estas imagens ilustram os dois problemas na válvula mitral, embora ambos se possam manifestar também nas outras válvulas cardíacas.

Normalmente, logo depois da contracção do ventrículo esquerdo fecha-se a válvula aórtica e abre-se a válvula mitral e um pouco de sangue flui da aurícula esquerda para o ventrículo esquerdo. A seguir, contrai-se a aurícula esquerda, impulsionando mais sangue para o interior do ventrículo esquerdo. Quando o ventrículo esquerdo começa a contrair-se, a válvula mitral fecha-se, a válvula aórtica abre-se e o sangue é impulsionado para o interior da aorta.
No caso de estenose da válvula mitral, esta não se abre tanto como deveria e o fluxo sanguíneo proveniente da aurícula esquerda para o ventrículo esquerdo fica parcialmente restringido. Na regurgitação da válvula mitral, esta permite uma infiltração quando o ventrículo esquerdo se contrai e um pouco de sangue volta para trás, para o interior da aurícula esquerda.


Política de Privacidade Termos de Utilizaçao Direitos Reservados © 2006 MERCK SHARP & DOHME PORTUGAL Merck & CO., (USA)