| Secção 6: | Doenças do cérebro e do sistema nervoso |
| Capítulo 70: | Doenças dos nervos periféricos |
| Temas: | Perturbações da estimulação muscular
- Doenças da junção neuromuscular
- Miastenia grave - Doença dos plexos - Síndromas de obstrução da abertura torácica - Neuropatia periférica - Síndroma de Guillain-Barré
- Neuropatias hereditárias
- Atrofias musculares espinhais
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Doenças dos nervos periféricosO sistema nervoso periférico é composto por todos os nervos que estão fora do sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal). Fazem parte do sistema nervoso periférico os nervos cranianos que ligam o cérebro directamente à cabeça e à face, os que o ligam aos olhos e ao nariz e os nervos que ligam a medula espinhal com o resto do organismo. O cérebro comunica com a maior parte do organismo através de 31 pares de nervos espinhais que saem da medula espinhal. Cada par de nervos espinhais consta de um nervo na face anterior da medula espinhal, que conduz a informação do cérebro aos músculos e de um nervo na sua face posterior, que leva a informação sensitiva ao cérebro. Os nervos espinhais estão ligados entre si e formam os chamados plexos, que existem no pescoço, nos ombros e na pelve; depois, dividem-se novamente para proporcionar os estímulos às partes mais distantes do corpo. Os nervos periféricos são na realidade feixes de fibras nervosas com um diâmetro que oscila entre 0,4 mm (as mais finas) e 6 mm (as mais grossas). As fibras mais grossas conduzem as mensagens que estimulam os músculos (fibras nervosas motoras) e a sensibilidade táctil e de posição (fibras nervosas sensitivas). As fibras sensitivas mais finas conduzem a sensibilidade à dor e à temperatura e controlam as funções automáticas do organismo, como a frequência cardíaca, a pressão arterial e a temperatura (sistema nervoso autónomo). As células de Schwann envolvem cada uma das fibras nervosas e formam múltiplas camadas de um isolante gordo, conhecido como bainha de mielina. A disfunção dos nervos periféricos pode dever-se a lesões das fibras nervosas, do corpo da célula nervosa, das células de Schwann ou da bainha de mielina. Quando se produz uma lesão na bainha de mielina que provoca a perda desta substância (desmielinização), a condução dos impulsos é anormal (Ver secção 6, capítulo 68) No entanto, a bainha de mielina costuma regenerar-se com rapidez, o que permite o restabelecimento completo da função nervosa. Ao contrário da bainha de mielina, a reparação e o novo crescimento da célula nervosa lesionada produzem-se muito lentamente, ou inclusive não se verifica em absoluto. Por vezes, o crescimento pode ocorrer numa direcção errada, provocando conexões nervosas anormais. Por exemplo, um nervo pode ligar-se a um músculo equivocado, provocando contracção e espasticidade, ou, se se tratar do crescimento anormal de um nervo sensitivo, a pessoa não saberá reconhecer onde lhe tocam nem onde a dor tem origem.
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