Merck Sharp & Dohme - Portugal
MSD Portugal Publicacoes MSD
Pesquisa
IntroduçãoAjuda


Imprimir Enviar Artigo

Dissecção aórtica


Uma dissecção aórtica (aneurisma dissecante; hematoma dissecante) é uma situação muitas vezes mortal na qual o revestimento interno da parede da aorta se rasga enquanto o revestimento externo permanece intacto; o sangue penetra através da laceração e provoca a dissecção da camada média, o que origina a criação de um novo canal dentro da parede aórtica.

A deterioração da parede arterial é a causa da maioria das dissecções aórticas. A hipertensão é a causa mais frequente desta deterioração e detecta-se em mais de 75 % das pessoas que sofrem dissecções aórticas. Outras causas incluem doenças hereditárias do tecido conectivo, especialmente a síndroma de Marfan e a síndroma de Ehlers-Danlos; anomalias cardiovasculares congénitas como a coarctação da aorta, a persistência do canal arterial persistente e os defeitos da válvula aórtica (Ver secção 23, capítulo 254), a arteriosclerose e as lesões traumáticas. Em casos raros, acontece acidentalmente uma dissecção quando o médico introduz um cateter numa artéria (como na aortografia ou na angiografia) ou durante uma intervenção cirúrgica do coração e dos vasos sanguíneos.

A dissecção aórtica
Numa dissecção aórtica, o revestimento interno da parede aórtica rasga-se e o sangue introduz-se através da ruptura, separando a camada intermédia e criando um novo canal na parede.

Sintomas

Quase todas as pessoas com uma dissecção aórtica apresentam dor, geralmente repentina e muito intensa. Habitualmente, os doentes descrevem-na com uma ruptura ou rasgão no peito. Também é frequente nas costas, entre as omoplatas. A dor irradia na mesma direcção da dissecção ao longo da aorta. Enquanto a dissecção avança, ela pode tapar um ponto de onde uma ou várias artérias se ligam à aorta. Em função das artérias obstruídas, as consequências podem ser um acidente vascular cerebral, um ataque cardíaco, uma dor abdominal repentina, uma lesão nervosa que cause formigueiro e a impossibilidade de mover uma extremidade.

Diagnóstico

De um modo geral, os sintomas característicos de uma dissecção aórtica permitem ao médico estabelecer um diagnóstico bastante óbvio. Em 75 % dos doentes com dissecção aórtica observa-se, durante o exame, uma redução ou ausência de pulso nos braços e nas pernas. Uma dissecção que retrocede para o coração pode causar um sopro que se ausculta com o fonendoscópio. O sangue pode acumular-se no peito. Uma perda de sangue de uma dissecção, à volta do coração, pode impedir que este bata adequadamente e causar um tamponamento cardíaco (Ver imagem da secção 3, capítulo 22) (uma situação potencialmente mortal).

Em 90 % dos doentes com sintomas, a radiografia do tórax mostra a imagem de uma aorta dilatada. A ecografia costuma confirmar o diagnóstico mesmo que não haja dilatação aórtica. A tomografia axial computadorizada (TAC), efectuada depois de injectar uma substância de contraste, é uma exame fiável e pode fazer-se rapidamente, o que é importante em caso de urgência.

Tratamento

As pessoas com uma dissecção aórtica devem ser atendidas numa unidade de cuidados intensivos, onde os seus sinais vitais (pulso, pressão arterial e ritmo da respiração) são cuidadosamente controlados. A morte pode ocorrer poucas horas depois de se iniciar a dissecção aórtica. Por conseguinte, administram-se fármacos o mais cedo possível para reduzir a frequência cardíaca e a pressão arterial até valores mínimos com os quais se possa manter um fornecimento suficiente de sangue ao cérebro, ao coração e aos rins. Imediatamente a seguir ao tratamento farmacológico, o médico deve decidir se a cirurgia está indicada ou se se continuará a terapia com fármacos.

Os médicos aconselham, geralmente, a cirurgia em dissecções que afectem os primeiros centímetros da aorta, contíguos ao coração, a menos que as complicações da dissecção impliquem um risco cirúrgico excessivo. Para as dissecções mais afastadas do coração, os médicos mantêm, geralmente, a farmacoterapia, com excepção daquelas dissecções que provocam saída de sangue da artéria e das dissecções nas pessoas com a síndroma de Marfan. Nestes casos, é necessária a cirurgia.

Durante a cirurgia, o cirurgião extrai a maior parte possível da aorta dissecada, impede que o sangue entre no canal falso e reconstrói a aorta com um enxerto sintético. Se a válvula aórtica se encontrar danificada, repara-se ou substitui-se.

Prognóstico

Cerca de 75 % das pessoas com dissecção aórtica e que não recebem tratamento morrem nas duas primeiras semanas. Pelo contrário, 60 % das que são tratadas e que sobrevivem às duas primeiras semanas continuam vivas ao fim de 5 anos; 40 % sobrevivem pelo menos 10 anos. Daquelas que morrem depois das duas primeiras semanas, um terço morre por complicações da dissecção e os dois terços restantes por causa de outras doenças.

Nos principais centros médicos especializados, a dissecção aórtica proximal (isto é, próxima do coração) representa uns 15 % do índice de mortalidade devido à cirurgia e essa percentagem é um pouco mais elevada para as dissecções aórticas mais distantes.

Às pessoas com uma dissecção aórtica, inclusive as que foram operadas, administra-se uma farmacoterapia de longo prazo para manter uma pressão arterial baixa e, portanto, para reduzir a tensão sobre a aorta.

Deve efectuar-se um acompanhamento meticuloso das complicações tardias; as três mais importantes são outra dissecção, o desenvolvimento de aneurismas na aorta debilitada e uma insuficiência progressiva da válvula aórtica. Qualquer destas complicações exige uma reparação cirúrgica.



Política de Privacidade Termos de Utilizaçao Direitos Reservados © 2006 MERCK SHARP & DOHME PORTUGAL Merck & CO., (USA)