| Secção 5: | Perturbações dos ossos, articulações e músculos |
| Capítulo 51: | Doenças das articulações e do tecido conjuntivo |
| Temas: | Artrite reumatóide - Artrite psoriática
- Lúpus eritematoso discóide
- Lúpus eritematoso sistémico - Esclerodermia
- Síndroma de Sjögren
- Doença mista do tecido conjuntivo
- Polimiosite e dermatomiosite
- Vasculite
- Polimialgia reumática
- Arterite da artéria temporal
- Granulomatose de Wegener
- Síndroma de Reiter
- Síndroma de Behçet
- Espondilite ancilosante
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Doenças das articulações e do tecido conjuntivoAs alterações das articulações e dos seus componentes (músculos, ossos, cartilagens e tendões) consideram-se doenças do tecido conjuntivo, já que estas estruturas contêm grandes quantidades desse tecido. Contudo, muitas delas são também um tipo de doença auto-imune que se caracteriza pela presença de reacções imunológicas em que algo desencadeia a reacção do sistema imunitário contra os próprios tecidos do corpo e a produção de anticorpos anormais que atacam esses tecidos (auto-anticorpos). (Ver secção 16, capítulo 168) As reacções imunológicas caracterizam-se pela existência de inflamação (um processo de reparação que diminui uma vez completado este processo). Contudo, nas doenças auto-imunes, a inflamação pode ser crónica e lesar os tecidos normais. Por exemplo, na artrite reumatóide, a inflamação crónica prejudica a cartilagem da articulação. Nesta e em muitas outras doenças auto-imunes, a inflamação afecta várias articulações, provavelmente porque se deve aos anticorpos que circulam pelo organismo dentro da circulação sanguínea. O tecido conjuntivo
pode inflamar-se dentro e à volta das articulações e de outras
partes do corpo, tal como os músculos. Diagnóstico O diagnóstico de cada doença auto-imune baseia-se na sintomatologia, nos resultados do exame físico e nas análises laboratoriais. Por vezes, os sintomas de uma doença sobrepõem-se tanto aos de outra que é difícil fazer uma distinção entre elas, o que leva a diagnosticar uma doença do tecido conjuntivo não diferenciada ou uma doença denominada «de sobreposição». A anemia (um valor baixo de glóbulos vermelhos) (Ver secção 14, capítulo 154) com frequência acompanha as doenças do tecido conjuntivo. Nestas, a velocidade de sedimentação (que mede a velocidade a que os glóbulos vermelhos assentam no fundo de um tubo graduado cheio de sangue) é, em muitos casos, superior à normal. Uma velocidade superior à normal sugere a presença de uma inflamação activa; mas esta análise não é suficiente para identificar a causa da mesma. Os médicos podem vigiar periodicamente a velocidade de sedimentação quando os sintomas são ligeiros, a fim de determinar se a doença ainda está activa. Em algumas
doenças do tecido conjuntivo podem detectar-se anticorpos pouco comuns
e medir a sua concentração no sangue. Se os anticorpos são específicos
de uma doença, a sua presença confirma o diagnóstico. Por exemplo,
os anticorpos anti-ADN de cadeia dupla apresentam-se quase exclusivamente no
lúpus eritematoso sistémico. Contudo, na maioria das doenças
os anticorpos não são específicos da doença. Por exemplo,
70 % dos indivíduos com artrite reumatóide têm anticorpos chamados
factor reumatóide; contudo, os 30 % restantes não os têm. Da
mesma forma, o factor reumatóide pode estar presente noutras doenças.
Nesses casos, os resultados dos exames laboratoriais podem contribuir para o
diagnóstico, mas não confirmá-lo. Tratamento O tratamento varia segundo o tipo de doença e a gravidade da mesma. O tratamento farmacológico tem por objectivo reduzir a inflamação. Se os sintomas da inflamação são graves ou quando esta pode implicar um risco para a vida do doente, deve iniciar-se um tratamento agressivo imediatamente. Entre os medicamentos que reduzem a inflamação estão os anti-inflamatórios não esteróides (AINE), como a aspirina e o ibuprofeno (Ver secção 6, capítulo 61), que se administram para inflamações ligeiras, surtos menores e para o controle da dor. Certos anti-inflamatórios não esteróides podem ser adquiridos sem prescrição médica; em contrapartida, exige-se uma prescrição para as doses elevadas que são empregues habitualmente no tratamento das doenças auto-imunes. Os efeitos secundários (com frequência as perturbações de estômago) são, em geral, de pouca importância quando o tratamento com medicamentos em doses baixas é de curta duração. Em contrapartida, se o tratamento consistir em doses elevadas e for de longa duração, os efeitos secundários podem ser numerosos e graves. Os cortiscosteróides, uma forma sintética de hormonas naturais, são medicamentos anti-inflamatórios muito potentes que podem ser administrados por meio de injecções ou por via oral. A prednisona é o corticosteróide administrado por via oral mais amplamente utilizado. É possível precisar-se de doses baixas de um corticosteróide durante meses ou anos, uma vez controlada a inflamação com doses mais elevadas. Em comparação com os anti-inflamatórios não esteróides, os corticosteróides causam efeitos secundários muito mais graves, como aumento do açúcar no sangue, aumento do risco de infecção, osteoporose, retenção de líquidos e fragilidade da pele. Para evitá-los, o médico prescreve a dose eficaz mais baixa, especialmente para um tratamento de longa duração. Administram-se medicamentos imunossupressores como metotrexato, azatioprina e ciclofosfamida para suprimir a resposta imunitária e reduzir desse modo a inflamação. Alguns destes medicamentos também são administrados para tratar o cancro, mas os seus efeitos secundários são potencialmente perigosos. O uso prolongado de azatioprina e ciclofosfamida pode aumentar o risco de desenvolver algumas formas de cancro. Alguns medicamentos imunossupressores podem contribuir para a disfunção do sistema reprodutor. Qualquer infecção pode ser mortal dado que o sistema imunitário está deprimido. Por conseguinte, administram-se os medicamentos imuno-supressores mais potentes apenas nos casos graves. |
