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Cancro do pulmão


A maioria das formas de cancro do pulmão tem a sua origem nas células dos pulmões; no entanto, o cancro também pode propagar-se (metástase) ao pulmão a partir de outras partes do organismo.

O cancro do pulmão é o mais frequente, quer em homens, quer em mulheres, e o mais importante, pois é a causa mais frequente de morte causada por cancro tanto em homens como em mulheres.

Causas

O hábito de fumar cigarros é a causa principal em 90 % dos casos de cancro do pulmão. O cancro do pulmão aumentou nas mulheres devido ao costume mais difundido de fumar cigarros. Quanto mais cigarros se fumam, maior é o risco de se contrair o cancro do pulmão.

Uma proporção reduzida de cancros do pulmão (entre 10 % e 15 % nos homens e 5 % nas mulheres) é consequência das substâncias que se encontram ou que se aspiram no local de trabalho. Trabalhar com amianto, radiação, arsénico, crómio, níquel, éter clorometílico, gás mostarda e emissões de coque dos fornos relaciona-se com o cancro do pulmão, embora, geralmente, só nas pessoas que também fumam cigarros.

Está por determinar o papel que a poluição do ar desempenha como causadora do cancro do pulmão. A exposição ao gás radão em ambiente doméstico pode ser importante num número reduzido de casos. Às vezes, algumas formas de cancro do pulmão, especialmente o adenocarcinoma e o carcinoma de células alveolares, verificam-se em pessoas cujos pulmões têm cicatrizes produzidas por outras doenças pulmonares, como a tuberculose e a fibrose.

Tipos de cancro do pulmão

Mais de 90 % dos cancros do pulmão começam nos brônquios (as grandes vias aéreas que levam o ar aos pulmões); este cancro, em particular, denomina-se carcinoma brônquico. Os tipos deste cancro são o carcinoma epidermóide, o carcinoma de células pequenas (células em forma de grão de aveia), o carcinoma de células grandes e o adenocarcinoma.

O carcinoma de células alveolares origina-se nos sacos de ar do pulmão (alvéolos). Embora este tipo de cancro possa ser um tumor único, desenvolve-se com frequência em mais de uma zona do pulmão.

Os tumores do pulmão menos frequentes são o adenoma brônquico (que pode ser ou não canceroso), o hamartoma condromatoso (não canceroso) e o sarcoma (canceroso). O linfoma é um tipo de cancro linfático que pode começar nos pulmões ou propagar-se aos pulmões.

Propagam-se aos pulmões muitas formas de cancro que têm origem em qualquer parte do organismo. O cancro estende-se aos pulmões muito frequentemente a partir da mama, do cólon, da próstata, do rim, da tiróide, do estômago, do colo do útero, dos testículos, dos ossos e da pele.

Sintomas

Os sintomas de cancro de pulmão dependem do tipo de cancro, da sua localização e do seu modo de propagação. De modo geral, o sintoma principal é uma tosse persistente. As pessoas com bronquite crónica que desenvolvem o cancro do pulmão percebem com frequência que a sua tosse piora. A expectoração pode estar manchada de sangue. Se o cancro invadir os vasos sanguíneos subjacentes, pode causar hemorragias graves.

O cancro pode provocar sibilos devido ao estreitamento da via aérea em que se desenvolve. A obstrução de um brônquio pode ocasionar o colapso da parte do pulmão alimentada por esse brônquio, criando uma afecção denominada atelectasia. Outra consequência pode ser uma pneumonia com tosse, febre, dor torácica e dispneia. Quando o tumor cresce no interior da parede torácica, pode produzir uma dor de peito persistente.

Os sintomas posteriores consistem na perda de apetite, emagrecimento e debilidade. O cancro do pulmão ocasiona muitas vezes a acumulação de líquido à volta do pulmão (derrame pleural) (Ver imagem da secção 4, capítulo 44), que produz dispneia. Se o cancro se propaga para o interior dos pulmões, pode causar dispneia, baixa concentração de oxigénio no sangue e insuficiência cardíaca.
O cancro pode crescer no interior de certos nervos do pescoço, fazendo com que uma pálpebra fique só semiaberta, provocando a contracção da pupila, o afundamento do globo ocular e uma redução da transpiração num lado da cara. Estes sintomas em conjunto conhecem-se como a síndroma de Horner. O cancro na parte alta do pulmão pode crescer no interior dos nervos que controlam o braço, produzindo dor, insensibilidade e perda de força no mesmo. Pode também lesionar os nervos que vão para a cavidade dos órgãos da fonação, produzindo rouquidão.

O cancro pode crescer directamente no esófago ou perto dele e pressioná-lo, dificultando a deglutição. Em alguns casos, desenvolve-se um canal anormal (fístula) entre o esófago e os brônquios, provocando ataques agudos de tosse durante a deglutição porque os alimentos e os líquidos penetram nos pulmões.

Um cancro do pulmão pode crescer dentro do coração, provocando uma frequência cardíaca anormal, uma dilatação do coração ou líquido no pericárdio que envolve o coração. (Ver secção 3, capítulo 22) O cancro pode crescer à volta da veia cava superior (uma das grandes veias do interior do tórax). A obstrução desta veia faz com que o sangue reflua para as outras veias da parte superior do corpo. As veias da parede do tórax ganham volume. A cara, o pescoço e a parede torácica superior, incluindo as mamas, incham e adquirem uma cor arroxeada. A doença também causa dispneia, dor de cabeça, visão enevoada, vertigens e sonolência. Estes sintomas em geral pioram quando a pessoa se inclina para diante ou se deita.

O cancro do pulmão pode também propagar-se pela corrente sanguínea para o fígado, o cérebro, as glândulas supra-renais e os ossos. Isto pode ocorrer na primeira fase da doença, especialmente se se trata do carcinoma de células pequenas. Sintomas como insuficiência hepática, confusão, convulsões e dores ósseas podem verificar-se antes que seja evidente qualquer anomalia pulmonar, o que dificulta um diagnóstico precoce.

Algumas formas de cancro do pulmão têm o seu efeito noutros pontos afastados dos pulmões, como perturbações metabólicas, nervosas e musculares (síndromas paraneoplásicas). Estas síndromas não têm relação com o tamanho ou a localização do cancro do pulmão e não indicam necessariamente que este se tenha propagado para além do tórax, dado que são causadas por substâncias segregadas pelo cancro. Estas perturbações podem ser o primeiro sintoma de cancro ou o primeiro indício de que o cancro reapareceu depois do tratamento. Um exemplo da síndroma paraneoplásica é a síndroma de Eston-Lambert, caracterizada por uma debilidade muscular extrema. Outra é a debilidade muscular e a dor causadas pela inflamação (polimiosite), que além disso podem acompanhar-se por uma inflamação da pele (dermatomiosite).

Algumas formas de cancro do pulmão segregam hormonas ou substâncias semelhantes às hormonas, cujo resultado é uma concentração anormal de hormonas. Por exemplo, o carcinoma de células pequenas pode segregar a adrenocorticotropina, causando a síndroma de Cushing, ou a hormona antidiurética, causando uma retenção de líquidos e a baixa da concentração de sódio no sangue. A produção excessiva de hormonas também pode provocar a chamada síndroma carcinóide (avermelhamento da pele, respiração sibilante, diarreia e alterações nas válvulas cardíacas). O carcinoma de células escamosas pode segregar uma substância semelhante à hormona responsável por elevar os valores de cálcio no sangue. Outras síndromas hormonais relacionadas com o cancro do pulmão incluem o aumento do tamanho das mamas nos homens (ginecomastia) e uma produção excessiva da hormona tiróidea (hipertiroidismo). Também se verificam alterações cutâneas, como o escurecimento da pele nas axilas. O cancro do pulmão pode inclusive alterar a forma dos dedos das mãos e dos pés (Ver imagem da secção 4, capítulo 31) e causar mudanças nas extremidades dos ossos longos, as quais se podem observar nas radiografias.

Cancro brônquico
A maior parte das vezes, o cancro pulmonar tem origem nos brônquios. Posteriormente, dissemina-se a outros sítios do pulmão ou pode invadir outros órgãos (metástases).

Diagnóstico

O médico investiga a possibilidade de um cancro no pulmão quando um doente, especialmente um fumador, tem acessos de tosse persistente que pioram ou quando apresenta algum sintoma de perturbação pulmonar. Às vezes, uma sombra numa radiografia do tórax de alguém que não tem sintomas pode ser o primeiro indício do processo.

A maioria dos tumores do pulmão detecta-se numa radiografia do tórax, embora esta possa passar por cima dos pequenos tumores. Dado que uma radiografia mostra somente uma sombra no pulmão, não fornece uma prova segura de cancro. Por isso, é necessário um exame ao microscópio de uma amostra de tecido. Às vezes uma amostra da expectoração é suficiente para o diagnóstico (exame denominado citologia da expectoração). Também se pode praticar uma broncoscopia (Ver secção 4, capítulo 32) para obter uma amostra de tecido. Se o cancro for demasiado profundo para ser alcançado por um broncoscópio, o médico pode obter uma amostra mediante a inserção de uma agulha através da pele enquanto efectua uma tomografia axial computadorizada (TAC) como guia; este procedimento denomina-se biopsia com agulha. Às vezes, a amostra é obtida através de um procedimento cirúrgico denominado toracotomia. (Ver secção 4, capítulo 32)

O exame pela TAC pode mostrar as pequenas manchas que não aparecem nas radiografias do tórax. A TAC pode também revelar um possível crescimento dos gânglios linfáticos. No entanto, recorre-se frequentemente a uma biopsia (extracção de uma amostra para um exame ao microscópio) para determinar se tal aumento de volume provém de uma inflamação ou de um cancro. A TAC do abdómen ou da cabeça pode mostrar se o cancro se propagou ao fígado, às glândulas supra-renais ou ao cérebro. Uma gamagrafia óssea pode evidenciar que o cancro se propagou aos ossos. Dado que o carcinoma de células pequenas tende a propagar-se, o médico, às vezes, efectua uma biopsia de medula óssea (extracção de uma amostra para o seu exame ao microscópio).

A classificação das formas de cancro baseia-se no tamanho do tumor, na sua possível propagação aos gânglios linfáticos próximos e na sua possível expansão a órgãos distantes. As diversas categorias denominam-se fases. (Ver secção 15, capítulo 164) Cada fase de um cancro tem o seu tratamento mais apropriado e permite ao médico estabelecer o prognóstico.

Tratamento

Os tumores brônquicos não cancerosos, geralmente, extirpam-se cirurgicamente, dado que podem obstruir os brônquios e tornarem-se cancerosos com o tempo. Muitas vezes é difícil confirmar que um tumor na extremidade dos pulmões seja canceroso até que esse tumor seja extirpado para o seu exame microscópico.

A cirurgia é possível, às vezes, em formas de cancro diferentes do carcinoma de células pequenas que não se tenham propagado para além do pulmão. Apesar de se poder extirpar cirurgicamente entre 10 % e 35 % das formas de cancro, infelizmente os resultados nem sempre são a cura. Entre os doentes submetidos à extirpação de um tumor isolado de crescimento lento, entre 25 % e 40 % sobrevivem pelo menos durante 5 anos a contar do diagnóstico. Estes doentes devem submeter-se a controlos regulares porque o cancro do pulmão recidiva em 6 % a 12 % dos doentes operados. Esta percentagem é muito mais elevada entre os que continuam a fumar depois da intervenção.

Antes da cirurgia, o médico efectua provas de função pulmonar (Ver secção 4, capítulo 32) para determinar se o pulmão que fica tem capacidade suficiente. Se os resultados dos testes não forem satisfatórios, é provável que não possa praticar-se uma intervenção cirúrgica. A porção de pulmão a extirpar determina-se durante a cirurgia, variando de um pequena parte de um lobo pulmonar à totalidade do pulmão.

Às vezes, um cancro tem a sua origem noutro lugar do organismo e propaga-se aos pulmões. Este só se pode extirpar depois de ter sido extirpado o tumor original. Não é um procedimento que se recomende com frequência, uma vez que só 10 % conseguem sobreviver 5 anos ou mais a esta intervenção.

Infelizmente, a cirurgia não é útil quando o cancro se propaga para além dos pulmões, quando está demasiado próximo da traqueia ou quando o indivíduo sofre de outra doença grave (por exemplo, uma doença cardíaca ou pulmonar grave). Pode aplicar-se radioterapia aos doentes que não podem ser operados porque sofrem de outra doença grave. Nestes casos, o objectivo da radioterapia não é a cura, mas o retardar da evolução do cancro. A radioterapia é também útil para controlar a dor de ossos, a síndroma da veia cava superior e a compressão da medula espinal. No entanto, a radioterapia pode inflamar os pulmões (pneumonite por radiação), ocasionando tosse, dispneia e febre.

Estes sintomas aliviam-se com corticosteróides, como a prednisona. Nenhum tratamento de quimioterapia resulta particularmente eficaz, a não ser que o cancro do pulmão seja do tipo de células pequenas. Neste último caso, a cirurgia não é considerada uma opção válida, dado que quase sempre no momento do diagnóstico o carcinoma de células pequenas do pulmão já se propagou a outras partes diferentes do organismo. Em contrapartida, este cancro trata-se com quimioterapia, por vezes combinada com radioterapia. A quimioterapia prolonga a vida de forma significativa em 25 % dos doentes. Os indivíduos que sofrem de carcinomas de células pequenas do pulmão e que respondem bem à quimioterapia podem recorrer à radioterapia para tratar o cancro se este se estendeu ao cérebro.

Muitos indivíduos que sofrem de cancro do pulmão experimentam uma diminuição substancial da função pulmonar, estejam ou não em tratamento. A terapia com oxigénio e os fármacos que dilatam as vias respiratórias podem aliviar as dificuldades respiratórias. Também em muitos casos de cancro do pulmão avançado o doente sente dor e é tal a dificuldade para respirar que deve administrar-se-lhe um medicamento narcótico em doses importantes durante a fase terminal, que pode durar semanas ou meses. Felizmente, os narcóticos administrados em doses adequadas produzem um alívio substancial.



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